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Depressão pode colocar a vida em risco

No Setembro Amarelo, mês de conscientização e prevenção ao suicídio, especialista explica a importância de políticas públicas de prevenção

No Brasil, cerca de 12 mil suicídios são registrados todos os anos, segundo os números do Ministério da Saúde. É um comportamento com determinantes multifatoriais, resultado de uma interação de fatores psicológicos, biológicos, genéticos, culturais e socioambientais. Mas, para além da necessidade de debates e campanhas como o Setembro Amarelo, a urgência de políticas públicas de prevenção ao suicídio – e de sua divulgação permanente – é mais do que perceptível.

A diretora da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria, Mayara Barros, explica que essas políticas públicas passam pela oferta de atendimentos para a saúde mental em maior número, mas também conscientização das pessoas e desmistificar algumas informações.

“O suicídio também é consequência da falta de políticas públicas para a saúde mental, para o acesso à fisioterapia, psiquiatria, psicologia. É preciso ofertar atendimentos gratuitos em maior escala e de forma permanente. Na Golden Gate [ponto turístico dos Estados Unidos, que liga as cidades de São Francisco e Sausalito] existem placas com números de telefone para buscar ajuda. Precisamos também de outras formas de divulgação para ajudar as pessoas que pensam em cometer suicídio. Campanhas de valorização da vida, incentivar os cuidados com a saúde mental, mostrar que ter alguma doença mental não é sinal de fraqueza, tudo isso é importante”, afirma.

Em Pernambuco, nos meses de janeiro a agosto de 2020, foram contabilizadas 1.549 tentativas de suicídio. No mesmo período de 2019, foram 1.785 tentativas registradas no estado. Apesar da queda de um ano para o outro, os números revelam que as ocorrências, de notificação compulsória, continuam em patamares preocupantes. Para se ter uma ideia, das 1.549 notificações registradas nos primeiros oito meses deste ano, 30,1% das vítimas tentaram mais de uma vez interromper a própria vida. Os dados foram divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde.

A pandemia da Covid-19, que obrigou as pessoas a manterem a distância umas das outras e – diga-se de passagem, ainda não acabou – criou diversos gatilhos para desencadear quadros de depressão: isolamento, desemprego e incertezas quanto ao futuro, além do medo da doença em si.

“A pandemia fez com que fossemos tomados por um sentimento de solidão, causado pelo isolamento. Os relacionamentos dentro de casa ficaram mais sufocados. O isolamento deixa a pessoa mais triste, ansiosa, houve um aumento no número de desemprego. Existe toda uma questão econômica, do medo da própria pandemia e aí ocorreu uma exacerbação dos transtornos que já existiam e o aparecimento de novos transtornos. Deu aquela sensação de desesperança e a gente recebeu mais casos do que costumávamos. O luto também é um fator de risco”, explica Mayara.

Não é possível prever o momento que alguém decide interromper a vida. Contudo, existem sinais para identificar pessoas com quadros mais agravados de depressão, bipolaridade ou ideação suicida.

“Não tem como a gente dizer quando uma pessoa vai ou não cometer suicídio. Mas é importante ficar ligado em alguns comportamentos. Muitas vezes a pessoa começa a visitar parentes e se despedir, organiza documentação, fica mais isolada ou verbaliza o pensamento de que a morte seria melhor. Outro ponto é se a pessoa está em um período de depressão muito grave e de repente ela melhora. Geralmente esse é um sinal que ela decidiu se suicidar e isso alivia traz um sentimento de alívio”, informa.