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Antivirais são complemento

As notícias envolvendo duas pílulas antivirais contra a Covid, o molnupiravir da Merck (MSD no Brasil), e paxlovid, da Pfizer, trouxeram esperança de que um medicamento que pode ser tomado em casa interrompa a evolução da doença, evitando hospitalizações e mortes. Embora, de fato, as perspectivas sejam boas, os especialistas esclarecem que os tratamentos seriam complementares à vacinação. Jamais substitutos.

O molnupiravir reduziu o risco de agravamento em cerca de 50% e o paxlovid em 89%, segundo as farmacêuticas.

A Pfizer anunciou ontem que solicitou autorização emergencial para o paxlovid ao Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora dos Estados Unidos. A submissão dos dados do molnupiravir no país foi feita dia
11 de outubro. Um painel de consultores externos do FDA se reunirá para considerar esse pedido em 30 de novembro,
e espera-se que esteja disponível este ano. Ainda não há informações sobre quando será avaliado o pedido da Pfizer.

Ambos os medicamentos são vistos como ferramentas poderosas para evitar mais mortes, que no Brasil já ultrapassaram as 611 mil. Atualmente, poucas medicações são efetivas no tratamento contra a covid-19 para pacientes ambulatoriais, exceto os remédios de anticorpos monoclonais. De forma geral, há poucos tratamentos aprovados para a covid-19, e todos têm o custo elevado e só podem ser aplicados apenas em hospitais.

Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Unesp e membro
do Comitê de Monitoramento Extraordinário da Covid-19 da Associação Médica Brasileira (AMB), a chegada dos novos
medicamentos cria uma situação semelhante à que ocorre com a gripe, cuja vacinação acontece anualmente e, caso
o indivíduo contraia o vírus e seja de grupo de risco, a droga antiviral para o influenza, oseltamivir, conhecida como
Tamiflu, é indicada.

“Os tratamentos são um avanço principalmente nas populações que podem ter maior falha na vacinação,
como imunossuprimidos, transplantados, e para aqueles que têm alto risco para Covid grave, como idosos,
ou pessoas com comorbidades. Ter um airbag duplo para esses grupos é muito alentador. Mas os antivirais não
substituem as vacinas, são complementares”, afirma Naime Barbosa.

O infectologista afirma que as medicações devem chegar ao Brasil com um preço elevado, então, mesmo que venham a ser adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), devem ser direcionadas apenas a esses públicos. Segundo
a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), o preço do paxlovid será em torno de US$ 700 nos países ricos, valor similar
ao do molnupiravir.

“Mesmo que sejam incorporadas, vale muito mais a pena prevenir do que remediar, literalmente. Ou seja, para o SUS
é muito mais efetivo investir em prevenção com vacinas do que fazer o tratamento do paciente com covid”, diz.