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Quase duzentos mil testes da covid-19 começam a ser distribuídos nesta quinta (19) em Pernambuco. Veja detalhes sobre Programa TestaPE

O Governo de Pernambuco anunciou que, a partir desta quinta-feira (19), 194.650 dos mais de 1 milhão testes de antígeno previstos pelo Programa TestaPE começarão a ser distribuídos aos municípios. A iniciativa, lançada em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (18), tem o aporte de R$ 7.6 milhões e o objetivo de testar 10% da população do estado até 28 de fevereiro de 2022, para rastrear e isolar casos ativos da covid-19.

Cada município receberá na primeira etapa o quantitativo de testes correspondente a 2% de sua população residente. Durante todo o programa, que deve durar seis meses, o percentual deve chegar a 10%.

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que caberá aos municípios a organização da logística para testar a população a partir de três eixos: na porta de entrada da rede de saúde (unidades básicas de saúde, policlínicas e as Unidades de Pronto Atendimento); nos locais com grande circulação de pessoas, como os terminais integrados de ônibus e estações de metrô; e nos serviços do setor público e privado, através de parcerias com instituições do  terceiro setor.

Assim como o RT-PCR, o teste rápido de antígeno também é feito com a coleta de material biológico da nasofaringe (nariz e garganta) do paciente, com swab nasal. Entretanto, não é preciso levar ao laboratório ou utilizar equipamentos complexos para saber o resultado, que sai em aproximadamente 30 minutos. A indicação da SES-PE é que o exame seja feito em até dez dias após o início dos sintomas, com preferência entre o quinto e o sétimo dia. Assim como os testes moleculares de RT-PCR, o de antígeno também detecta a doença em sua fase aguda, quando a infecção está ativa e há maior risco de transmissão.

No evento de lançamento do programa, compareceram o governador Paulo Câmara (PSB); o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo; o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), José Patriota; o presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Pernambuco (COSEMS-PE), José Edson; além da secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque.

“Esses testes chegam justamente pra dar agilidade no diagnóstico e para que todas as medidas necessárias sejam tomadas. Adquirimos mais de um milhão de testes de antígeno para Covid-19, que serão distribuídos a todos os municípios pernambucanos. Queremos, nos próximos meses, ter condição de diminuir a circulação do vírus em Pernambuco a partir da identificação”, afirmou Paulo Câmara.

André Longo afirmou que os testes darão maior celeridade à assistência aos pacientes com quadro suspeito da Covid-19 em Pernambuco. “Com o uso dos testes de antígenos na rede de saúde, o atendimento aos pacientes que dão entrada nos serviços e têm indicação para internamento será mais ágil, auxiliando na tomada de decisões e encaminhamento do paciente, se necessário, para uma unidade de referência.” 

Calendário de metas

  • 30/09/2021: 1,5% da população testada
  • 31/10/2021: 3% da população testada
  • 30/11/2021: 4,5% da população testada
  • 31/12/2021: 6% da população testada
  • 31/01/2022: 8% da população testada
  • 28/02/2022: 10% da população testada

Testagem em massa era para ter começado antes

Em entrevista à Rádio Jornal, o pesquisador e doutor em biologia Marx Lima afirmou que a testagem em massa irá começar tardiamente. “A gente pode dizer que essa testagem em massa está chegando com, pelo menos, um ano de atraso. Um ano e meio se a gente contar com o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) que foi feito no início do ano passado. Então, a gente está muito atrasado com isso. É importante lembrar que tivemos muitos problemas com a variante Gama, ela causou muito estrago aqui em Pernambuco e matou milhares de pessoas”, afirmou o especialista.

Apesar do atraso, Marx destaca que a testagem em massa ainda se faz importante. Especialmente, com a confirmação da transmissão comunitária da variante Delta. “Testar é sempre importante, não importa o momento. Agora, que a gente está no começo da transmissão da variante Delta, essa testagem vira uma corrida contra o tempo. Isso porque a gente precisa testar as pessoas, isolar os contatos positivos, pegar os contatos dessas pessoas e saber com quem elas estiveram. Então, vira um trabalho de formiguinha”, explica.

