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“É preocupante a situação”, diz secretário sobre baixa adesão de gestantes à vacina contra covid em Pernambuco

JORNAL DO COMMERCIO – O senhor anunciou hoje que o público idoso a partir dos 70 anos superou a meta de vacinação contra covid-19, já considerando o esquema completo, com 92% deles totalmente imunizados. Agora, qual o maior desafio com esse grupo? 

ANDRÉ LONGO – Atingir a meta significa que essa população está mais protegida. Por outro lado, as evidências começam a mostrar que a gente vai precisar fazer um esforço adicional para esse grupo, que é a aplicação da terceira dose contra covid-19. Vamos nos preparar para fazer a aplicação nessa faixa etária, mas sem esquecer que a gente ainda precisa se preocupar em atingir meta nas pessoas entre 60 e 69 anos; estamos perto disso (85% desse grupo etário estão completamente imunizados em Pernambuco; a meta é 90%). Muitos deles ainda não finalizaram o esquema vacinal porque estão aguardando o intervalo adequado para isso. Mas a nossa ideia é que possamos fazer essa dose de reforço para todos esses idosos. Os trabalhos têm mostrado, inclusive, a necessidade de vacinar com essa terceira dose até a população menor que 60 anos. Então, temos que fazer um esforço adicional, junto com os municípios. Além disso, precisamos trabalhar com a quantidade de doses que o Ministério da Saúde disponibilizar. Não podemos comprometer, em nome de uma terceira dose, a primeira e a segunda dose de quem já esta em curso no processo vacinal. Então, temos que equilibrar isso. Nesta quinta-feira (26), temos reunião com o nosso Comitê Técnico Estadual e a Comissão Intergestora Bipartite (reúne representantes da Secretaria Estadual de Saúde e gestores das secretarias municipais de Saúde), a fim de já começar a fazer o detalhamento desse trabalho, da vacinação de terceira dose para os idosos. Ficamos felizes de ter batido meta da vacinação a partir dos 70 anos e agora queremos avançar na terceira dose.  

JORNAL DO COMMERCIO – E como fica a dose de reforço para os profissionais de saúde? Eles continuam expostos à covid-19 e já passam de seis meses, em sua maioria, da aplicação da segunda dose…

ANDRÉ LONGO – Para nós, priorizar esses trabalhadores na aplicação da terceira dose é fundamental. Temos procurado discutir essas questões de forma tripartite. Acredito ser essencial que esse público tome logo a terceira dose. É um grupo em que nem todo mundo é jovem, mas todos estão mais expostos. Eles foram os primeiros a ser vacinados; a maioria em janeiro e fevereiro. Então, precisamos que o mesmo olhar com idosos seja direcionado aos trabalhadores da saúde. A ideia, sim, é coloca-los em pauta neste primeiro momento, junto com imunossuprimidos e idosos. Propus, na tarde desta quarta-feira (25), em reunião do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), com a presença do ministro Marcelo Queiroga, um debate sobre a temporalidade (passados os 6 meses da segunda dose) ser também um critério para o reforço, o que contemplaria os trabalhadores da saúde. Mas a decisão da Câmara Técnica, que assessora o Programa Nacional de Imunizações (PNI), foi iniciar com idosos e imunossuprimidos, dando continuidade aos estudos sobre os demais critérios e grupos. 

JORNAL DO COMMERCIO – Na terça-feira (24), publicamos uma reportagem em que mostra como está baixa a adesão das gestantes à vacinação contra covid-19. Como isso preocupa o governo? Pretende-se fazer alguma campanha para alertar esse público e os profissionais de saúde? 

ANDRÉ LONGO – As mulheres grávidas são um grupo importante. A mortalidade materna cresceu muito este ano, em comparação com 2020. É um público muito vulnerável, e isso agora está muito claro para todos. Precisamos cuidar das gestantes. Pernambuco foi pioneiro em não interromper a vacinação das mulheres grávidas, mesmo quando teve decisão nacional pra isso. Somos o Estado que devemos estar melhor na cobertura vacinal desse público. Mesmo assim, temos casos de srag (síndrome respiratória aguda grave) entre as gestantes. É preocupante a situação, e a gente precisa cuidar. A questão é que se gerou um receio nesse público, devido à situação com a AstraZeneca (foi suspensa a aplicação nesse grupo, após morte por acidente vascular cerebral de um grávida que recebeu a dose). Isso certamente repercutiu e tem dificultado avançar no cumprimento da meta. Mas é fundamental o trabalho de quem faz o pré-natal: enfermeira obstetra, ginecologistas, obstetras… Eles devem orientar as gestantes sobre os benefícios da vacina (a da Pfizer), que praticamente não oferece risco. A gravidade está em não aplicar a vacina, em desenvolver quadro de srag, em comprometer a vida da mãe e criança. E as complicações da covid-19, principalmente no ultimo trimestre da gestação, é muito grande. Vamos, sim, vamos fazer outra campanha para incentivar a gestante a se imunizar.