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Bactéria pode interromper proliferação de arboviroses

Foi aberta em Petrolina a primeira biofábrica no NE especializada em liberar mosquitos com o micro-organismo Wolbachia, que impede a transmissão

Um método que combate a dengue, o zika vírus e a febre chikungunya através do uso de uma bactéria será aplicado no Sertão de Pernambuco. Foi inaugurada ontem, em Petrolina, a primeira biofábrica do Nordeste especializada na liberação de mosquitos vetores do micro-organismo Wolbachia, que impede a transmissão do vírus.

A bactéria está presente em cerca de 60% dos insetos de modo geral, inclusive alguns mosquitos, mas não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti. A estratégia é que os mosquitos liberados pela biofábrica se reproduzam com os demais até que não haja mais indivíduos sem a Wolbachia. O método foi criado pelo World Mosquito Program (WMP), que é conduzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio financeiro do Ministério da Saúde.

Para Jorge Costa, assessor da Vice-presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, o projeto é de suma importância para a saúde pública no Brasil. “Este método foi trazido pela Fundação em parceria com uma instituição australiana. Em todos os municípios onde houve a dispensação dos mosquitos ou dos ovos, foi verificada diminuição significativa dos indicadores de arboviroses. Essa biofábrica, para mim, é a representatividade perfeita do SUS, onde tem esforços tripartite, dos governos federal, estadual e municipal”, destacou.

Trabalho de campo

O diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Petrolina, Acácio Andrade, destacou a participação do município. “Este trabalho já está sendo desenvolvido junto aos agentes de endemias. Temos 12 profissionais atuando com a equipe da Wolbachia aqui em Petrolina. Estamos em campo fazendo as instalações e seguiremos assim pelas demais semanas. Os bairros escolhidos para a implantação contam com casos confirmados de alguma doença ocasionada pelo Aedes aegypti”, concluiu Acácio.

Segundo o WMP, o método é ambientalmente amigável. “Nossos experimentos em laboratório identificaram que a Wolbachia, que é intracelular, não pode ser transmitida para humanos ou outros mamíferos. Somado a isto, já temos a bactéria presente naturalmente em outras espécies de artrópodes. Ou seja, ao estabelecermos uma população de Aedes aegypti com Wolbachia, não haverá alteração significativa nos sistemas ecológicos”, explica a instituição.