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Espera por leitos está de volta

Com o avanço da epidemia da gripe, causada pelo vírus influenza H3N2, Pernambuco volta a sentir diariamente a pressão na assistência hospitalar. Atualmente, 77% dos leitos de terapia intensiva (UTI) e 67% das vagas de enfermaria, reguladas pelo Estado, estão ocupados. Além disso, 265 pessoas com sintomas respiratórios graves estão na fila de espera por uma vaga em hospital para receber assistência.

Desse total, 143 aguardam um leito de UTI – e cinco delas são crianças. Além disso, 122 pacientes esperam ser transferidos para enfermaria – sete deles aguardam um leito infantil. Os dados são do painel da regulação estadual para síndrome respiratória aguda grave (srag), correspondem aos leitos públicos e foram consultados, na tarde desta terça-feira (4), pela reportagem do JC.

Esse aumento de pessoas em fila de espera com síndrome respiratória aguda grave (srag) ocorre mesmo após o governo de Pernambuco ter criado, desde a véspera de Natal (24/12), 329 vagas para atender casos da influenza e da covid-19 na rede pública. Entre elas, 119 são de UTI.

“Diante do aumento de casos provocados pela influenza A (H3N2), a conversão de leitos para atendimento de pacientes com quadros respiratórios foi anunciada, pelo secretário André Longo, durante coletiva de imprensa na semana passada. Com isso, atualmente, Pernambuco conta com a maior rede pública voltada para pacientes com srag entre os estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ao todo, são 1.646 leitos, sendo 845 de UTI”, diz a Secretaria Estadual de Saúde (SES), ao anunciar o novo balanço de casos de influenza nesta terça-feira.

Já foram registrados, em Pernambuco, 5.253 casos de influenza A, com 30 mortes. Em nota enviada ao JC, a SES explica que, neste momento em que o Estado tem fila de espera por leitos, “a prioridade (para ofertar essas vagas) é para casos graves, de acordo com as avaliações das equipes médicas, junto aos médicos reguladores, a partir de critérios clínicos e técnicos”.

Além disso, a secretaria salienta que a “disponibilização de leitos, pela central de regulação para casos de síndromes respiratórias, é extremamente dinâmica” e que “diariamente dezenas de pacientes dão entrada e outras dezenas saem transferidos para hospitais de referência, ou recebem alta”. Dessa forma, a SES informa que a priorização das transferências é realizada a partir da discussão técnica entre o médico solicitante e o médico regulador, levando em consideração, primeiramente, a gravidade do caso, a estrutura disponível e a qualidade do suporte clínico nas unidades de saúde onde cada paciente se encontra.

NOVOS LEITOS

Desde a última sexta-feira (31/12), a SES diz que foram abertas 146 novas vagas para pacientes com síndromes respiratórias, sendo 83 de UTI. Elas foram ativadas nos hospitais Memorial Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes (10 de UTI); Agamenon Magalhães (8 UTI) e Evangélico (27 de enfermaria), no Recife; João Murilo, em Vitória de Santo Antão (10 de UTI); Brites de Albuquerque, em Olinda (10 de UTI); e UPAE Goiana (7 de UTI e 6 de enfermaria).

Além disso, na última segunda-feira (3), foram colocadas em operação novas vagas no Recife, sendo 40 leitos (10 de UTI) no Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa e 10 no Maria Vitória (todos de UTI). Já nesta terça-feira (4), o Hospital Referência à Covid-19 – unidade Boa Viagem (antigo Alfa) colocou em operação outros 10 leitos de UTI, e o Hospital Agamenon Magalhães converteu 8 vagas de terapia intensiva para atendimento de síndromes respiratórias. Nos próximos dias, ainda há previsão de abertura de outros 149 leitos, sendo 80 de terapia intensiva e 69 de enfermaria.

“Estamos trabalhando para garantir a assistência a quem precisa, colocando em prática um plano de contingência, porque temos uma forte pressão sobre a rede de saúde, tanto nas urgências, como nos setores de internação. Assim, estamos retomando os esforços para conversão de leitos para o atendimento de quadros respiratórios”, diz o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo.

Ele destaca ainda que, apesar dos esforços, o governo do Estado não conseguirá, sozinho, controlar a epidemia de influenza. “O reforço no uso da máscara, na lavagem das mãos, e a atitude de evitar aglomerações são ações de proteção à vida. Além disso, quem tiver qualquer sintoma de gripe deve fazer o autoisolamento e colocar a máscara, mesmo dentro de casa”, reforçou Longo.