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Covid-19: adolescentes compartilham emoção, alívio e esperança ao tomar a vacina

Com a vacinação contra covid-19 dos adolescentes iniciada há menos de 15 dias em Pernambuco, assistimos agora à sensação de esperança da nova geração em relação ao combate à pandemia. Assim como ocorreu com o início da imunização dos idosos e dos adultos jovens, vemos o quanto as injeções simbolizam doses generosas de alívio e confiança em dias melhores. A cada imagem compartilhada em grupos e redes sociais, percebemos a felicidade dos adolescentes e dos parentes que os acompanham. São sentimentos de quem viu bisavós, avós, pais e tios serem imunizados e esperou muito a própria vez na fila da vacina.  

“Eu fiquei muito ansioso desde o momento que abriu o agendamento para a minha idade. Quando soube, pela minha mãe, comecei a pensar em como seria na hora de tomar a vacina. Estou feliz não só porque estou imunizado, em parte, com uma dose. Minha felicidade também é porque, com a vacina, a gente evita de levar o vírus para avós e outras pessoas”, relata o estudante do 9º ano do ensino fundamental Pedro Façanha, 14 anos. Ele iniciou o esquema vacinal no último domingo (29) e sabe o quanto a imunização é fundamental para evitar mortes. “Uma prima minha teve covid-19 e faleceu”, conta Pedro sobre a parente, que infelizmente não resistiu às complicações da infecção nem teve a chance de se vacinar. 

Em Pernambuco, durante esses quase 15 dias de inclusão dessa faixa etária na campanha, cerca de 28 mil adolescentes como Pedro já tomaram a primeira dose de Pfizer contra a doença. Ao todo, o Estado precisa imunizar 1.087.269 pessoas de 12 a 17 anos. Na capital, a Secretaria de Saúde do Recife (Sesau) informa que, dos cerca de 100 mil adolescentes que formam o grupo geral entre 14 e 17 anos, 10.491 já receberam a vacina e outros 30.580 estão agendados. A Sesau acrescenta que aplicou a dose inicial também em 1.152 adolescentes de 12 a 17 anos com deficiência ou doenças preexistentes, gestantes e puérperas (com filhos de até um ano). Segundo a secretaria, cerca de 640 pessoas nessa faixa etária estão agendadas para receber os imunizantes. 

A estudante do 2º ano do ensino médio Gabriela Rodrigues Veloso, 16 anos, recebeu a primeira aplicação da vacina contra covid-19 na última semana. “Eu estava, desde o começo da pandemia, esperando por esse momento. Fiquei muito animada quando chegou a minha vez”, conta. Ela ressalta que a covid-19 tem trazido dias complicados, mas que agora sente muita esperança em dias melhores. “Os casos da doença diminuíram, mas precisamos continuar com todos os nossos cuidados. Não devemos relaxar. Espero que a gente não conviva com outra onda. No ano que vem, quero muito que tudo se acalme. Estarei do 3º ano”, relata Gabriela, confiante de que terá um próximo ano letivo mais tranquilo. 

A rotina escolar realmente mudou bastante e deixou alunos ansiosos com o sistema ora online, ora híbrido (aulas remotas e presenciais). “As consequências educacionais, com os dias de fechamento completo das escolas, foram muito intensas nesta pandemia, e o Brasil foi o quinto país do mundo de mais dias de escolas fechadas”, salienta o pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, ao acreditar que a imunização também é um elemento a favor da aprendizagem neste momento. Na última semana, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) atualizou as recomendações para prevenir a covid-19 no retorno às aulas presenciais e destacou que a vacinação dos adolescentes deve ser uma das medidas buscadas para aumentar a segurança nas escolas em meio à pandemia.

Elaborado por um grupo de trabalho coordenado pela vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, o documento avalia que “a implementação da vacinação para adolescentes pode reduzir significativamente o fechamento prolongado de turmas, escolas e interrupções de aprendizagem e lentamente permitir o relaxamento das medidas de proteção na escola”.

Representante regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Eduardo Jorge ressalta que a vacinação dessa faixa etária é mandatória para diminuir a circulação do vírus e controlar a pandemia, especialmente neste momento de circulação da variante delta. “Ao diminuir a circulação do vírus neste grupo, a imunização dos adolescentes pode aumentar a esperança de controlar a pandemia.” Outro ponto mencionado pelo pediatra diz respeito à demonstração da eficácia e segurança das vacinas como a da Pfizer. “Entre riscos e benefícios, continuo acreditando que, nos adolescentes, teremos muito mais benefícios”, frisa Eduardo Jorge.