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Tabu ainda dificulta cuidado com a próstata

O câncer de próstata é um tumor maligno que geralmente acomete homens com idade a partir dos 50 anos. Nos estágios iniciais, não apresenta nenhum sintoma. O paciente não sente dores nem dificuldade para urinar, por exemplo, sinais que só costumam aparecer em fases mais avançadas da doença. Por isso é tão necessário fazer um check-up anual, como ressalta a campanha Novembro Azul, realizada todo ano pela Sociedade Brasileira de Urologia e suas seccionais.

Ainda não existe forma efetiva de prevenir o câncer de próstata, outro fator que torna importante a realização de avaliações como o exame físico (feito através do toque retal), o ultrassom e um exame de sangue que detecta possíveis alterações.

O urologista Tibério Moreno Júnior, recém-eleito presidente da Sociedade Brasileira de Urologia seccional Pernambuco, destaca a eficácia dos exames de rotina. “Através deles, a gente consegue identificar os pacientes que têm chance maior de sofrer um câncer de próstata. Conseguindo identificar a doença no estágio inicial, pode ser curada. Felizmente, ao longo dos anos, devido também às campanhas de conscientização, cada vez está ficando mais difícil o paciente chegar a um ponto mais crítico”, explica.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata é o tipo mais comum entre a população masculina, representando 29% dos diagnósticos da doença no país. A previsão é de 65.840 novos casos a cada ano, entre 2020 e 2022. Homens com mais de 55 anos e que sofrem excesso de peso ou obesidade estão mais propensos.

Cerca de 95% dos cânceres de próstata se localizam na região periférica do órgão, e por isso se torna tão importante o exame do toque retal, visto que, através dele, se consegue chegar exatamente a esta região, identificando se há existência de alguma área endurecida ou de algum nódulo.

“Sem dúvida nenhuma, o exame rotineiro de próstata ainda é um tabu muito grande em nosso país, e especificamente no Nordeste. Mas, felizmente, essa questão vem melhorando ao longo dos anos. Cada vez mais, a gente tem recebido homens de todas as regiões do estado, e também de fora, que vêm fazer o seu check-up. Um dos grandes motivos desse tabu estar diminuindo é exatamente a campanha anual do Novembro Azul”, destaca o urologista.

Uma forma de tratamento considerada muito efetiva em todo o mundo é a robótica, que aumenta a chance de cura do paciente. “A via robótica apresenta uma alta taxa de cura, em média 95%, assim como menores taxas de complicações. A desvantagem é o custo, que torna o tratamento mais caro”, diz o médico. A máquina custa R$ 25 milhões ao hospital, enquanto o paciente tem que desembolsar de R$ 20 mil a R$ 25 mil por cirurgia, que não está contida no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde, motivo pelo qual os convênios não são obrigados a cobri-la.

Atenção

Apesar de não ser tema de uma campanha específica, o câncer de testículo também desperta cada vez mais atenção dos especialistas. “O câncer de testículo não é tão comum. É o quarto em incidência na urologia, atrás dos cânceres de próstata, rim e bexiga. Geralmente, aparece em homens jovens, entre 25 e 45 anos de idade. É diagnosticado em exame físico, feito por um urologista, através do ultrassom testicular, onde se identifica a área endurecida (geralmente um nódulo testicular), e através de exames de sangue (marcadores tumorais)”, explica Tibério.

O médico também lança um alerta sobre os impactos da pandemia na procura por exames que possam identificar o câncer e as doenças urológicas de forma geral. “Tivemos basicamente um ano e meio de não procura, por parte das pessoas, aos seus médicos, para a execução de seus exames. Nessa questão também entrou a área da urologia”, afirmou Tibério.

“A pandemia atingiu principalmente o idoso, que estava sem poder sair de casa. Vários pacientes desenvolveram câncer de próstata e não tiveram diagnósticos no momento correto. Acabamos vendo vários  chegarem ao consultório com a doença já avançada”, conclui o urologista.



RISCOS DO CÂNCER DE PRÓSTATA

  • A idade é um fator importante, uma vez que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos
  • Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos, podendo refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias
  • Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de próstata avançado

SINTOMAS

  • Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa
  • Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite)
  • Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal