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Vacinação dos adolescentes continua

Após o Ministério da Saúde recomendar a suspensão da vacinação contra a Covid-19 para adolescentes sem
comorbidades, alegando efeitos adversos e uso de vacinas voltadas a outros grupos, Pernambuco anunciou que seguirá imunizando esse público, pelo menos até que haja orientação contrária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mas ontem mesmo a Anvisa informou que não há evidências para sustentar a recomendação do ministério.

A decisão do estado foi informada ontem, pelo secretário de Saúde, André Longo. Ele disse ter sido pego de surpresa “pelo aviso infeliz” do MS e se queixou da recomendação não ter sido discutida com as unidades da federação. “A Pfizer tem registro definitivo no Brasil e liberação da Anvisa. Até esse momento, como não há manifestação da agência. Pernambuco e a maioria dos estados continuará com a vacinação”, disse. O Comitê Técnico Estadual de Imunizações deve se reunir hoje para aguardar a posição oficial da Agência.

Longo destacou que alguns municípios já iniciaram a terceira dose dos idosos sem comprometer o avanço da imunização dos adolescentes de 12 a 17 anos. “Se suspender a vacinação de adolescentes, certamente vai ter mais vacinas para fazer a terceira dose. Se o motivo for esse, vamos deixar às claras em reunião. Mas esse tipo de desinformação ou acaba gerando um ambiente que não contribui para o avanço da vacinação. Estamos seguindo a ciência e vamos tentar avançar a vacinação com todas as doses disponíveis.”

O médico e representante da Sociedade Brasileira de Imunizações, Eduardo Jorge da Fonseca, procurou tranquilizar adolescentes e suas famílias, enfatizando que a Pfizer é autorizada no Brasil, Estados Unidos e Europa, por exemplo. “Como todo medicamento, as vacinas têm eventos adversos que vão de leve a raríssimos casos graves. Qualquer evento deverá ser acompanhado para saber a relação de causa e efeito. A Organização Mundial da Saúde continua
preconizando a Pfizer para adolescentes. Ela só ressalta que na prioridade, idosos e adultos deverão ser vacinados”, observou.

Em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde lamentaram a recomendação do Ministério, feita “sem qualquer consulta prévia às representações estaduais e municipais ou à Câmara Técnica Assessora do Programa Nacional de Imunizações (PNI).” Segundo os órgãos,
implementar decisões unilaterais sem respaldo científico coloca em risco a a imunização.

“Quando o ministro aponta que ocorreram pouco mais de 25 mil aplicações de vacinas diferentes daquela recomendada para os adolescentes,temos que primeiramente considerar se o dado é real, uma vez que erros
podem ocorrer. Importante considerar que o montante representa 0,75% das 3,5 milhões de doses já aplicadas neste grupo populacional”, diz a nota. A Sociedade Brasileira de Imunizações também se posicionou contra a
suspensão, “apesar de entender que a população de maior risco deve ser priorizada.”