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A luta para salvar vidas continua, 30 anos depois

Trinta anos e meio se passaram desde que um ato de esperança e avanço na medicina se concretizou em Pernambuco, quando o primeiro transplante de coração foi feito no estado, em janeiro de 1991. A cirurgia foi realizada no Recife pelo médico Carlos Roberto Ribeiro de Moraes que, em seguida, fundou o Instituto do Coração de Pernambuco, no Hospital Português. O cirurgião será homenageado hoje, pelo Conselho Regional de Medicina.

“Foi uma cirurgia muito emocionante porque, apesar de não ser um procedimento tecnicamente difícil, não deixa de ser um momento comovente, sobretudo em um dos primeiros casos. Essa operação foi a conclusão de dois anos de preparo. Eu precisei enviar uma médica para o Instituto do Coração em São Paulo. O cirurgião-assistente foi para Cambridge, na Inglaterra. Um outro cirurgião ficou encarregado pela busca do doador. Em um transplante cardíaco, o mais importante não é a operação em si, é você manter o paciente vivo depois. O que me deixa mais feliz é que, ao longo desses 30 anos, não deixamos de realizar transplantes nem um dia sequer”, afirmou.

Ao longo dessas três décadas,  a equipe de Moraes realizou 281 transplantes de coração, a maioria no Hospital Português. Em 2012, o programa foi estendido ao Imip. De acordo com o médico, problemas pré-existentes de saúde podem resultar na necessidade de um transplante. “O que leva um paciente a precisar de um transplante é a insuficiência cardíaca. A doença de Chagas, a dengue e a Covid-19 são alguns exemplos. No momento em que a insuficiência se torna intratável é que o paciente entra na lista de espera de doações. Quando surge a necessidade de um transplante é porque o paciente tem a expectativa de vida reduzida para seis meses”, informou.

No início da pandemia, Pernambuco registrou uma queda no número de procedimentos de coração. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (SES), no ano passado 24 transplantes foram realizados, sendo apenas oito no primeiro semestre. Ainda segundo a pasta, em 2021 a situação foi revertida: 16 transplantes foram concluídos no mesmo período do ano, ou seja, o dobro das operações. No entanto, a fila de espera conta com 17 pacientes.

“Tivemos uma queda no ano passado de quase 50% dos transplantes no estado e isso impactou na vida das pessoas que aguardam uma doação. Este ano, com a chegada da vacina, os protocolos e as testagens dos pacientes, a expectativa é de que a situação melhore. É importante fazer um exercício e se perguntar ‘o que é precisar de um transplante? ’, porque quem precisa não são pessoas com doenças raras. Qualquer um pode necessitar de uma doação. É preciso se imaginar no lugar dessas pessoas. As famílias contam com esse ato de solidariedade e de amor ao próximo na sua maior essência”, relata a coordenadora da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), Noemy Gomes.

INFORMAÇÃO

“Antes de ser um doador é importante se informar, avisar para a família o seu desejo. O nosso principal desafio é fazer com que cada unidade hospitalar de Pernambuco possa ofertar para as famílias o direito de ser doador. Nós estamos ampliando essas ações como projeto institucional e tudo isso na base da conversa, com uma troca de confiança”, conclui Noemy.

De acordo com a SES, entre janeiro e junho deste ano, foram realizados 616 transplantes de órgãos e tecidos em Pernambuco, um aumento de 423 operações quando comparado ao mesmo período do ano anterior. A fila de espera, contudo, possui 1.936 pacientes, sendo 1.150 aguardando um rim, 583 córnea, 121 fígado, 44 medula óssea, 21 rim/pâncreas e 17 coração. Ainda segundo a secretaria, nos primeiros seis meses de 2021 foram realizados 309 transplantes de córnea, 122 de rim, 111 de medula óssea, 54 de fígado, 16 de coração, 3 de válvula cardíaca e 1 de fígado/rim, totalizando 616.