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20 milhões com vacina atrasada

Apesar do avanço na imunização, o abandono vacinal pode prejudicar o controle da pandemia no Brasil. Dados do Ministério da Saúde revelam que pouco mais de 20 milhões de pessoas perderam o prazo para tomar a segunda dose da vacina contra a covid-19. É o equivalente a 9,3% da população do país, com base na projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se considerada só a população vacinável – 159,9 milhões de pessoas a partir de 12 anos -, a taxa sobe para 12,5%. Entre as causas apontadas por especialistas para os “faltosos”, estão as mais variadas: de medo de reações adversas, desinformação e esquecimento da data até a sensação de que a pandemia já foi superada.

A maior cobertura vacinal leva à queda da circulação do coronavírus e, consequentemente, do risco do surgimento de novas mutações. Para a professora de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Alexandra Boing, o impacto do abandono vacinal passa pela menor efetividade da imunização.

“Com um menor número de pessoas com esquema vacinal completo se ampliará o risco de formas graves da doença e, consequentemente, de hospitalizações e óbitos por covid-19. Adiciona-se a isso que o maior número de pessoas completamente vacinadas contribui para menor disseminação do vírus, uma vez que os vacinados transmitem menos quando comparados aos não vacinados. Há ganhos individuais e coletivos quando ampliamos a imunização”, pondera a epidemiologista.

Dos 20 milhões, quase metade se concentra em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Com a falta de estratégias contra o abandono vacinal, o Brasil vê as estatísticas de atraso no esquema vacinal saltarem desde abril, quando o dado foi divulgado pela primeira vez. Na data, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que 1,5 milhão de pessoas deixaram de voltar aos pontos de vacinação.