Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

A importância da segunda dose

O Brasil está aplicando, atualmente, quatro vacinas contra a covid-19. Três fabricantes, recomendam,
no entanto, que a população tome duas doses, em tempos distintos, para que a imunização seja completa. Por isso,
como orientam os especialistas em todo o mundo, é preciso que cada um faça sua parte. O secretário de Saúde de
Pernambuco, André Longo, fez um apelo, na última sexta-feira, para que aqueles que já tomaram a primeira dose voltem aos postos de vacinação para receber a segunda aplicação contra a doença.


“A gente tem que insistir muito fortemente nisso. Precisamos que todos se atentem a tomar a segunda dose. Esse é um apelo que a saúde pública faz. Tanto de CoronaVac, quanto de Astrazeneca, como de Pfizer. Faça a sua parte para a gente conseguir ter o controle do vírus”, declarou. Dos imunizantes distribuídos no Estado, apenas o da Janssen é de dose única; ou seja, quem recebeu o da CoronaVac/Butantan, Astrazeneca/ Fiocruz ou o da Pfizer/Biontech precisa do reforço para completar a proteção.


“A primeira dose é o primeiro contato que o organismo tem com os componentes virais, quando se forma um tipo de resposta imunológica. Com a dose de reforço, haverá a mobilização de outras células da imunidade, inclusive as de memória. As duas doses são fundamentais para que haja o desenvolvimento de uma resposta imunológica eficiente contra o vírus. Está até se verificando a necessidade de uma terceira dose, mas ainda não foi confirmada”, explicou a infectologista Vera Magalhães.


Até sexta-feira, Pernambuco havia aplicado 4.290.371 doses dos imunizantes. Desse total, 3.153.659 foram da primeira
dose; e 1.136.712 a segunda. Outras 51.553 doses únicas também foram aplicadas. Apenas 15,65% da população que vive no Estado teve o que é chamado de cobertura completa.


Em relação à CoronaVac, o Instituto Butantan explica que a proteção acontece, em geral, duas semanas após a segunda dose da vacina, “pois esse é o tempo que nosso o sistema leva para criar anticorpos neutralizantes, que barram a entrada do vírus nas células”. A Fiocruz afirma que, apesar da primeira dose Astrazeneca
já conferir altos níveis de proteção, com 76% de eficácia, o reforço, feito com três meses, faz com que a segurança cresça para 82%.


Já a Pfizer afirma que, embora estudos demonstrem que há proteção parcial após cerca de 12 dias da primeira dose,“são necessárias duas doses da vacina para que o potencial máximo de proteção contra a
doença seja atingido”. Elas devem ser tomadas em um intervalo maior ou igual a 21 dias.


A vacina da Janssen é a única que tem eficácia comprovada com apenas uma dose. Ela registrou eficácia de
76,7% após 14 dias e 85,4% depois de 28 dias para casos graves. Apesar da queda nos
indicadores da pandemia da covid-19 em Pernambuco, nas últimas semanas, especialistas reforçam que a população precisa manter os cuidados preventivos.

Em pronunciamento, na última sexta-feira, o secretário estadual de saúde, André Longo, disse que o Estado
apresenta “um cenário epidemiológico em evolução positiva”. “Registramos 1.093
casos de srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) na semana epidemiológica 25, representando uma redução
de 23% na comparação com a 24, e de 63% quando comparamos com 15 dias.”


Monitoramento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) demonstra que, de
fato, Pernambuco tem tido uma evolução nos dados da covid-19, principalmente em relação à ocupação de UTIs, saindo da “zona de alerta crítico” para a de “alerta intermediário” no período entre 21 e 28 de junho.


Para o epidemiologista Rafael Moreira, isso se deve ao avanço da vacinação e às últimas restrições feitas entre maio e junho no Estado. “A vacinação vem avançando em boa parte da população idosa, que é o grupo mais vulnerável, e também em outros públicos, como profissionais de saúde, linha de frente e segurança pública. Associada a isso,
tem as medidas anteriores que observamos e que podem ter como reflexo a redução dos óbitos.”


Entretanto, ele alertou que ainda há alta taxa de transmissibilidade do vírus, o que pode ser explicada pela rotação de novas variantes. “As medidas como a manutenção de distanciamento social e uso de máscara em ambientes públicos devem ser continuadas, porque a transmissão ainda está em um patamar muito elevado.”


O cientista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Instituto de Reduções de Riscos e Desastres em Pernambuco (IRRD) Jones Albuquerque também chama atenção para o ainda elevado ‘Risco Pernambuco’, que está com taxa de ataque de 237 por 100 mil habitantes, quando a ideal para apontar uma queda seria em 50 por
100 mil habitantes.


“Quando a Organização Mundial de Saúde decreta pandemia, não depende mais só de você, mas dos seus vizinhos cidades e países com alguma ligação. Então, se algum desses locais está com aumento de casos, é esperado, pelo mecanismo de prevenção, também sermos tracionados com um aumento. Por isso, mesmo com casos baixos aqui, nosso indicador é de risco altíssimo”, avaliou.