Além disso, o especialista enfatiza que os testes adquiridos pelo Governo do Estado não são capazes de detectar o tipo de variante do vírus. Esse processo é mais complicado e demanda um tempo maior. “Outra coisa que é importante dizer é que vai ser disponibilizado pelo Governo, não detecta a variante, ele detecta a presença do vírus. Para detecção da variante, o que tem que ser feito é pegar as pessoas que testaram positivo, usar o material do vírus isolado delas e fazer o sequenciamento genômico. Depois disso, é preciso iniciar uma outra etapa, que é a vigilância genômico. A vigilância genômica é o que permite a gente saber quais são as variantes que estão circulando por aqui e qual a proporção delas”, ressaltou.

Transmissão comunitária da variante Delta

Após anúncio do TestaPE, André Longo informou que que a pasta já acredita haver transmissão comunitária da variante Delta da covid-19 no Estado. Isso porque a secretaria não conseguiu identificar quem teria infectado os dois pernambucanos que positivaram para a cepa – mais transmissível que a original -, que tiveram casos anunciados na última semana. Ainda há sete casos em investigação.

“Investigações epidemiológicas dos dois casos de pernambucanos que anunciamos na semana passada apontam para a circulação em nosso território de forma comunitária, porque não conseguimos identificar os casos que positivaram para a doença antes desses dois pacientes”, disse Longo. “Ainda estamos com toda vigilância atuando tanto nos municípios, quanto em Pernambuco, mas precisamos reforçar os cuidados da população considerando que a pandemia não acabou”.

A propagação de possíveis variantes é uma preocupação, segundo o secretário, inclusive diante as cenas de aglomerações registradas na Região Metropolitana do Recife no último final de semana, noticiadas pleo JC. “Podem colocar em risco as conquistas que são resultados do esforço de todos. Precisamos manter o nível de cuidado”, pediu. Ainda, alertou para a necessidade de completar o esquema vacinal com as duas doses necessárias para todas as vacinas, com exceção da Janssen.

O resultado dos casos da variante Delta veio após sequenciamento genético de amostras de pacientes positivos para a covid-19 foi feita pelo Instituto Aggeu Magalhães (IAM), unidade da Fiocruz em Pernambuco. Das 52 amostras, duas apresentaram a cepa, detectada inicialmente na Índia, em um homem que reside em Olinda, de 49 anos, e outro em Abreu e Lima, de 24 anos. Entre julho e a primeira semana de agosto, o IAM já havia identificado cinco casos da variante delta – todos em tripulantes filipinos que precisaram atracar no Estado para atendimento médico.

Ao responder questionamento sobre eventual necessidade de ampliação de leitos para atender a demanda trazida pela Delta, Longo diz que hoje ainda há uma “margem bastante significativa” na ocupação hospitalar, e que há possibilidade de reconversão de leitos para atender a doença. “É preciso lembrar que também temos outras doenças que neste momento estão necessitando de atenção que, vou botar entre aspas, foram negligenciadas durante a maior atenção para a covid. Precisamos ter um equilíbrio entre a atenção à covid e a outras doenças.”

No boletim dessa terça-feira (17), a SES-PE informou que a ocupação de leitos estaduais para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é de 38%, com pacientes em 41% dos leitos de UTI e em 34% dos de enfermaria. Já na rede privada, a taxa média de ocupação é de 42%, com 52% dos leitos de UTI ocupados e 27% de enfermaria.

Tendência de queda e estabilidade em indicadores

Dados apresentados na coletiva mostraram que a última semana epidemiológica, a 32, apontou estabilidade nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) após quedas sucessivas, mantendo os menores patamares registrados desde o início da pandemia. Já nas solicitações por leitos de UTI, Longo afirma que a tendência de queda permanece.

“Foram 420 casos identificados de SRAG, 21 a mais que a 31. Um aumento de 5%. Quando fazemos uma análise de 15 dias, ainda há uma queda de 17%. A Central de Regulação registrou 330 pedidos de internação nesta última semana, o que representa uma queda de 6% em relação a semana anterior”, disse.

Apesar disso, Longo diz que estes não dão “direito de abrir mão dos cuidados”. “Se quisermos continuar avançando inclusive com novas aberturas no plano de convivência, precisamos reforçar o que é o mantra da saúde em nosso estado: o uso correto da máscara, cobrindo boca e nariz, distanciamento físico sempre que possível e o cumprimento de protocolos em cada uma das atividades que estão sendo abertas, incluindo necessidade de higiene adequada das mãos”, afirmou.