Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Alerta para perigos do shareting

Preocupados com a exposição excessiva de crianças nas redes sociais, pediatras brasileiros fizeram um alerta às famílias na última quinta-feira (16): ao documentarem aspectos da vida das crianças, experiências da maternidade ou paternidade em redes sociais, os pais ou responsáveis legais podem expor indevidamente informações pessoais de menores e colocá-los ainda em situação de vulnerabilidade. Esse tipo de atitude, conhecida como shareting (termo, em inglês, que combina as palavras “share” e “parenting”), parte de uma tendência crescente e que pode ter consequências indesejadas. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) chama a atenção para os perigos e impactos de longo prazo desse hábito na vida dos pequenos. “A criança e o adolescente não devem ter vida pública nas redes sociais. Não sabemos quem está do outro lado da tela. O conteúdo compartilhado publicamente, por falta de critérios de segurança e privacidade, pode ser distorcido e adulterado por predadores em crimes de violência e abusos nas redes internacionais de pedofilia ou pornografia, por exemplo”, explica a pediatra Evelyn Eisenstein, coordenadora do Grupo de Saúde Digital da SBP. Para atualizar pediatras, pais e educadores sobre a influência das tecnologias, redes sociais e internet nas questões de saúde e de comportamento das crianças e adolescentes, a SBP publicou o documento “#Sem Abusos #Mais Saúde”. O guia orienta sobre maneiras de analisar os hábitos da família em relação ao uso das tecnologias, de reconhecer os limites de segurança e privacidade em caso de situações de risco, bem como a possibilidade da ocorrência de abusos e de repercussões nos comportamentos e transtornos mentais. A SBP ainda alertou que, na última década, muitas crianças se tornaram “influencers”, com status de celebridade, por meio de estímulo das famílias e o respaldo de patrocinadores. “Essas crianças constroem uma vida falsa, de imagens, e não uma vida de experiências reais. E os pais estão colaborando para a construção de uma personalidade moldada para agradar a imagem que fazem da pessoa, ou seja, de um falso self. A criança começa a passar por essa situação desde pequena. Muitas vezes, por trás desse perfil falso, pode existir um grande vazio. A exploração dessas crianças por parte dos pais é uma forma de abuso infantil”, apontou o coordenador do Grupo de Trabalho de Saúde Mental, Roberto Santoro. Os pediatras orientam que, ao desejarem compartilhar online fotos e vídeos dos filhos, os pais podem tomar medidas protetivas para garantir que o conteúdo não seja usado para fins maliciosos. É possível, por exemplo, limitar o público de postagens para que apenas as pessoas em quem se confia possam ver o conteúdo. Além disso, o alerta da SBP destaca o que nunca deve ser compartilhado: dados de localização, nome completo da criança, imagens de filhos não totalmente vestidos, data de nascimento da criança, fotos e vídeos ou detalhes sobre outras crianças, informações sobre a escola que frequenta ou algo que indiretamente possa denunciar a criança, como a imagem dela com uniforme escolar.