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Eficácia depois dos 80 anos

A efetividade das vacinas AstraZeneca e Coronavac cai entre os idosos com mais de 80 anos, como revela novo estudo divulgado nesta sexta-feira pela Fiocruz. Os cientistas avaliaram a efi cácia dos imunizantes em 75.919.840 pessoas vacinadas no Brasil entre 18 de janeiro e 24 de julho deste ano. Isso não signifi ca que as vacinas sejam inefi cazes contra o vírus, mas pode haver uma queda de proteção ao longo do tempo e necessidade de reforço. Os resultados podem ser determinantes para o planejamento de políticas públicas de vacinação entre os mais velhos. A pesquisa demonstrou que os dois imunizantes oferecem proteção contra casos moderados e graves de covid-19 causados pelas novas variantes de preocupação em circulação. Ao avaliar os dados por faixa etária, no entanto, constatou-se uma redução na proteção com o aumento da idade. De 80 a 89 anos, a AstraZeneca tem um índice de proteção contra a morte de 89%. O da CoronaVac ficou em 67,2%. Acima dos 90 anos, os índices fi caram em 65,4% e 33,6%. Coordenado por Manoel Barral-Netto, o trabalho foi publicado em preprint na MedRxiv, site que distribui versões pré-publicação de artigos científicos sobre saúde. Os resultados mostram que as duas vacinas são efetivas contra a infecção, hospitalização e óbito, considerando o esquema vacinal completo (duas doses): AstraZeneca, com 90% de proteção, e CoronaVac, com 75%. “Já suspeitávamos da influência na idade na queda da efetividade, porque o mesmo ocorre com outras vacinas”, afirmou Barral-Neto, pesquisador da Fiocruz-Bahia. “O que fizemos foi delimitar claramente esse ponto de declínio; a intenção é fornecer dados para embasar decisões dos gestores.” Segundo o estudo, a redução da efetividade pode estar relacionada a alguns fatores. São citados a diferença das plataformas tecnológicas utilizadas em cada um dos imunizantes, a seu impacto sobre a imunogenicidade (capacidade de gerar resposta imune). Há ainda o processo natural de resposta imunológica menor entre os mais velhos, a imunoscenecência. De acordo com os cientistas, com disponibilidade limitada de vacinas, poder identificar com mais precisão os limites de idade em que a proteção imunológica cai é crucial para a implementação de medidas de saúde pública.

“Considerando o atual cenário no Brasil, nossas descobertas demonstram a eventual necessidade de uma dose de reforço vacinal nos indivíduos acima dos 80 anos que receberam CoronaVac e naqueles acima de 90 anos imunizados com a AstraZeneca”, conclui o estudo. Os resultados podem ser importantes também para outros países que utilizam essas vacinas e não têm populações tão grandes (ou facilidade de acesso dos dados) para aferir a efetividade por faixa etária. “É uma contribuição para a saúde pública do Brasil mas também para a de outros países que não conseguem fazer esse tipo de análise”, disse Barral-Neto. O pesquisador afirmou que o monitoramento das pessoas vacinadas continua. Na próxima rodada de divulgação de resultados, ele deverá apresentar os dados das vacinas da Pfizer e da Janssen.

PASSAPORTE

 Horas depois de o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), anunciar que a partir de 1º de setembro as pessoas só poderão entrar em uma série de locais de uso coletivo se comprovarem ter sido vacinadas, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou a medida. “Você começar a restringir a liberdade das pessoas, exigir um passaporte, carimbo, querer impor por lei uso de máscaras para estar multando as pessoas, indústria de multa, nós somos contra isso”, afirmou. “O povo brasileiro é livre e nós queremos que as pessoas exerçam de acordo com sua consciência. Eu uso máscara porque entendo que é importante, você também, não é porque tem uma lei que se você não usar máscara alguém vai lhe multar”, disse Queiroga em visita ao Rio de Janeiro, onde cumpriu agenda como ministro. “Passaporte (de vacinação) não ajuda, não ajuda em nada. Tudo que é imposição, que é lei… o Brasil já tem um regulamento sanitário que é um dos mais avançados do mundo. E essas matérias são matérias administrativas. O certificado de vacinação está lá, qualquer um pode pegar”, completou o ministro. Questionado sobre as pessoas que não usam máscaras, mesmo sendo obrigatórias, Queiroga afirmou que “o principal aliado para pôr fi m à pandemia é a vacinação”. Horas antes, o prefeito do Rio anunciou que, a partir de 1º de setembro, certos estabelecimentos comerciais e atrações turísticas deverão exigir a comprovação de vacinação contra a covid-19 para permitir o acesso de clientes.