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Estado desmobiliza leitos de covid-19

Com a queda dos indicadores da pandemia de covid-19 em Pernambuco e da desaceleração de casos da doença (inclusive os quadros mais graves, que exigem internamento) Pernambuco desativou 712 leitos hospitalares voltados exclusivamente a pessoas com sintomas da infecção pelo coronavírus. Entre eles, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foram desmobilizadas 503 vagas de terapia intensiva (UTI) e 209 de enfermaria.


Com o avanço da variante delta, detectada inicialmente na Índia, surge a preocupação com um provável aumento no número de casos da covid-19 e, consequentemente, necessidade de reabertura de leitos para quadros da doença. Questionado sobre o plano para possível nova ativação dessas vagas, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, destacou que o plano de convivência com a covid-19 prevê o desbloqueio e reconversão de leitos, se necessário.

“Atualmente temos que observar para os Estados onde a delta está predominando. É o caso do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Goiás e do Distrito Federal, que já anunciaram circulação comunitária da delta. Com esse olhar, analisaremos qual será o impacto sob o sistema de saúde”, disse Longo, em coletiva de imprensa na úl- tima quinta-feira (5).


Ele explicou que o cenário epidemiológico atual, de desaceleração da pandemia no Estado, faz com que o governo seja “indiscutivelmente cobrado” para dar assistência a pacientes com doenças que ficaram sem atendimento durante a pandemia. “Então, nossa responsabilidade hoje é converter pelo menos aqueles leitos que eram dedicados a outras patologias e foram mobilizados para atender covid-19. Por outro lado, as taxas de ocupação muito baixas deixam as equipes de saúde ociosas, e o custo é muito elevado para manutenção delas, sem atender pacientes por causa dessa ociosidade.”


O secretário frisou que o governo tem trabalhado para balancear esse processo (oferta de leitos covid e não
covid). “Mas, com certeza, temos que ter um plano de contingência para um possível recrudescimento da pandemia. Não imaginamos que esse aumento, gerando impacto no sistema de saúde, seja igual ao que ocorreu com a predominância da P1 (a variante gama que detectada, no Estado, pela primeira vez, em fevereiro deste ano)”, salienta Longo.


“Naquele momento (primeiro trimestre), com a P1, o número de pessoas imunizadas era muito menor, com a pri-
meira ou a segunda dose.” Ainda durante a coletiva de imprensa, o secretário disse observar, em outros países com circulação da delta, principalmente naqueles com maior percentual de pessoas vacinadas, um impacto de menor inten- sidade no sistema de saúde, diferentemente do que ocorreu na segunda onda de covid-19. “O número de casos aumenta, e há especialistas que dizem que o grande monitoramento a ser feito hoje deve se voltar para (o volume) de solicitações de leitos e ocupação da rede. E certamente estamos com esse olhar voltado para a possiblidade de uma necessidade de retorno de vagas de UTI e enfermaria. Estamos caminhando porque precisamos caminhar; temos sobrecarga nas nossas emergências que precisa ser vista”, sublinhou Longo, a fim de esclarecer de que forma os leitos de covid-19 desativados estão sendo convertidos para o tratamento de outras doenças.

BALANÇO
Pernambuco confirmou ontem 690 casos da covid-19. Entre eles, 77 (11%) são casos graves e 613 (89%) leves.
Agora, o Estado totaliza 594.796 registros de pessoas que já foram infectadas pelo coronavírus, sendo 52.469 que tiveram a forma grave da doença e outros 542.327 apresentaram sintomas leves. Também ontem foram confirmados laboratorialmente 26 novos óbitos (14 mulheres e 12 homens), ocorridos entre os dias 19 de outubro do ano
passado e o último dia 5 deste mês.

As novas mortes são de pessoas residentes dos municípios de Cabo de Santo Agostinho (3), Jaboatão dos Guararapes (1), Jurema (1), Olinda (1), Palmares (1), Paulista (7), Petrolina (3), Recife (8) e São Benedito do Sul (1). Com
isso, o Estado totaliza 18.967 mortes em decorrência de complicações da doença.

Gama é dominante em PE

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) recebeu, na tarde desta sexta-feira (6), mais uma rodada de sequenciamentos genéticos de amostras biológicas de pacientes que tiveram covid-19. De acordo com o trabalho feito pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM, unidade da Fiocruz em Pernambuco), das 176 amostras estudadas, 174 (98,8%) tinham a presença da variante gama, ratificando mais uma vez a sua prevalência em território pernambucano.

As coletas são de pacientes de 62 municípios e foram realizadas entre os meses de maio e julho deste ano. s outras duas amostras eram de tripulantes filipinos do navio cargueiro Shoveler, de bandeira do Chipre, que já não está mais no Estado. Em ambas, foi detectada a variante delta. Uma delas foi do paciente de 50 anos que foi a óbito no dia 18 de julho. A outra foi de um tripulante de 22 anos que permaneceu na embarcação e evoluiu para cura. Com isso, o Estado totaliza cinco casos importados da variante delta, todos relacionadas aos tripulantes dessa embarcação.


“Com esses novos sequenciamentos, chegamos a quase mil amostras analisadas tanto no Aggeu Magalhães
quanto no Lika (Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami, da Universidade Federal de Pernambuco).
Desde o início, a variante gama vem se mostrando a mais presente, confirmando a sua predominante circulação.
Também é importante reforçar que todos os casos da variante delta são importados, relacionados a tripulantes filipinos de um único navio cargueiro”, diz o secretário Estadual de Saúde, André Longo.


Ele ressalta que, até o momento, não foi identificada infecção ocorrida em paciente
pernambucano. “Vamos manter a periodicidade das análises junto ao Aggeu Magalhães, nesta importante parceria para monitoramento das variantes em circulação em Pernambuco, essencial para a tomada de decisões no enfrentamento à pandemia”, afirma Longo.


Apesar de não ter encontrado caso de delta de ocorrência no Estado, o secretário mantém o alerta. “Outros Estados
brasileiros já confirmaram casos da variante, conhecida por ter maior poder de contágio. Por isso, precisamos intensificar a vacinação daqueles que já estão sendo contemplados pelos municípios, a busca pela segunda dose por aqueles que estão no tempo preconizado e também a manutenção de todas as medidas não farmacológicas, como o uso constante e correto da máscara e a higienização das mãos”, finaliza Longo