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Miopia, pandemia e as crianças

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco

As crianças são vítimas silenciosas da pandemia. Como não estão no grupo de risco, não chamam a atenção. Já alertamos sobre transtornos mentais e aumento de suicídios em crianças e adolescentes, mas a preocupação agora é a visão de nossos infantes. Estudo com 123 mil crianças publicado na China assustou os oftalmologistas pelo aumento da miopia durante o confinamento. Há uma triagem anual feita desde 2015, em Feicheng, para controle da miopia; essa preocupação é justificada pelo alto índice nos asiáticos, 80% dos adolescentes são míopes aos 13 anos contra 25% nessa mesma idade na Europa. O alerta atingiu principalmente a faixa entre os 6 e os 8 anos; houve aumento da prevalência de miopia de 40% nas crianças de 8 anos, de 200% nas de 7 anos e um aumento incrível de 400% nas de 6 anos, que parece ser uma idade onde há uma “janela” de risco. Entre 2015 e 2019, nessa mesma faixa etária, houve estabilidade da prevalência, mas em 2020, após o fechamento das escolas entre janeiro e maio, ocorreu essa explosão. Os dados foram coletados em junho, logo após a volta às aulas. Há um consenso que atividades outdoors são protetivas para o surgimento e aumento da miopia e, pelo contrário, atividades indoors e excesso do uso da visão de perto estimulam o aumento do comprimento axial do olho e, consequentemente, a miopia. Um estudo canadense de 2020 relatou que crianças de 8 anos gastam em média 5hs/ dia em telas, bem acima do recomendado de 2hs/dia. As meninas são mais afetadas que os meninos, que gastam mais tempo em atividades esportivas ao ar livre e menos em redes sociais e smartphones que as garotas. Não é apenas questão de usar óculos, mas riscos futuros. Quanto mais cedo a miopia surge, maior a chance de termos um alto míope no futuro e, com isso, riscos de complicações graves. Catarata, glaucoma, descolamento de retina, maculopatia e visão subnormal são bem mais frequentes em míopes que em não míopes. As crianças não são os transmissores da Covid; elas são verdadeiras usinas de interferon e interleucinas, que matam os vírus. Nossas vítimas silenciosas precisam das escolas, dos esportes, das praias e parques.