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Aplicação de vacina é mantida

Após o Ministério da Saúde voltar atrás e recomendar a vacina da Pfizer apenas para adolescentes com doenças preexistentes, Pernambuco mantém firmeza e declara que continuará a vacinar contra covid-19 todas as pessoas de 12 a 17 anos, com e sem comorbidades. A afirmação veio do secretário Estadual de Saúde, André Longo, em coletiva de imprensa realizada na tarde de ontem. Em vários momentos, ele criticou a postura do ministério, que pegou de surpresa municípios e Estados ao anunciar a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades.

O ministério mencionou que os benefícios da vacinação em adolescentes sem doença prévia ainda não estão claramente definidos e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda imunização de adolescentes com ou sem comorbidades. A OMS, entretanto, não chegou a afirmar que a vacinação dessa faixa etária não deveria ser realizada. Em junho, a entidade apenas salientou que, neste momento, a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos
não é prioritária, já que seria necessário imunizar completamente todos os adultos, antes de baixar a idade.

“Pernambuco e vários outros Estados vão continuar com o processo de vacinação. Vamos reunir o nosso comitê técnico de imunizações e aguardar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que foi provocada pelo Conass
(Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde).
E essa atitude, de solicitar a posição da Anvisa, deveria ter sido tomada pelo próprio Ministério da Saúde”, frisou André Longo. Ele lamentou o fato de a pasta ter feito a suspensão da vacinação dos adolescentes sem comorbidades de forma apressada. “Isso gera intranquilidade. Vários Estados estão até revoltados com esta postura inicial, levada a público hoje, pelo ministério.”

Na noite de ontem, a Anvisa alegou que não há evidências para alterar recomendações de uso da Pfizer em adolescentes. Segundo a agência, o caso da morte de uma adolescente de 16 anos, após aplicação da vacina, está em
investigação. O órgão ainda disse que, na quarta-feira (15), foi comunicado sobre o óbito, ocorrido em 2 de setembro, após uma reação adversa grave. “No momento, não há uma relação causal definida entre este caso e a administração da vacina. Os dados recebidos ainda são preliminares e necessitam de aprofundamento para confirmar ou descartar a relação causal com a vacina.”

A Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) também comentou sobre o tema e salientou que, apesar de entender que a população de maior risco deve ser priorizada, a entidade discorda do recuo do Ministério da Saúde em relação à vacinação de adolescentes sem comorbidades. “A medida gera receio na população e abre espaço para fake news”, destacou a Sbim. Com a mesma visão da entidade médica, o Conass e o Conasems emitiram nota para reforçar a importância da imunização dos adolescentes e afirmaram “manifestar profundo lamento às recentes decisões do Ministério da Saúde na operacionalização da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Covid-19, com orientações sem qualquer consulta prévia às representações estaduais e municipais da gestão do Sistema Único de Saúde ou mesmo à Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de Imunizações (PNI)”.

Para o secretário André Longo, o ministério deveria ter discutido o tema em reunião tripartite e ouvido a câmara técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e submeter as informações sobre a vacinação à Anvisa.

“Caso a Anvisa se manifeste contrária a essa posição (de vacinar adolescentes sem doenças preexistentes), nós vamos ter uma referência técnica para seguir. Mas até agora, como não há manifestação da Anvisa, Pernambuco e outros Estados continuam com a imunização)”, frisou Longo. Atualmente, apenas a vacina da Pfizer tem autorização da Anvisa para uso em adolescentes a partir de 12 anos. No Estado, 185.137 moradores de 12 a 17 anos já receberam aplicação da primeira dose, o que corresponde a 17% das 1.087.269 pessoas dessa faixa etária em Pernambuco. Até o momento, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não há relatos de efeitos adversos graves, provocados pela imunização contra covid-19, nesse grupo.

Ainda durante a coletiva de imprensa, o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, integrante dos comitês de vacinação contra o coronavírus no Recife e em Pernambuco, assegurou que a vacina da Pfizer é segura e necessária para todos os adolescentes. “A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sbim continuam a recomendar a aplicação de Pfizer a essa faixa etária, nos cenários em que houver dose disponível, sem prejudicar a finalização dos esquemas vacinais em adultos e a aplicação da terceira dose em idosos neste momento”, esclareceu Eduardo Jorge.