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Fiocruz volta a esperar IFA para vacinas

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou, nesse domingo (4), que aguarda remessas de ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da Índia para o Brasil. A fundação ainda espera a confirmação do voo que trará o IFA ao Brasil para divulgar a data e o quantitativo de insumo. De acordo com a Fiocruz, cada remessa de IFA contém insumo, em geral, para a produção de 5 milhões a 6 milhões de doses de vacina.

No último dia 1º, a Fiocruz anunciou ter assumido com a AstraZeneca novo compromisso para aquisição de IFA adicional suficiente para a produção de mais 20 milhões de doses da vacina contra a covid-19. A Fiocruz informou também que assinou com a farmacêutica contrato para aquisição de IFA adicional para produzir cerca de 50 milhões de doses, que farão parte das entregas do segundo semestre, juntamente com a produção nacional.

“Com o novo compromisso, a Fiocruz poderá então produzir 70 milhões de doses adicionais ao longo do segundo semestre, adicionalmente às doses que serão produzidas com o IFA produzido no Brasil”, informou a fundação.

Segundo o cronograma divulgado anteriormente pela Fiocruz, as remessas estavam previstas para agosto e setembro. O compromisso firmado com a AstraZeneca estabelecia que “as novas remessas de IFA para a produção de 20 milhões de doses têm previsão de serem enviadas ao longo dos meses de agosto e setembro”.

Isso garantiria uma “produção contínua no segundo semestre”, eliminando risco de interrupção por falta de insumo, disse a fundação. Os demais lotes, necessários para a produção das 50 milhões de doses restantes, serão enviados nos meses seguintes, de outubro a dezembro.

No total, já foram entregues 65,9 milhões de doses da vacina AstraZeenca ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), incluindo 4 milhões de doses prontas da vacina do Instituto Serum, da Índia. Com o IFA disponível na fundação, estão garantidas entregas semanais até o dia 23 de julho.

Dois principais imunizantes sendo aplicados no Brasil, a AstraZeneca e a CoronaVac tiveram inúmeros problemas de atrasos e, até, de interrupção da produção nacional por causa da falta de IFA para a Fiocruz e o Instituto Butantan. Enquanto isso, a demora para proteger toda a população tira a paz dos mais jovens.

Insônia, ranger de dentes e dificuldades de concentração são os sintomas dos não imunizados. Jozienne Moura, de 22 anos, continua à espera. Quando São Paulo abriu o cadastro da “xepa” para os jovens, ela não pensou duas vezes. O tamanho do bloco de notas da enfermeira com os nomes dos interessados assustou, mas a jovem mantém a esperança. “Quero voltar a viver, buscar emprego”, diz ela, que não vê o pai há dois anos e se fechou em casa desde março de 2020 para se proteger e proteger a mãe.

“Não está tão distante, mas parece”, reclama a servidora pública Amanda Guiomarino, de 32 anos. Em Belém, onde mora, a fila até andou há duas semanas. “Agora, chamam a conta-gotas e isso tem um efeito que… meu Deus”, diz, sem conseguir completar a frase “Mexe com a ansiedade. Me vejo rangendo dentes e querendo doce.”

Coronavírus se replica nas glândulas salivares

Estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o novo coronavírus (Sars-CoV-2), causador da covid-19, infecta e se replica em células das glândulas salivares. Os resultados da pesquisa foram publicados no Journal of Pathology.

O estudo constatou, por meio de análises de amostras de glândulas salivares, obtidas na autópsia de pacientes que morreram em decorrência de complicações da covid-19, que os tecidos especializados na produção e secreção de saliva funcionam como “reservatórios” do novo coronavírus.

“É o primeiro relato de vírus respiratório capaz de infectar e se replicar nas glândulas salivares. Até então, acreditava-se que apenas vírus causadores de doenças com prevalência muito alta, como o da herpes, usavam as glândulas salivares como reservatório. Isso pode ajudar a explicar por que o SARS-CoV-2 é tão infeccioso”, disse o pesquisador Bruno Fernandes Matuck, doutorando na Faculdade de Odontologia da USP.

As biópsias foram guiadas por ultrassom em 24 pacientes que morreram em decorrência da covid-19, com idade média de 53 anos, para extração de amostras de tecidos das glândulas parótida, submandibular e menores. O material foi submetido a análises moleculares para identificar a presença do vírus. De acordo com a pesquisa, os resultados indicaram a presença do vírus em mais de dois terços das amostras.

“Observamos vários vírus aglomerados nas células das glândulas salivares, um indicativo de que estão se replicando em seu interior. Não estavam presentes nessas células passivamente”, disse Matuck.

A partir dos resultados do estudo, os pesquisadores pretendem avaliar, agora, se a boca pode ser uma porta de entrada direta do novo coronavírus nos humanos.