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Terceira dose amplia resposta

A Sinovac anunciou, ontem, os resultados de dois estudos que apontaram para a eficácia de uma terceira dose da vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa contra o coronavírus, conhecida como Coronavac.

Uma das pesquisas, conduzida na China, analisou o uso do imunizante em adultos saudáveis entre 18 e 59 anos.

De acordo com os testes, a aplicação de uma terceira dose de 6 a 8 meses após a segunda induziu uma “forte resposta imunológica”, com o nível de anticorpos neutralizantes até cinco vezes maior que após a segunda injeção.

O outro ensaio concluiu que uma terceira dose será necessária para adultos de 60 anos ou mais. Segundo os resultados, essa dose de reforço pode levar a um aumento significativo dos anticorpos neutralizantes.

“Os números de anticorpos neutralizantes diminuíram substancialmente seis meses após duas doses de CoronaVac entre adultos mais velhos. Uma dose de reforço induz rapidamente respostas imunológicas robustas. Essa evidência pode ajudar os formuladores de políticas a determinar a necessidade e o momento de uma dose de reforço para adultos mais velhos”, conclui o estudo, que ainda não foi certificado pela revisão por pares.

PROJETOS

Chega a uma nova etapa o Projeto S, ensaio clínico que investigou a efetividade da vacinação no controle da pandemia de covid-19 e na transmissão do coronavírus no município paulista de Serrana. A pesquisa, que foi iniciada no último 24 de julho, com a coleta de amostras de sangue dos voluntários, vai investigar a imunidade de longo prazo gerada pela CoronaVac. Ela se estenderá até meados do ano que vem com ciclos trimestrais em outubro de 2021, janeiro e abril de 2022.

É um longo processo, mas necessário, já que ainda não há certezas sobre a imunidade propiciada pelas vacinas no longo prazo. “A gente não tem consenso na literatura de como funciona o coronavírus, de quanto dura, se terá uma vacina todo ano, se não vai. Por isso, essa pesquisa é importante”, salienta o médico Gustavo Volpe, do Hospital Estadual de Serrana e investigador principal do novo ciclo do Projeto S.

Cada ciclo vai durar quatro dias e envolverá a coleta de sangue dos voluntários. Ao analisar as amostras, o Butantan poderá observar a evolução da resposta imune, especialmente na população idosa. O primeiro ciclo da pesquisa, iniciado agora, acontece três meses após a vacinação da população de Serrana. A imunização coletiva da primeira etapa do Projeto S mostrou que a CoronaVac tem efetividade de 80% contra casos sintomáticos, 86% contra internações e 95% contra mortes por covid-19.

“A gente relaciona imunidade com produção de anticorpo, mas a imunidade celular tem um papel importante na resposta ao coronavírus. Essa avaliação é bastante difícil de medir. É preciso ver a atividade celular, ou seja, medir a atividade metabólica, testar a expressão de alguns tipos de receptores nas células”, revela Gustavo Volpe.

País terá mais secas e enchentes

Com o avanço do aquecimento global, o Brasil deve sofrer com eventos climáticos extremos mais frequentes, como estiagens no Nordeste e no Centro-Oeste e enchentes em cidades do Sudeste. São possíveis ainda efeitos negativos na economia, como forte queda da produção agrícola. É o que indica o novo relatório do Painel Intergovernamental sobre o Clima da ONU (IPCC), apresentado ontem, na análise para as Américas do Sul e Central

Conforme o IPCC, os efeitos para o Sudeste, onde os aumentos nas precipitações média e extrema são observados desde a década de 1960, virão com ainda mais tempestades. Na região mais populosa do Brasil, cidades já castigadas todos os anos pelas chuvas, como São Paulo, Rio e Belo Horizonte, devem enfrentar o problema com mais intensidade e frequência, e haverá crescimento de inundações.

Com grandes porcentuais de impermeabilização de seus solos, as cidades são consideradas “hotspots” do aquecimento global, normalmente mais quentes que as áreas em redor. Essas mudanças, projetadas para um aumento médio de 2ºC, serão acompanhadas das elevações de emissões de gases de efeito estufa, aerossóis e destruição da camada de ozônio.

O mesmo processo deverá ocorrer no Nordeste, com um agravante: a região terá aumento das inundações causadas por tempestades, mas também sofrerá com secas mais longas. Entre 2012 e 2017, a mais longa estiagem já registrada afetou os Estados nordestinos. Foram seis anos com chuvas abaixo da média, já a mais baixa do País.

E os problemas apontados pelo IPCC não param por ai. Na região central do continente, sob influência climática da chamada Monção Sul-americana, que sofrerá forte alteração em seu comportamento, as projeções apontam para o aumento das secas em meados do século 21, o que afeta a Região Centro-Oeste do Brasil Essa mudança atingirá também a produção agrícola, um dos principais motores da economia brasileira. Cenários com a maior frequência de incêndios e desertificação são também considerados de alta probabilidade.

Vale ressaltar que o Cerrado desempenha papel essencial no apoio ao ciclo da água no Brasil, uma vez que é fonte de 8 das 12 bacias hidrográficas do País. O desmatamento contínuo reduz as chuvas e aumenta as temperaturas locais, colocando também em risco a vegetação remanescente e a produção de alimentos. Em 2020, por exemplo, a estiagem atrapalhou o início do plantio de soja. Neste ano, o País vive estiagem histórica, que põe no horizonte o risco de racionamento energético.

O aumento do nível do oceano ameaça a costa brasileira. De acordo com o IPCC, em comparação com o nível médio global do mar, nas últimas três décadas o nível relativo aumentou mais no Atlântico Sul e no Atlântico Norte.

O relatório considera ser “extremamente provável que o aumento do nível do mar relativo continue nos oceanos ao redor da América Central e do Sul, contribuindo para o aumento das inundações costeiras em áreas baixas e recuo da costa ao longo da maioria costas arenosas.

O Ministério do Meio Ambiente disse que “o compromisso brasileiro é uma meta porcentual de redução de emissões frente ao ano base de 2005 e, por ser de longo prazo, não foi e não deve ser alterada”. “Ela é uma das mais ambiciosas entre os países em desenvolvimento.” Já o Ministério da Agricultura considerou que “o documento traz cenários preocupantes de mudanças do clima, evidenciando ainda mais a vulnerabilidade do setor” e falou em “prejuízos incalculáveis”.