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Diabetes tipo 1 mais frequente nos jovens

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Internacional do Diabetes (IDF), com o objetivo de ampliar a discussão sobre o diabetes e alertar as pessoas sobre os cuidados necessários para a doença, estabeleceram o dia de
ontem, 14 de novembro, como o Dia Mundial do Diabetes. No ano de 2006, a data se tornou oficial da Organização das Nações Unidas (ONU).

A forma mais comum de o problema se desenvolver é do tipo 2, relacionado ao sedentarismo, excesso de peso, erro alimentar, assim como,também, à decorrência de uma herança familiar. A endocrinologista e chefe do Serviço de Endocrinologia Pediátrica do Hospital das Clínicas (UFPE), Jacqueline Araújo, comenta como a doença, sendo especificamente deste tipo, se desenvolve no corpo do indivíduo. “No início ainda há fabricação adequada da insulina
(hormônioque controla a glicose), mas esta não consegue agir adequadamente. Com o passar do tempo, o pâncreas entra em esgotamento e já não fabrica mais a quantidade necessária para controlar a glicose. Esta forma é mais comum em adultos, mas também pode atingir crianças e adolescentes, pois a obesidade vem crescendo muito na faixa etária pediátrica”.

De acordo com dados do Atlas do Diabetes da IDF, o Brasil é considerado o quinto país em maior número de pacientes com a condição no mundo, com 16,8 milhões de adultos (20 a 79 anos), ficando atrás apenas da China,
Índia, Estados Unidos e Paquistão. Além disso, a estimativa é que a incidência da doença chegue a 21,5 milhões em 2030, sendo o diabetes do tipo 2 o mais prevalente.

Apesar do grande número envolvendo a formação da doença em adultos, as crianças e jovens também podem ser afetadas pela doença, sendo nessa faixa etária mais comum o desenvolvimento do tipo 1, onde ocorre uma destruição das células do pâncreas, que produzem a insulina. “Isto se deve ao fato do sistema imunológico (defesa do organismo) passar a achar que estas células são estranhas, então as ataca e destrói. A causa não é completamente esclarecida,
apesar de pesquisas na tentativa de compreender melhor esta doença. Alguns genes estão envolvidos e algumas viroses podem ser o fator desencadeante, mas não a causa”, explica a endocrinologista.

Sandra Ianara Libório, mãe da adolescente Maria Eduarda Libório, de 15 anos, relata como foi, para a família, identificar
que a filha teria diabetes tipo 1, e quais foram as principais dificuldades enfrentadas no período inicial da descoberta.
“Duda tinha apenas dois anos e meio quando descobrimos, e nunca havíamos imaginado que ela poderia ter a doença,
pois ninguém na família tem histórico de ter diabetes. Eduarda sempre foi uma criança muito ativa e, de repente começou a dormir muito mais que o normal, sentia fraqueza, entre outros sintomas, e foi a partir daí que notamos que
algo diferente estava acontecendo. No início foi difícil, pois nunca imaginei que teria maturidade suficiente para cuidar de uma criança de apenas dois anos com diabetes”.

Diferente do tipo 2, em que o paciente pode passar vários anos assintomático, o tipo 1 demonstra de forma rápida os sinais. Nas crianças, os mais comuns são: voltar a fazer xixi na cama por urinar com uma maior frequência, muita sede,
perda de peso e falta de disposição e energia. “Deve-se estar atento às crianças muito pequenas, em que estes sintomas não são muito evidentes e podem se confundir com infecções, quadros respiratórios e intoxicação por medicações. Caso os sintomas não sejam percebidos e haja demora no diagnóstico, o quadro evolui com dor abdominal, vômitos, cansaço respiratório, desidratação e produção excessiva de ácidos no organismo”, alerta Jacqueline.

Sandra conta,também, sua visão otimista com o tratamento. “A conscientização é muito importante, pois, para algumas pessoas, ter diabetes é o fim do túnel. Desde que descobrimos a doença, Eduarda faz acompanhamento com psicóloga, para saber lidar bem”, afirma.

As maiores dificuldades enfrentadas no tratamento diário do diabetes tipo 1 são o fato da insulina ser aplicada em
forma de injeção, em um total de 3 a 4 vezes ao dia; a verificação da glicemia, realizada na mesma proporção, através de uma pequena picada nos dedos das mãos e a mudança de hábitos alimentares.

EVOLUÇÃO

A endocrinologista Jacqueline Araújo fala sobre a evolução desses processos de tratamento da doença. “Com a evolução, os aplicadores tornam as aplicações praticamente indolores. As insulinas modernas estão melhores e mais seguras, e existem dispositivos chamados de bomba de insulina que imitam com mais perfeição o funcionamento do pâncreas e substituem as injeções diárias por uma picada a cada 3 dias”.

Sobre a importância da data em combate à doença, a médica endocrinologista e professora dos cursos de medicina da UPE e Unicap, Marise Carvalho, discorre: “É uma data que, por ter uma divulgação na mídia, lembra as pessoas da prevenção da doença, a partir de cuidados com a alimentação e o início do ritmo de atividades físicas, assim
como lembra as autoridades da importância de se valorizar esse diagnóstico”.