Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Médicos explicam remédio para Alzheimer

O Aducanumab foi aprovado na semana passada, pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos

Um novo medicamento para Doença de Alzheimer (DA), o Aducanumab, representou esperança para pacientes e familiares que convivem com a enfermidade. Pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE) explicam sobre os processos necessários para comprovar as evidências da eficácia do remédio. O Aducanumab foi aprovado na semana passada pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos (EUA). No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não autorizou o uso do remédio.

“É a primeira droga para DA em aproximadamente 20 anos, por isso é natural que gere expectativa nos pacientes e suas famílias, até porque ela abre uma janela, não para a cura, mas para a melhor qualidade de vida de quem tem a doença em sua fase prodrômica à demência leve”, destaca o neurologista e professor da UPE, Paulo Brito.

A fase prodrômica, segundo o médico, é conhecida como comprometimento cognitivo leve, ainda com diagnóstico controvertido quando a causa do problema é a DA. A pesquisa dos Estados Unidos – a qual teve a participação de Paulo Brito, entre outros especialistas no Brasil, no início do estudo – foi realizada até a fase 3 com o objetivo de retardar a progressão da doença. Mas ele adianta a necessidade de se entrar na fase 4 das avaliações.

“É necessário que haja a fase 4 do estudo, farmacovigilância. Nesse ponto é que se vai comprovar se há, a longo prazo, a melhora cognitiva ou diminuição da progressão da doença, bem como, possíveis reações ao novo medicamento”, explica.

Para a neurologista e também professora da UPE, Carolina Cunha, é preciso maior tempo de observação dos benefícios do Aducanumab. “Quando a pesquisa científica identifica possíveis alvos terapêuticos nas doenças neurodegenerativas, há uma expectativa positiva. Entretanto, os resultados dos benefícios a longo prazo ainda precisam de maior tempo de observação. Também é importante lembrar que a autorização de todo novo fármaco no Brasil requer análise e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária”, alertou Cunha.

A empresária autônoma Nazaré Caldas, 57 anos, é umas das pessoas que vivencia a realidade do Alzheimer na família. Sua mãe, Laura Duarte, 75, descobriu que tem o problema há três anos. A notícia do novo remédio deixou Nazaré feliz mesmo sabendo que não servirá para sua mãe. “Essa notícia me deu uma sensação tão boa porque existe uma esperança de tratamento para essa doença tão cruel. O remédio não servirá para a minha mãe que já está num estágio avançado da doença. Ela, está com dificuldade para andar, não reconhece mais ninguém”, conta. O ‘ninguém’ que Nazaré fala a inclui. “Eu digo: mãe, você me pariu, sou sua filha, me dá um abraço. Ela me olha e sorri sem entender”, relata a filha.

DOENÇA
Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que se manifesta pela deterioração cognitiva, comprometimento progressivo das atividades diárias e diversos sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. Pode acometer pessoas a partir dos 50 anos, não tem cura e tratamento paliativo.

As formas da doença se dividem em fase leve, nesse caso o paciente precisa ser supervisionado; fase moderada, apresenta dependência e leves sinais de delírio. Na fase severa, o paciente apresenta-se dependente e com incontinência urinária. Quando atinge a fase profunda, o doente não consegue se comunicar, não tem autonomia e nem independência. E, por fim, a fase terminal, quando a pessoa encontra-se restrito ao leito, alimentando-se por sonda, duplo relaxamento de esfíncter e abulia cognitiva (não reage a nada, nem mesmo a dor de uma fratura).

O sintoma mais característico é a perda da memória recente em 70% dos casos. Com a progressão, vão aparecendo outros sinais como falha na linguagem e desorientação espacial.