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Covid-19: Terceira dose da vacina terá que ser para toda a população, diz secretário de Saúde de Pernambuco

A temática da aplicação da terceira dose da vacina contra a covid-19 levanta a discussão sobre os grupos que devem ser priorizados para receber essa dose de reforço. Ao reconhecer que os anticorpos diminuem seis meses após a finalização do esquema vacinal (e isso vale para todos os imunizantes), o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, acredita que toda a população terá que tomar a terceira dose, e não apenas os idosos e pessoas com dificuldades no sistema imunológico (imunossuprimidas). “Isso será inevitável. E é natural que se faça isso de forma decrescente, por faixa etária, e atendendo a públicos vulneráveis e de maior importância dentro do contexto pandêmico”, disse ontem o secretário, em coletiva de imprensa, no Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio, área central do Recife. 

Além disso, o secretário informou que, em Pernambuco, a proposta inicial seguirá o que vem sendo apresentado pelo Ministério da Saúde: aplicar a terceira dose nos idosos. “No Estado, temos a expectativa de vacinar, com a terceira dose, todo o contingente de idosos e imunossuprimidos. Isso dá uma população superior a 1,2 milhões de pessoas, entre idosos acima de 60 anos. Estudos mostram que essa vulnerabilidade (queda mais acentuada dos anticorpos) começaria aos 55 anos. Então, vamos ter que debater isso também.” 

Outro ponto que André Longo defende é a necessidade de aplicar a dose de reforço nos trabalhadores da saúde, que foram os primeiros a tomar a vacina nesta campanha. “É preciso lembrar que eles foram vacinados em janeiro e fevereiro. São muito importantes na linha de frente; vamos aguardar uma posição do Ministério da Saúde em relação a esse grupo. Em Pernambuco, temos a preocupação central com esses profissionais, essenciais na atenção e na assistência às pessoas”, frisou Longo. Na tarde de ontem, ele participou de reunião do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), com a presença do ministro Marcelo Queiroga. “Propus um debate sobre a temporalidade (passados os 6 meses da segunda dose) ser também um critério para o reforço, o que contemplaria os trabalhadores da saúde. Mas a decisão da Câmara Técnica, que assessora o Programa Nacional de Imunizações (PNI), foi iniciar com idosos e imunossuprimidos, dando continuidade aos estudos sobre os demais critérios e grupos”, informou Longo. 

Ontem, em coletiva de imprensa, Marcelo Queiroga afirmou que o imunizante utilizado, na terceira dose, será o da Pfizer. “Vamos fazer com vacina da Pfizer porque ela foi testada em regimes de intercambialidade (uso de diferentes marcas em distintas doses), porque está aprovada na maioria das agências sanitárias do mundo e porque o ministério se programou para adquirir uma quantidade expressiva, que tem chegado em tempo que nos dá segurança”, justificou.

O Ministério da Saúde informou que a aplicação da dose de reforço da vacina contra a covid-19 será iniciada na segunda quinzena de setembro a todos os indivíduos imunossuprimidos após 28 dias da segunda dose e para as pessoas acima de 70 anos vacinados há seis meses. 

GRAVIDADE

Levantamento feito pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) aponta que, no mês de julho, 58% dos registros de casos graves da covid-19 em Pernambuco foram em pessoas não vacinadas e 31,6% eram pacientes que só tomaram uma dose do imunizante, sem completar o esquema vacinal. Os números foram apresentados pelo secretário André Longo durante a coletiva de imprensa.

“Estes dados dão a real dimensão da importância de se vacinar contra a covid-19. A vacinação, com o ciclo completo, é a melhor estratégia para evitarmos casos graves e mortes pelo coronavírus. E, como a vacinação é uma ação de saúde coletiva e nenhum imunizante tem 100% de eficácia, precisamos do maior número de pessoas vacinadas, bem como a manutenção do cuidado, para diminuir a circulação do vírus e garantir proteção a todos”, destacou Longo.

O gestor estadual ainda reforçou a importância da imunização para conter a proliferação da variante delta do coronavírus. “As vacinas contra a covid-19 são seguras e protegem. Se seguirmos as regras sanitárias e avançarmos na vacinação, teremos mais chances de evitar casos graves e óbitos. Com a circulação da variante delta em diversos Estados do País e a confirmação de casos locais em Pernambuco, precisamos reforçar ainda mais a importância da imunização e de finalizar o esquema com as duas doses no tempo preconizado”, completou.

O levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES) foi feito a partir do cruzamento de dois sistemas de informação. O Notifica PE, sistema próprio do Estado, que agrega as notificações dos casos graves pela Covid-19, e o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), que é um ambiente online do Governo Federal com os registros de vacinados. Ao todo, no mês de julho, foram registradas 746 pacientes internados com quadros graves da covid-19 no Estado.