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OMS elogia decisão “histórica”

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, elogiou nesta segunda-feira (31) a “histórica” decisão dos Estados membros de fortalecer a agência após uma crise que expôs suas deficiências, mas ressaltou a urgência de um tratado sobre pandemias. Mais de um ano depois do começo de uma pandemia que já deixou mais de 3,5 milhões de mortos no mundo todo e após uma semana de debates, os países integrantes da OMS decidiram fortalecer o organismo.

Mas as diretrizes para a reforma ainda não foram definidas. Alguns países relutam em dar mais poderes à OMS em nome de sua soberania.

Os membros também decidiram adiar para novembro as discussões sobre a necessidade de um tratado ou convenção sobre pandemias, instrumento exigido há semanas pela OMS e vários países, incluindo França e Alemanha.

Para Tedros Adhanom Ghebreyesus, que falou no final da Assembleia, um acordo internacional vinculativo é o que “mais contribuirá para fortalecer segurança da saúde mundial”. “Atualmente, os patógenos têm mais poder do que a OMS”, resumiu. No entanto, no encerramento desta 74ª Assembleia Mundial da Saúde, que aconteceu online monitorada de Genebra, ele descreveu a resolução como “uma das mais importantes na história da organização”.

Conforme destacado nos debates, o principal objetivo da reunião é fazer a reforma da agência e de sua capacidade para coordenar a resposta às crises sanitárias globais, assim como para prevenir futuras epidemias.

No decorrer dos últimos dias, os membros tiveram acesso a vários relatórios de especialistas independentes. Estes documentos revelaram as falhas da OMS – e também dos países – ante a covid-19 e solicitaram reformas profundas de seus sistemas de alerta e de prevenção.

Um desses informes avaliou que a pandemia poderia ter sido evitada e que a OMS declarou tarde demais, apenas no final de janeiro de 2020, uma emergência sanitária de âmbito internacional, ou seja, o nível mais elevado de alerta.

Os relatórios “são unânimes em afirmar que o mundo precisa de uma OMS mais forte no centro da arquitetura global da saúde”, resumiu Tedros.

Mas, “a OMS não pode ser fortalecida sem financiamento duradouro”, disse o Dr. Tedros. Por enquanto, 16% do orçamento prevê contribuições obrigatórias do Estado, o restante são voluntárias de doadores públicos e privados.

A resolução, proposta em particular pelos Estados Unidos e pela União Europeia, continua bastante vaga em alguns pontos, exigindo que os países “busquem e garantam um financiamento adequado, flexível, duradouro e previsível do programa orçamentário da OMS”.

O texto ressalta que a preparação e a resposta diante das crises de saúde são, “principalmente, de responsabilidade dos governos, que desempenham um papel fundamental nesse sentido”.

Além disso, o texto instaura um grupo de trabalho que se dedicará ao fortalecimento da preparação e da resposta da OMS diante de futuras emergências sanitárias.

Aberta a todos os Estados-membros, esta força-tarefa ficará encarregada de analisar as conclusões dos diferentes relatórios e apresentar suas próprias recomendações, para que sejam examinadas na 75ª Assembleia Mundial da Saúde.

VARIANTES

Lembrar os nomes científicos das variantes da covid-19, por exemplo B.1.617, B.1.1.7 ou B.1.351, é muito difícil, mas a OMS simplificará as coisas utilizando letras gregas.

A ideia é ter nomes “fáceis de pronunciar e lembrar”, mas também evitar que o público em geral e a imprensa usem nomes que “estigmatizem e discriminem”, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em nota.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os ataques contra pessoas de origem asiática aumentaram e Donald Trump, que foi presidente durante o primeiro ano da pandemia, fez todo o possível para acusar a China, onde a covid-19 foi detectada pela primeira vez.

Trump às vezes se referia ao vírus chinês ou “Kung Flu” (trocadilho com Kung Fu e ‘flu’, que significa gripe). Os nomes científicos continuam a existir, pois fornecem dados úteis aos especialistas, mas a OMS não os usará em sua comunicação diária.

Desta forma, a variante B.1.1.7, previamente identificada no Reino Unido, foi denominada Alpha, B.1.351, identificada pela primeira vez na África do Sul, tornou-se Beta; e a variante P.1, detectada no Brasil, Gamma.

A OMS também deu dois nomes diferentes às subvariantes de B.1.617 que devastaram a Índia e se espalharam para outros países: B.1.617.2 foi chamado de Delta e B.1.617.1 de Kappa.