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Doença cardíaca e mortes por covid-19

As matérias veiculadas pelo jornal citado como “fonte” não representam a opinião do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). O clipping tem por objetivo atualizar os leitores das principais notícias referentes à saúde veiculadas no país e, principalmente, no estado de Pernambuco

Dos mais de 13 mil óbitos confirmados por covid-19 em Pernambuco, 3.876 aparecem sem registro de comorbidades (doenças preexistentes), outras 1.324 notificações são de óbitos em que problemas de saúde prévios não foram especificados na base de dados e 8.012 são registros de pessoas que faleceram e que, antes de terem sido infectadas pelo novo coronavírus, já apresentavam pelo menos alguma enfermidade. Na lista dessas comorbidades de pacientes mortos por covid-19, lideram as doenças cardíacas ou vasculares, presentes em 5.882 (73,4%) notificações de óbitos pela infecção no Estado, segundo apurou a coluna Saúde e Bem-Estar com a Secretaria de Saúde de Pernambuco. Esse dado, da reforça o alerta dado, por profissionais de saúde, no Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, lembrado amanhã em todo o Brasil. Segundo especialistas, os cuidados precisam ser reforçados nesta pandemia, já que pessoas com doenças crônicas, como hipertensão fora de controle, têm mais chances de desenvolver as formas mais graves da covid-19. “A hipertensão é uma das doenças cardiovasculares e, por isso, é importante os pacientes seguirem orientações médicas e não suspenderem o tratamento, principalmente porque a pressão arterial alta é um dos maiores fatores de risco para desenvolvimento de complicações pela covid-19”, destaca o cardiologista Audes Feitosa, presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Apesar de os médicos exigirem que reforcemos atualmente os cuidados e a vigilância com a saúde do coração, a pandemia traz obstáculos, já que o medo do novo coronavírus fez com que muitas pessoas postergassem consultas e exames. De acordo com artigo científico publicado pela SBC, com base em dados do DataSUS, na comparação de março a maio de 2020 e o mesmo período em 2019, houve queda no número de exames utilizados para avaliar a evolução e as causas da hipertensão, como eletrocardiogramas (-41%), ecocardiografia (-42%), holter (-51%) e exame de monitorização ambulatorial da pressão arterial (-74%). De acordo com a endocrinologista Raquel Cristina Coelho, gerente médica da Novo Nordisk, a preocupação com o coração deve ser ainda maior quando hipertensão e diabetes estão associadas (ou seja, quando o paciente tem ambas as doenças). “A pandemia mistura fatores psicossociais do isolamento com uma maior dificuldade em realizar atividade física para controle do peso e uma diminuição no acompanhamento médico. Pensando em doenças crônicas e silenciosas, como a hipertensão e o diabetes, que mesmo fora de controle demoram a dar sinais, temos a receita perfeita para o agravamento dessas pessoas, que pode evoluir para um acidente vascular cerebral (AVC), infarto ou doença renal, entre outras complicações sérias”, comenta Raquel. Ela orienta que o primeiro passo é buscar ajuda médica e fazer os exames para melhor avaliação do quadro de saúde.

Marcapasso cardíaco fisiológico

O Hospital Esperança é referência num procedimento ainda novo em Pernambuco: a implantação de um marcapasso cardíaco fisiológico. A instituição é pioneira no uso da técnica no Recife. Já foram realizados quatro procedimentos na unidade. A cirurgia consiste na instalação de um marcapasso semelhante aos já utilizados. Ao invés de estimular o coração diretamente no músculo cardíaco, o eletrodo (fio do marcapasso) é implantado no sistema de condução cardíaco, usando o sistema natural para criar uma estimulação do músculo. Esse novo sistema traz benefícios a longo prazo para os pacientes, pois alguns desenvolvem insuficiência cardíaca, provocada pela contração não natural do marcapasso. “A estimulação fisiológica do coração é uma técnica moderna que trabalha com o sistema de condução e reduz os malefícios ao coração, prevenindo a insuficiência cardíaca. O aparelho é colocado na sua posição normal, mas a estimulação é feita numa posição específica”, explica o cardiologista do Hospital Esperança Recife Eduardo Gadelha, que realizou os procedimentos.

Prevenção

Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, lembrado amanhã, a UPAE do Arruda, na Zona Norte do Recife, realizará palestra voltada para pacientes e acompanhantes. A nutricionista Silene Ferreira vai orientar sobre hábitos saudáveis que podem prevenir a hipertensão arterial, como a prática regular de atividade física e alimentação equilibrada. A doença, considerada crônica, pode prejudicar órgãos como coração, cérebro e rins.

Olhos

O oftalmologista Paulo Saunders (foto), da Oftalmax, alerta sobre cuidados com os olhos e a hipertensão. A doença, se não controlada, pode gerar dilatações e obstruções dos vasos da retina, estrutura responsável pelo sentido da visão. “As lesões secundárias da retinopatia hipertensiva podem causar até cegueira parcial ou total”, diz. Diante de alteração na visão, é fundamental consultar rapidamente um profissional. Vale lembrar a importância de se visitar periodicamente um oftalmo.

Mudanças de hábito fazem a diferença na saúde

Mudanças simples na rotina de pessoas com hipertensão e diabetes, doenças que aumentam as chances de agravamento pela covid-19, podem ajudar o tratamento medicamentoso a oferecer um melhor controle dessas condições de saúde. Segundo a endocrinologista Raquel Cristina Coelho, da Novo Nordisk, embora diabetes e hipertensão sejam doenças progressivas, o tratamento delas é beneficiado por hábitos como uma alimentação mais saudável, prática de atividade física, controle do peso e melhor qualidade do sono. “E isso vale tanto durante quanto depois da pandemia. Com isso e o suporte dos profissionais de saúde, é possível viver bem, mesmo com uma doença crônica”, explica. Para ela, os cuidados devem ser redobrados quando um paciente tem níveis descontrolados de glicose e hipertensão. A diabetes tipo 2 aumenta em até quatro vezes a propensão a doenças cardiovasculares. Uma delas é a aterosclerose, ou formação de placas de gordura e cálcio nas artérias, cujo avanço desenfreado pode causar consequências graves, como infarto e derrame, responsáveis por 80% das mortes relacionadas a diabetes.

Alzheimer

As demências aumentam riscos de gravidade e morte por covid-19. No caso de pacientes com Alzheimer, esses riscos podem ser até seis vezes maiores. A constatação é fruto de estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Butantan, em parceria com colegas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).