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Câncer de mama: acolhimento é essencial

O Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização para a detecção precoce do câncer de mama. A data foi criada na década de 90 para estimular campanhas sobre a temática em todo o mundo. Assim, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), essa doença que acomete a mama ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil.

Para entender melhor, o INCA explica que o câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há diversos tipos de tratamentos, inclusive a mastectomia, que consiste na retirada da mama juntamente com o tumor, e a equipe médica realiza a reconstrução mamária.

A fisioterapeuta Maria do Carmo, de 33 anos, conta que atende mulheres diagnosticadas com câncer e que nesse trabalho com essas pacientes não estimula apenas o corpo, mas a mente, pois é uma parte importante no processo de recuperação. Maria do Carmo atua no Espaço Fisioterapia em Saúde, no bairro de Boa Viagem, juntamente com Elizama Xavier há oito anos com pacientes oncológicos. A fisioterapeuta Elizama também realiza um trabalho na ala de pós-operatório no Hospital do Câncer de Pernambuco.

“Eu e Elizama temos um trabalho muito além do toque terapêutico. Nosso trabalho também é o olho no olho, é o abraçar, é o acolher, é o amor que sai do peito da gente e se encaixa no coração da paciente”, pontuou Maria do Carmo.

Uma de suas pacientes é Edecil Rebouças, de 56 anos, mais conhecida como Dudinha. As fisioterapeutas relataram que o alto astral dela é contagiante na clínica. Essa postura anima todo o ambiente e traz um fôlego para outras mulheres que aguardam a sua sessão juntamente com a paciente animada.

Dudinha é bancária e relatou que descobriu o câncer através de um exame de rotina exigido no trabalho. Após o diagnóstico, o marido, filhas e familiares foram peças fundamentais em sua rede de apoio para lidar com todas as fases do tratamento do câncer de mama.

“Eu nunca tinha visto um médico receber um paciente na porta de braços abertos. Então, na minha primeira consulta com a oncologista ela me recebeu com um carinho, com um abraço que até hoje faz parte da minha vida. Foi um abraço acolhedor, um abraço de uma mãe que pega uma filha no colo que diz ‘tenha fé que estamos juntas’. Isso fez toda a diferença para iniciar meu tratamento.”

Após o choque, Dudinha olhou para a doença sob outra perspectiva e tentou arrancar uma lição de todo o processo que estava encarando após o diagnóstico do câncer de mama. “Eu não nasci com câncer. Mas o câncer surgiu na minha vida para me dar um ‘pare’, um ‘basta’. A vida que eu estava tendo era uma vida de louco. Eu dormia quatro horas por dia, vivia pensando em trabalho, vivia resolvendo problemas dos outros. Enfim, vivia colocando todos na minha frente e eu estava sempre em último plano. Eu me sentia importante, aquele tipo de pessoa que achava que o mundo iria parar sem mim. Aquela mania que todos nós temos de achar que somos insubstituíveis. Mas não é bem assim, pois o mundo gira para todos! Isso é uma mentira e foi através do câncer que tive lições de vida maravilhosas.”

Dessa forma, o tratamento de câncer deve ser encarado como uma possibilidade de colocar o corpo de volta aos eixos, ou seja, voltar à normalidade de seus funcionamentos. É nocivo pensar na doença como uma guerra em que há um inimigo, guerrilheiros, vencedor e perdedor. Afinal, o câncer é formado por células existentes no corpo que começam a funcionar de maneira desajustada e sem harmonia com as outras células saudáveis, não é um agente externo como um vírus ou parasita.

Assim, não há vitórias ou derrotas no processo, tendo em vista que todos os seres humanos terão o mesmo final. Por isso, para além da cura, profissionais de saúde focam em seus pacientes para dar bem-estar, acolhimento e qualidade de vida. Os pacientes entendem que a cada pequeno avanço no processo de fisioterapia, por exemplo, deve ser valorizado como uma conquista pessoal e intransferível que deve ser celebrada sempre.