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Pandemia ainda assusta

Os estados brasileiros apresentam situações diversas no quadro de casos e óbitos causados pela Covid-19 desde o ano passado. Em um país de dimensões continentais, com mais de 200 milhões de habitantes, as diferenças são esperadas. Os estados mais populosos do Sudeste continuam concentrando a maior parte das contaminações e mortes, mas a escalada de casos em regiões pobres, como o Norte e o Nordeste, continua sendo um temor das autoridades sanitárias. A ampliação da oferta de vacinas é uma prioridade para impedir o avanço pandêmico, e é por isso que governadores nordestinos buscaram a aquisição do imunizante russo Sputnik V, como alternativa para elevar o acesso da população à defesa contra a Covid.

Em Pernambuco, apesar do esforço do governo estadual direcionado à abertura de novos leitos de terapia intensiva, a curva de contaminações está atingindo nível recorde, assustando médicos e equipes de saúde. Estamos chegando aos 500 mil casos registrados oficialmente, com um acréscimo que passa de 4 mil notificações confirmadas por dia, o que pode ser um índice sintomático de descontrole para o sistema de atendimento disponível, incluindo a oferta de UTI. O governador Paulo Câmara prorrogou as medidas restritivas em vigor atualmente até o próximo dia 13, e seguem suspensas, até o dia 20, as cirurgias eletivas e os procedimentos que precisem de internação hospitalar, mas que possam ser adiados – porque não há vagas. A medida vale para as redes pública e privada de hospitais, com a manutenção de cirurgias e procedimentos urgentes, sem relação com a pandemia.

O alto patamar de infecções diárias impõe um desafio adicional aos profissionais de saúde, e também para os gestores da crise em que ainda estamos atolados. Mais de 15 meses após o início de tudo, o que pode ser dito ou feito de outra forma, a fim de gerar melhor compreensão pela população? A maneira de se evitar o contágio é bem conhecida, mas infelizmente não é uniformemente praticada – e é nessas brechas de comportamento que o coronavírus se espalha. O vetor da peste somos nós, seres humanos, agindo como mosquitos da dengue, na comparação do médico Sérgio Gondim, em artigo que publicamos na semana passada no JC. Apenas a redução da circulação das pessoas, além da vacinação em massa, é capaz de conter o ritmo veloz de distribuição da doença.

A aceleração da Covid em Pernambuco vai na direção contrária da tendência de estabilidade e queda no País, apesar de os números nacionais continuarem elevados. As medidas restritivas adotadas não se mostram suficientes para reduzir as internações, e a ocupação dos leitos de enfermaria e de UTI ultrapassa o limite de capacidade de atendimento. Sem vacinas para a maioria da população, nem o respeito ao distanciamento social necessário para deter o vírus, o que nos reserva a pandemia nos próximos meses? No que cabe à responsabilidade coletiva, o risco crescente é uma escolha, mesmo para o decisor que se nega a decidir.