Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Vacinação infantil preocupa

Autoridades e profissionais de saúde mostraram-se preocupados com a poliomielite, ontem, no dia mundial de combate à doença responsável pela paralisia infantil. Erradicada há anos no Brasil devido a campanhas anuais de vacinação e a medidas de vigilância epidemiológica, a poliomielite (também chamada de pólio) acende alerta pela volta de registros da doença ao redor do mundo e pelo aumento de famílias que escolhem não vacinar seus filhos.

Atualmente, em Pernambuco, preocupa a baixa vacinação contra a pólio: a cobertura vacinal está em 66,63% para menores de 1 ano, em 51,98% no 1º reforço (15 meses a 18 meses) e em 40,10% no 2º reforço (5 anos). O recomendado é que a cobertura vacinal contra a doença esteja em 95%. Afinal, a poliomielite se espalha em populações com baixa cobertura vacinal, e o vírus tem o potencial de causar paralisia.

Neste mês em que ocorre a Campanha de Multivacinação para Atualização da Caderneta de Vacinação, voltada para crianças e adolescentes até os 14 anos, o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, fez um alerta. “Estamos preocupados com a baixíssima cobertura das vacinas para esse público. Muitas das doenças que são evitáveis por esses imunizantes são ainda mais graves para as crianças do que a covid-19. Com as atuais coberturas, todos, mas especialmente as crianças, estão correndo perigo. É cada vez mais latente o risco do retorno de doenças que estavam erradicadas ou com baixa ocorrência, até porque não atingimos meta para nenhuma das vacinas indicadas para o público infantil em 2021”, enfatizou.

A cobertura vacinal em Pernambuco para os imunobiológicos indicados às crianças menores de 1 ano configura-se da seguinte forma: BCG (71,95%); pneumocócica (68,63%); pentavalente (66,87%); poliomielite (66,63%); meningocócica (65,43%) e rotavírus humano (65,03%). A situação se repete quando observado o público maior de um ano de idade: hepatite A (62,89%); tríplice viral – doses 1 e 2 (72,19% e 44,02%, respectivamente); meningococo C (66,30%); pneumocócica (66,08%); poliomielite – 1º reforço (51,98%) e 2ª reforço (40,10%); DTP – 1º reforço (57,57%) e 2ª reforço (47,26%), e varicela (63,86%).

“Os municípios devem elaborar estratégias que possibilitem o acesso desse público-alvo de maneira efetiva e rápida. Alternativas podem ser criadas, como a abertura de postos de saúde ou pontos de vacinação nos fins de semana, e até mesmo ir às escolas realizar a imunização no local”, afirmou a superintendente de Imunizações do Estado, Ana Catarina de Melo.

A campanha de multivacinação segue sexta-feira (29). Durante esse período, estarão disponíveis 18 vacinas. Para as crianças com menos de 7 anos, serão disponibilizadas vacinas de BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite, rotavírus, pneumocócica 10, meningocócica C, febre amarela, tríplice viral, varicela, hepatite A e DTP. Quem tem entre 7 e 14 anos pode receber vacina de hepatite B, tríplice viral, febre amarela, varicela, difteria e tétano adulto, meningocócica ACWY, HPV, e DTPa, por exemplo.

Há dois esquemas de doses de vacina contra a poliomielite. A primeira é a injetável, aplicada na rotina de vacinação infantil — aos 2, 4 e 6 meses, com reforços entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade. A outra é a oral, para crianças a partir de um ano de idade, aplicada como doses de reforço dos 15 meses e dos 4 anos e em campanhas de vacinação para crianças de 1 a 4 anos.

A DOENÇA

A poliomielite permanece endêmica em três países: Afeganistão, Nigéria e Paquistão. Como resultado da intensificação da vacinação, no Brasil não há circulação de poliovírus selvagem (da poliomielite) desde 1990. Em 1994, a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) declarou a erradicação nas Américas do vírus selvagem da poliomielite.