Pesquisar
Agendar Atendimento

Serviços

ver todos

Unidades de saúde cheias

ALTA PROCURA Postos de saúde, UPAs e emergências de hospitais particulares estão recebendo, nos últimos dias, muita gente pedindo para fazer teste de covid-19 e de H3N2

Emergências de hospitais privados, postos de saúde, serviços públicos de pronto atendimento e unidades de testagem voltadas a pacientes com sintomas gripais voltaram a perceber um aumento no número de atendimentos a pessoas com tosse, dor de cabeça, febre e congestão nasal. Em alguns casos, cansaço e dor de garganta também se manifestam. Segundo relatos de profissionais de saúde, a maioria dos pacientes não apresenta exame positivo para covid-19. Por isso, acredita-se que a gripe tem prevalecido nesse cenário em que já está confirmada a transmissão comunitária da influenza A (H3N2) em Pernambuco.

Ontem à tarde, na Upinha 24h Moacyr André Gomes, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, dezenas de pessoas aguardavam para realizar o teste de covid-19 (a recomendação do Estado é testar inicialmente para coronavírus, a fim de confirmar ou descartar a suspeita) e receber atendimento para controlar os sintomas. Entre eles, estava o auxiliar de depósito Jaymeson Lopes, 39 anos. “É muita dor de cabeça que eu sinto. Também estou com dor no corpo, febre e coriza. Faz uns dois dias que estou assim. Na empresa onde trabalho, foi solicitado que as pessoas com sintomas gripais devem ser testadas. Sei de muita gente doente”, contou.

Além dele, na Upinha, a doméstica diarista Ana Cristina de Oliveira, 54 anos, aguardava ser atendida numa área dedicada a pacientes com sintomas gripais. “Estamos doentes eu, meu marido, de 58 anos, e meu filho, de 30 anos. Temos uma tosse constante, dor de cabeça e febre. Espero conseguir falar com algum médico”, relatou Ana Cristina. O casal de supervisores de farmácia Cleiton Gomes, 31 anos, e Priscila Gomes, 33, também esperavam testagem e atendimento. “Eu estou com muitos sintomas: tosse, febre de três dias chegando a 40 graus, moleza e dor no corpo. Tudo começou no domingo (19). Meu filho, de 12 anos, adoeceu antes, e sei de mais duas pessoas do trabalho que também griparam”, disse Cleiton.

REDE PRIVADA

Nos hospitais particulares e consultórios médicos, a demanda de pessoas com quadro gripal também subiu este mês. No bairro de Paissandu, área central do Recife, a emergência do Real Hospital Português (RHP), segundo nota divulgada pela assessoria de comunicação, identificou um aumento em torno de 150% no atendimento a pacientes com sintomas gripais, quando comparado o período do dia 14 a 20 deste mês com a semana anterior (dia 1° a 7).

“Estamos diante de mais um vírus respiratório. Os sintomas da influenza H3N2 e da covid-19 são muito semelhantes, especialmente considerando a variante ômicron. É importante ressaltar que a gripe já circula há muito tempo, e algumas pessoas têm um risco maior de agravamento, principalmente idosos e gestantes. Além disso, diferentemente da covid-19, as crianças também têm maior risco. Precisamos reforçar o isolamento das pessoas com sintomas gripais e o uso da máscara”, destaca o médico Demetrius Montenegro, chefe do setor de doenças infectocontagiosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).

Até o momento, Pernambuco tem confirmação de 43 casos de H3N2. Entre eles, nove pacientes graves: seis estão internados em enfermaria, dois em unidade de terapia intensiva (UTI) e um foi a óbito. A morte foi de um homem de 46 anos, que morava no Recife. Ele foi a óbito no último domingo (19). O homem tinha doença renal crônica, teve o exame para covid-19 negativo e fez o teste de influenza em seguida.

Recife intensifica ações para imunização contra a gripe

Após reconhecimento da circulação comunitária da H3N2, o Recife intensifica a vacinação contra a gripe, com o objetivo de aumentar a proteção dos moradores da capital contra a doença. A imunização, além de ser oferecida nas 150 salas de vacina que já funcionam na cidade, também começou a ser realizada ontem em comunidades da capital. A prefeitura ainda passou a aplicar a vacina contra influenza nos postos já montados em cinco shoppings da cidade e que funcionavam apenas para imunização contra a covid-19.

Nos centros de compras, os postos de vacinação sem agendamento prévio funcionam de segunda a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos, das 12h às 20h. No Plaza Shopping (em Casa Forte), o posto está localizado no estacionamento do piso E3. No Tacaruna (em Santo Amaro), está no térreo, próximo à Livraria Leitura. No Boa Vista (no Centro), está no térreo. No RioMar (Pina), o posto de vacinação está no piso L2, próximo à loja Tok&Stok. No Shopping Recife (Boa Viagem), está no piso superior, próximo ao cinema. Para agilizar a vacinação, a Sesau recomenda levar um documento de identificação, a carteira de vacinação e o cartão SUS (para quem tiver esses dois últimos).

Até amanhã, os profissionais da Secretaria de Saúde do Recife (Sesau) percorrem 18 comunidades, das 8h às 12h, para realizar a vacinação itinerante contra influenza. Localidades como o Alto da Esperança, Vila Santa Luzia, Córrego da Bica, Cohab, Sancho, estão entre as contempladas desta semana. Os locais são escolhidos a partir de critérios de ocupação, vulnerabilidade e dificuldade de acesso. Os agentes comunitários de saúde também têm orientado os moradores que ainda não receberam o imunizante a se dirigirem a uma sala de vacina. Atualmente, a vacina é disponibilizada de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, sem necessidade de agendamento, nas 150 salas de vacina da Sesau.

Ontem a folguista de farmácia Maristela de Oliveira (foto ao alto), 57 anos, foi à Upinha 24h Moacyr André Gomes, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife, para receber a aplicação da dose contra gripe. “Todos os anos tomo esta vacina. Reconheço a importância de estarmos protegidos, principalmente agora que tenho ouvido falar que há mais casos de gripe”, contou.

O Recife aplicou, até o momento, cerca de 455 mil doses da vacina contra influenza, e o único grupo a atingir a cobertura, que é de 90%, foi das puérperas (mulheres até 45 dias depois do parto). Os demais ainda não alcançaram o índice recomendado: idosos (65,8%), trabalhadores da saúde (68%), gestantes (86,7%) e crianças (89,6%). A capital confirmou 18 casos e um óbito por influenza.