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Timbaúba: mortes em maternidade são apuradas

A fiscalização do Cremepe verificou que o Hospital Ferreira Lima não havia comunicado oficialmente ao Conselho que contava com uma maternidade

Apesar de já ter aberto uma sindicância, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) enviou uma equipe ontem para uma vistoria ‘ex-oficio’, quando é feita sem uma denúncia formal, na Maternidade Dr. Tito Ferraz, que fica no Hospital dr. Ferreira Lima, em Timbaúba, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Duas mulheres morreram após seus respectivos partos naquela unidade, na quarta (28) sexta (30), da semana passada. Os dois óbitos levaram a Prefeitura do Município a suspender os serviços por tempo indeterminado no último sábado (1).

A vendedora Amanda Lorraine Gonçalves de Lima foi à maternidade na quarta para o parto de seu segundo filho. A criança, uma menina, nasceu normalmente numa cesárea, mas após o procedimento, a mulher, de 23 anos, começou a passar mal. A família denunciou que houve negligência, pois ela teria ficado seis horas sem atendimento até sofrer convulsões e falecer.

Apenas dois dias depois, Amanda Ramos de Melo, de 34 anos, foi à mesma unidade para dar à luz. Ela teve o bebê por volta das 16h30. E após a cesárea passou a reclamar de dores e cólicas. A família informou que a dona de casa chegou a sofrer hemorragia e mais de uma parada cardiorrespiratória. Como não havia médico na Tito Ferraz ela foi transferida para a UPA de Nazaré da Mata, mas não resistiu, morrendo às 23h40.

A fiscalização realizada pelo Cremepe verificou que o Hospital Ferreira Lima não havia comunicado oficialmente ao Conselho que contava com uma maternidade. Além disso, profissionais essenciais para um local com esse procedimento funcionar não foram encontrados, como neonatologista, obstetras e anestesista.

Agora, o Cremepe terá 180 dias para concluir a sindicância, que vai dar um parecer sobre o trabalho da equipe e a estrutura disponível na unidade. Entre as punições possíveis, estão a suspensão de profissionais, advertência e até cassação do registro dos responsáveis pela maternidade. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) também esteve na Tito Ferraz, mas não encontrou irregularidades.

O estabelecimento pertence à rede privada. Ela fazia partos na rede ppor conta de um convênio com a Prefeitura de Timbaúba. Esse acordo havia sido suspenso há cinco anos e foi retomado justamente na quarta-feira, dia em que foi registrado o primeiro óbito.

Em nota, o Instituto João Ferreira Lima, que mantém o hospital, lamentou as mortes. “O Hospital João Ferreira Lima lamenta este fatídico acontecimento se solidarizando com os familiares das parturientes e coloca-se à disposição para dirimir eventuais dúvidas e questões acerca do triste ocorrido. A Comissão de Óbitos da instituição aguardará o laudo técnico do IML para seu pronunciamento oficial, considerando que este é o protocolo padrão”.

Mais à frente, o texto lembra os 60 anos de funcionamento da unidade e acrescenta que “os fatos estão sendo devidamente apurados pelas equipes competentes”.