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Junho deve ser mais difícil

Indicadores atuais apontam para uma intensificação da pandemia nas próximas semanas, com projeção de aumento na média de óbitos provocados pelo coronavírus para um patamar em torno de 2.200 por dia no Brasil. O alerta é feito em novo boletim do Observatório covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta semana.

O boletim chama atenção para a situação preocupante da Região Nordeste, onde Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Sergipe mantém taxas de ocupação perto de 100%. Alagoas também voltou à zona de alerta crítico, na qual também está a Bahia, ambos com mais de 80% de ocupação. Já Maranhão e Paraíba tiveram altas consideradas expressivas e chegaram a cerca de 75% dos leitos para pacientes graves ocupados.

Segundo o documento, entre 16 e 22 de maio foi observada a estabilização das taxas de mortalidade no país, em níveis altos, em torno de 1.900 mortes diárias. No entanto, houve aumento da incidência de novos casos de covid-19 e os índices de positividade nos testes continuam elevados, demonstrando a circulação intensa do vírus Sars-CoV-2.

“Quando acontece o aumento do número de casos, a dinâmica normalmente é que algumas semanas depois o número de óbitos também aumenta. É uma preocupação a mais para as próximas semanas”, explica Daniel Villela, coordenador do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

“Esse contexto vai gerar novas pressões sobre todo o sistema de saúde. O aumento no número de internações, demonstrado pelo crescimento das taxas de ocupação dos leitos de UTI, é resultado desse novo quadro da pandemia no Brasil”, afirmam os autores.

O documento também destaca o rejuvenescimento da pandemia, que “associado à circulação de novas variantes do vírus no país e ao relativo sucesso da campanha de vacinação entre populações mais idosas, torna mais crítico o tratamento para casos graves entre grupos mais jovens”.

Villela avalia que a variante indiana, detectada pela primeira vez no país na semana passada, pode provocar impactos no avanço da covid-19.

“Ela foi classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma variante de preocupação, por ter maior transmissibilidade. Precisam ser adotadas aquelas mesmas medidas que vêm sendo discutidas para controlar a disseminação do vírus: fazer restrições, evitar aglomerações. Para a questão da variante, é preciso aumentar a testagem e a vigilância genômica”, afirma o pesquisador.

“Muitas vezes o que um município estabelece, outro próximo não, e as pessoas circulam entre eles”, explica. “E precisamos reforçar o que é mais efetivo, a vacinação. O ideal é intensificar o ritmo, para conseguir a cobertura vacinal mais ampla possível, de forma mais rápida”, acrescenta.

O boletim aponta que, entre os dias 17 e 24 de maio, as taxas de ocupação de leitos de UTI covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram ou se mantiveram estáveis em níveis elevados em “praticamente todo o Brasil”.

A Fiocruz classifica as taxas de ocupação abaixo de 60% como zona de alerta baixa, a intermediária entre 60% e 80%, e alta sendo igual ou acima de 80%.

A Região Norte é a única que apresentou pequenas melhoras no indicador em Rondônia (de 83% para 79%) e no Tocantins (de 89% para 86%), informa o boletim. Roraima entrou na zona de alerta crítico, com a taxa passando de 38% para 83%, mas, segundo os pesquisadores, a mudança ocorreu devido à redução de 90 para 60 leitos de UTI.