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MPPE apura falta de leitos

Após denúncias feitas por médicos e publicadas ontem, neste JC, sobre superlotação em ala pediátrica do Hospital Barão de Lucena (HBL), na Iputinga, Zona Oeste do Recife, a Promotoria de Justiça em Saúde do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) determinou uma inspeção na unidade, a fim de que possa ser elaborado um relatório sobre a assistência. Na manhã de ontem, o HBL estava com 37 pacientes (bebês e crianças) com sintomas respiratórios internados, sendo cinco deles intubados e três em ventilação não invasiva, popularmente conhecida pela sua sigla, VNI.

“Estamos vendo o caos novamente no HBL. É um clima de guerra”, relatou uma médica ouvida pela reportagem. Ela acrescentou que o hospital tem 12 leitos de terapia intensiva (UTI) para crianças que estão com quadros respiratórios mais severos. Mas essas vagas não têm sido o suficiente para a demanda atual.

Ontem, em coletiva pela internet, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, não fez referência à situação do HBL que tem sido relatada à imprensa, mas anunciou a abertura de novas dez vagas de UTI para bebês e crianças no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) até a próxima semana. “Serão seis leitos pediátricos e quatro neonatais. Estamos no processo de seleção dos intensivistas. A grande dificuldade hoje, para montar leitos pediátricos, tem sido contar hoje com recursos humanos.”

Para descentralizar a assistência, o secretário informou que outros 20 novos leitos gerais de UTI pediátrica e neonatal serão operacionalizados em maio e junho na Maternidade Santa Maria, em Araripina, e no Hospital Regional de Ouricuri, ambos no Sertão do Estado. Ele ainda informou que, na próxima semana, 34 leitos adultos, sendo 10 de UTI, para adultos dedicados à covid-19 serão abertos na Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (Upae) de Goiana, na Mata Norte.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), a positividade para covid-19, entre o público pediátrico, é baixa. “Essa população representa 1,6% dos casos graves do novo coronavírus no Estado.” A secretaria reforça que, de março a junho, Pernambuco passa por sazonalidade de vírus respiratórios, que causam viroses comuns neste período do ano. Atualmente, de acordo com a SES, há mais de 170 vagas para essa população (neonatal e pediátrica), localizadas no Recife, Olinda, Goiana, Garanhuns, Arcoverde, Serra Talhada, Salgueiro e Petrolina. Entre elas, são apenas 42 vagas de UTI pediátrica e 20 neonatal para todo o Estado.

INFLUENZA

Ainda ao fazer menção à faixa etária pediátrica, Longo reforçou a importância da adesão à campanha de vacinação contra a gripe. “Estamos no período de sazonalidade dos vírus respiratórios, e a influenza é mais perigosa para as crianças do que a própria covid-19. Apesar deste risco, a procura nos postos de vacinação está muito baixa. Se protejam e nos ajudem a proteger nossas crianças”, frisou Longo. De acordo com dados do sistema de informação do Ministério da Saúde, os municípios pernambucanos informaram que foram aplicadas mais de 322 mil doses da vacina contra a gripe, das mais de 1,2 milhão de doses repassadas.

Aula presencial está mantida

Diante dos números da pandemia de covid-19 em Pernambuco, o Conselho Estadual de Saúde recomendou ao governo estadual que suspendesse as aulas presenciais nos estabelecimentos de ensino públicos e privados do Estado. Mas o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, disse ontem, durante coletiva online, que as escolas e instituições de ensino superior permanecerão abertas para ofertar essas ativiades.

“Não vamos adotar a recomendação do conselho. As aulas nas escolas são seguras e devem ser ao máximo preservadas, na medida em que a parada da educação é muito mais grave do que o fato de manter as atividades funcionando. Elas (as escolas) são seguras e devem ser preservadas. Educação é prioridade”, destacou André Longo. “Respeitamos o conselho, que tem autonomia para fazer recomendações. Mas essa é uma decisão que cabe às autoridades sanitárias. O Comitê de Enfrentamento à Covid-19 recebe sugestões de várias entidades, de pesquisadores, epidemiologistas”, comentou o secretário de Saúde.

André Longo preside o Conselho Estadual de Saúde mas disse que não participou da reunião realizada quarta-feira (05) em que foi discutida a nota que traz a recomendação de suspender as aulas por causa do agravamento da pandemia. O conselho é um colegiado formado por representantes de usuários, gestores e trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao justificar o pedido de imediata interrupção das atividades nos estabelecimentos educacionais, o conselho destaca que a adoção da medida se deve ao “estado crítico e persistente de pressão sobre a rede assistencial em função da pandemia de covid-19, com 97% de ocupação de leitos de UTI (em 5 de maio) e a marca de 558 óbitos registrados na semana epidemiológica 17 (25.04.2021 a 01.05.2021), no estado de Pernambuco”, diz um trecho do texto.

SEM DATAS

Este ano, o governo de Pernambuco suspendeu as aulas presenciais no dia 18 de março justamente por causa da alta de casos da doença. E autorizou o retorno em datas diferentes, começando em 5 de abril, para as redes privada, estadual e municipal.

Atualmente, todas os colégios podem ofertar aulas presenciais. Mas a maioria das escolas municipais permanece fechada. No Recife e em Olinda, por exemplo, não há data para reabertura das unidades municipais. Em Jaboatão a volta será apenas em agosto.

Na rede estadual, professores estão em greve desde 19 de abril justamente por serem contrários às atividades nos colégios diante do atual cenário da pandemia. A Justiça considerou a paralisação ilegal, mas a categoria mantem o movimento.

O Estado tem 462 mil alunos das escolas privadas e 542 mil da rede estadual. As rede municipais, a maioria atualmente com aulas remotas, somam cerca de 1,5 milhão de estudantes.

No Estado, apenas o Recife começou a vacinação dos trabalhadores da educação. Até quarta-feira (05), 5.658 pessoas que atuam nas escolas da capital tinham sido vacinadas, segundo o vacinômetro, painel mantido pela prefeitura. A estimativa é imunizar 16 mil pessoas desse público.

Rodoviários serão antecipados

O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, confirmou que o governo do Estado pretende, sim, antecipar a vacinação dos motoristas e cobradores de ônibus da Região Metropolitana do Recife (RMR) ainda em maio, mas que o processo depende da chegada de mais vacinas durante o fim de semana. Sem essa garantia que permita avançar na imunização das pessoas com comorbidades, gestantes e puérperas, não será possível iniciar a dos rodoviários.

“Sabemos que é uma categoria essencial, que não parou um dia durante a pandemia. Embora esteja prevista no Programa Nacional de Imunização (PNI), o Estado gostaria muito de antecipar a vacinação. Mas tudo vai depender do volume de vacinas enviadas para o Estado”, afirmou.

Com as 165 mil doses da vacina AstraZeneca recebidas ontem e com as novas que devem chegar até a segunda-feira, as chances aumentam. “Se essas remessas se confirmarem, conseguiremos finalizar a imunização de comorbidades e avançar na segunda dose de idosos e de pessoas com deficiência. E será possível chegar aos trabalhadores essenciais”, disse.

A intenção do Estado é que a imunização possa acontecer ainda em maio, se possível até o dia 15. A decisão ganhou força com os apelos que os rodoviários têm feito, inclusive com a realização de protestos pela cidade. Na última manifestação, no dia 26, a categoria chegou a parar os coletivos no Centro do Recife e a apresentar carta ao governador Paulo Câmara solicitando um posicionamento. Falou, também, que esperaria até o dia 15 de maio, e que depois dessa data poderia levar a realização de greve para votação em assembleia.