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Lafepe ampliará produção

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As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco

Durante muito tempo, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) era sinônimo da vitamina C e das velas de andiroba (repelente), comercializadas em sua 35 farmácias. Hoje, com 17 unidades, as farmácias da empresa pernambucana não vendem mais analgésicos de fabricação própria, nem a vitamina C produzida na fábrica de Dois Irmãos, no Recife. A previsão, no entanto, é de que a fabricação seja retomada este ano. Já em 2022 o laboratório vai começar a fabricar mais dois retrovirais – remédios usados no tratamento de soropositivos. Para isso, iniciou, em 2020, um investimento de R$ 120 milhões que deverá ser concluído até 2024. A unidade pernambucana é um dos maiores laboratórios públicos do País e é o único que produz remédio para o Mal de Chagas, além de uma solução que – dissolvida na água – evita o cólera. Os recursos serão empregados em novas linhas de produção e ampliação do parque industrial. “Passamos a produzir medicamentos mais estratégicos que o SUS estava demandando e que precisavam de mais tecnologia”, explica o diretor comercial do Lafepe, Djalma Dantas, sobre a parada na fabricação dos itens que consolidaram a marca Lafepe no imaginário pernambucano. Isso significa que a empresa passou a destinar toda a sua produção de medicamentos para o SUS, que é distribuído de graça pelo governo federal para os pacientes cadastrados no SUS. Desde 2001, o governo federal estimulou os laboratórios públicos a produzirem os medicamentos distribuídos pelo SUS para economizar na compra. Segundo Djalma, que está há 20 anos no Lafepe, a suspensão na fabricação desses medicamentos mais baratos – como a vitamina C e os analgésicos – ocorreu em 2016, quando o laboratório teve que melhorar as suas instalações para produzir medicamentos mais complexos e obter uma certificação de boas práticas de fabricação, exigida para fabricantes desse tipo de remédio. “Não dava para fazer tudo ao mesmo tempo, por isso suspendemos a produção desses medicamentos mais baratos. Mas é uma determinação do governo voltar a oferecer esses produtos que vão ser mais baratos do que os já existentes no mercado”, afirma. Esses remédios devem ser subsidiados pelo próprio Lafepe – para que o preço seja mais barato do que os existentes no mercado – e não vão trazer impacto no faturamento da empresa. Exemplos dos medicamentos distribuídos pelo SUS que o Lafepe passou a produzir são os três antipsicóticos – usados no tratamento da esquizofrenia e bipolaridade – que o Lafepe produz para o Ministério da Saúde. Os três são responsáveis por cerca de 60% do faturamento da estatal, que alcançou R$ 270 milhões em 2020, de acordo com Djalma. O cadastro de pacientes que consomem esse tipo de medicamento é formado por 2 milhões de pacientes atendidos pelo SUS. O laboratório pernambucano produz atualmente cerca de 100 milhões de unidades, enquanto há 10 anos eram fabricados 200 milhões de unidades, quando o seu faturamento girava em torno de R$ 130 milhões. Antes da pandemia, em 2019, o faturamento da empresa chegou a R$ 300 milhões. A receita da empresa atualmente é maior, porque vende produtos que usam mais tecnologia e, por causa disso, têm o preço mais alto. Também são vendidos ao Ministério, os retrovirais cujo destino é um público de 1 milhão de pacientes cadastrados pelo SUS. Atualmente, o Lafepe produz três dos 22 retrovirais que são distribuídos dentro do programa que atende os soropositivos. “Os dois retrovirais que vamos passar a produzir resultam de uma parceria feita com laboratórios privados que fizeram a transferência da tecnologia”, comenta o diretor administrativo do Lafepe, Nivaldo Brayner. Os dois novos remédios são o Darunavir e o Dolutegravir e foram aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A partir do próximo ano, o Lafepe passará a ser o único fornecedor dos três retrovirais ao governo federal. Depois que os dois retrovirais começarem a ser vendidos, os antipsicóticos – usados no tratamento da bipolaridade e da esquizofrenia – vão passar a representarem um percentual menor no faturamento da empresa pernambucana. O laboratório também vai continuar produzindo o remédio para o Mal de Chagas e uma solução de hipoclorito de sódio a 2,5% que mata o cólera. “Os laboratórios comerciais tendem a não produzir medicamentos para as doenças negligenciadas. É por isso que é estratégico ter o laboratório público para produzir esse tipo de medicamento, mesmo que não seja interessante economicamente”, conta Nivaldo. Geralmente, doenças negligenciadas são aquelas que atingem a população mais pobre dos países em desenvolvimento. No entanto, atualmente os Estados Unidos têm 300 mil casos confirmados do Mal de Chagas. Criado em 1965, para produzir medicamentos de qualidade e a baixo custo, o Lafepe é uma sociedade de economia mista, com autonomia administrativa e financeira, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde. Hoje, nas farmácias da estatal são comercializados remédios para hipertensão, diabetes, analgésicos, antiparasitários e medicamentos para febre produzidos por outros laboratórios, além dos óculos que são de fabricação própria. Financeiramente, o Lafepe é uma empresa equilibrada. Registrou um faturamento de R$ 270 milhões no ano passado, contra os R$ 300 milhões faturados em 2019. “A pandemia atrapalhou. Faltou papelão pra embalagem dos medicamentos. Os insumos de alguns medicamentos também atrasaram”, comenta Nivaldo. O laboratório gasta cerca de 11,8% de toda a sua receita com salários de 535 servidores. Emprega pelo menos 75 farmacêuticos. Em 2019, a empresa registrou um lucro de R$ 52 milhões e no ano passado teve um resultado positivo de R$ 30 milhões. SOCIAL O laboratório também fabrica óculos de graus que são vendidos nas suas farmácias. Uma parte dessa produção é destinada ao Programa Boa Visão, iniciada em 2012 no governo de Eduardo Campos (PSB). “Esse programa tem um alcance social fantástico. Dá orgulho ao Lafepe. Tivemos um caso de um adolescente de 11 anos que tinha cinco graus de miopia e não usava óculos”, conta Nivaldo. O programa faz uma parceria com a Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria estadual de Educação. Os alunos da rede estadual são indicados por professores e fazem consulta de graça nas clínicas conveniadas e recebem o óculos, também de graça. Também fazem parte do programa os servidores e funcionários da secretaria de Educação estadual que pagam de forma subsidiada pelos óculos. Os óculos em farmácia vendidos pelo Lafepe correspondem a 0,5% de todo o faturamento do Lafepe. Um óculos que custaria R$ 500 pode ser comercializado por cerca de R$ 100 nas farmácias próprias do laboratório.