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Trinta anos de renascimentos

A história da medicina parece ter acelerado nas últimas décadas, com a incorporação de tecnologias não invasivas, do uso da robótica e da realidade virtual, dos exames de última geração e da intensa pesquisa biológica que move o mercado farmacêutico. De fato, milhares de vidas podem ser salvas todos os dias no planeta, graças aos avanços científicos e da rotinização de procedimentos que seriam ousados e muito arriscados, anos atrás. O transplante de órgãos está na lista dessa rotina – e nesse campo, o transplante de coração se destaca, figurando como uma das mais importantes conquistas científicas da humanidade.

Em Pernambuco, o marco da primeira cirurgia de transplante do coração completou ontem 30 anos. O pioneirismo do médico Carlos Moraes, agora com 80 anos de idade, e a estrutura do Real Hospital Português (RHP), onde está sua equipe, são reconhecidos na história do tratamento cardíaco e do transplante de órgãos no Brasil. Desde 1991, mais de duas centenas de transplantados de várias faixas etárias tiveram a oportunidade de receber uma nova chance de vida, graças à equipe do médico no RHP. E também graças aos familiares dos doadores, que compreenderam a chance rara e preciosa de o coração de um ente querido continuar batendo em outro organismo, e fazer parte do renascimento de alguém.

O mesmo Carlos Moraes criou em 2012 o programa de transplante cardíaco do Imip, igualmente no Recife, onde foram realizados quase 50 transplantes até 2014, incluindo seis em crianças. Na esteira da evolução científica representada pelo primeiro transplante de coração, a Central de Transplantes de Pernambuco foi criada em 1995, agregando planejamento e organização ao processo que envolve uma fila de espera difícil para os pacientes potenciais e suas famílias. Para fazer um coração deixar de funcionar e voltar a ser o motor da vida em outra pessoa, o procedimento cirúrgico é a última etapa do processo que envolve um seguro e meticuloso protocolo, que requer paciência, esperança e sensibilização, ao depender da aprovação de outra família, ainda sob o susto e a dor da perda, muitas vezes sem nem ter iniciado o rito do luto.

Em Pernambuco, os transplantes de coração passaram a ser feitos em maior número a partir de 2012, chegando a 54 procedimentos no mesmo ano, em 2017. O número caiu para 24 no ano passado, em grande medida por causa da pandemia, e este ano já foram realizados 16, até o mês de junho, de acordo com a Central de Transplantes do Estado. É o melhor desempenho do Nordeste no primeiro semestre de 2021, na unidade da federação que desponta como a terceira do País em transplantes desse tipo. Na região, Pernambuco aparece ainda no topo dos transplantes de rim e medula óssea no primeiro semestre deste ano. Levando-se em conta todos os órgãos, foram feitos 616 transplantes no Estado de janeiro a junho, número 45% superior ao mesmo período do ano passado. Vidas salvas que ganharam, pela doação, a dádiva de continuar.