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Os cuidados com a gestação após os 35 anos

Aos 35 anos de idade e grávida pela primeira vez de gêmeos, a administradora de empresas Giovanna Martorelli, que mora em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, é o reflexo de uma geração que opta por realizar o planejamento da gestação no período considerado por especialistas, como “fora do ideal”, que seria até os 30. De acordo com dados preliminares do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) do Ministério da Saúde, em 2021, ocorreram 167.939 registros de nascimentos na faixa etária materna dos 30 aos 34 anos; dos 35 aos 39 anos, foram 105.601 até o momento. Dos 40 a 44 anos, registraram-se 29.136; e mulheres com mais de 45 anos, apenas 1.697 nascimentos. Atualmente há o registro de 304.373 nascidos vivos no País, números muito abaixo de anos anteriores, devido aos cuidados com a pandemia.

“Apesar da decisão de casar relativamente cedo, a minha ideia era não ter filho assim que casasse. Foi uma questão de escolha. Havia o trabalho, mas foi uma escolha de realmente ter um momento no casamento sem filhos para apenas viver o período a dois”, relata Giovanna, que casou aos 26 anos.

Para a professora de obstetrícia da Universidade de Pernambuco (UPE), Fernanda Maranhão, é preciso se atentar a algumas questões relacionadas ao curso da gravidez acima dos 35 anos. “Dentre elas, por exemplo, o aumento do risco de desenvolver pré-eclâmpsia (distúrbio da pressão alta associada à gravidez que pode ocorrer no final da gestação), e aumento do risco de desenvolver diabetes gestacional. Do ponto de vista do feto, sabemos que aumentam as taxas de incidências de doenças genéticas. Pois, o óvulo da mulher vem desde que ela nasce, diferente do espermatozoide, que se produz a cada vez que há a eliminação das células”, explica a médica, que também é especialista em Medicina Fetal.

Com a gestação na terceira década de vida, médicos e especialistas da área concordam que aumentam as chances de doenças genéticas, por conta da qualidade das células. “A cada ano que passa, os óvulos vão ficando ‘mais velhos’ junto com a mulher. E, por conta disso, aumentam as chances de pequenas alterações genéticas e por consequência as chances de doenças genéticas no feto”, complementa Maranhão. “É estimado em números o risco especifico para a gestante ser portadora de três síndromes cromossômicas: Down, Edwards e da Patau”.

Os números consolidados do Sinasc, do Ministério da Saúde, de 2019, apontam que nasceram 597.119 bebês de mães na faixa etária dos 30 aos 34 anos; dos 35 aos 39 anos, foram 364.105. Dos 40 a 44 anos, registraram-se 90.968; e de mulheres com mais de 45 anos, 5.758 nascimentos. Naquele ano pré-pandêmico, nasceram 1.057.950 bebês.

Em 2020, os dados preliminares do Sinasc apontam que nasceram 568.557 bebês de mães na faixa etária materna dos 30 aos 34 anos; dos 35 aos 39 anos, foram 352.456. Dos 40 a 44 anos, registraram-se 92.604; e de mulheres com mais de 45 anos, 5.716 nascimentos. Ainda que os dados estejam passíveis de alteração, no ano passado, estima-se que nasceram 1.019.333 bebês no País.

GRAVIDEZ TARDIA

O termo ‘gravidez tardia’, que começa a ficar em desuso, diz respeito a uma época em que era incomum as mulheres engravidarem nesta idade. “Essa definição de ‘gestação tardia’, na verdade, é uma definição antiga, puramente estatística, de uma época em que a minoria das mulheres engravidavam depois dos 35 anos”, frisa Fernanda Maranhão. “Nos tempos atuais, continuamos utilizando o termo, pois querendo ou não, há o aumento de riscos associados a gestação. Isso não significa, necessariamente, que ocorrerá ou que há uma relação absoluta e necessária”.

Para a ginecologista e obstetra do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) Juliana Melo Souto, a preocupação da mulher que engravida aos 35 anos é mais atrelada ao risco em relação as síndromes, uma questão da saúde e não mais uma questão moral. “A idade atrelada a complicações, pois ao longo do tempo a mulher vai perdendo a reserva ovariana quanto à qualidade desses gametas, e isso pode aumentar os riscos das síndromes e abortos, por exemplo. E também a partir dos 35 anos, a taxa de embriões mal formados gira em torno de 40% a 60%, e é um número importante para se considerar”, afirma.

“Acho que o casal tem que estar seguro do que realmente quer, principalmente quando parte para uma gestação planejada, após os 35 anos de idade. Eu acho que tem que desmistificar essa gravidez dita como ‘tardia’. Se falava lá atrás que gravidez aos 35 anos já estava ‘passando da hora’, lógico que a questão biológica influencia, mas acho também que em caso de dúvida, as pessoas devem buscar o acompanhamento profissional e não se desesperar”, finaliza Giovanna.