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Pressão pela exigência de receita para vacina

A audiência pública realizada pelo Ministério da Saúde para discutir a imunização infantil à covid-19, nessa terça-feira (4), foi marcada pela pressão do governo em favor da exigência de receita médica para a aplicação da vacina. Na outra ponta, porém, entidades de representação de secretários municipais e estaduais de saúde se posicionaram contra a necessidade de prescrição.

A sessão de debates, que faz parte do processo adotado pelo ministério para definir o esquema de vacinação dessa faixa etária, também gerou protestos de grupos anti-vacina em frente à sede da Organização Pan- -Americana da Saúde (Opas), onde ocorreu a audiência. A expectativa é que o Ministério da Saúde divulgue nesta quarta-feira (5) os detalhes da imunização.

O evento não contou com a participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que autorizou, no dia 16 de dezembro, a aplicação da vacina da Pfizer para crianças. O governo, no entanto, resistiu a iniciar a imunização, alegando que não havia urgência. A agência se recusou a participar da audiência pública sob justificativa de que já apresentou todas as informações relevantes ao debate e “não agregaria novos elementos” neste momento.

No início da audiência, a secretária-extraordinária de Enfrentamento à Covid do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, informou que a maioria dos participantes de uma consulta pública se posicionou contraria à exigência de prescrição médica para imunização de crianças ao coronavírus. A consulta, realizada entre 23 de dezembro e 2 de janeiro, contou com a participação de 99,3 mil pessoas. Nos debates, a representante da Pfizer no Brasil, Marjori Dulcine, defendeu a aplicação da vacina em crianças de 5 a 11 anos.

Argumentou que a doença é grave e que entidades especializadas já disparam alertas de que as taxas de mortalidades no Brasil são maiores do que as de outros países. O governo Bolsonaro é contrário à vacinação dessa faixa etária. Aliada do presidente, a deputada Bia Kicis, presidente da Comissão e Constituição e Justiça da Câmara, indicou os médicos Roberto Zeballos, José Augusto Nasser e Roberta Lacerda, contrários à imunização de crianças, para falar no encontro.

“No presente momento não existe emergência para usar a vacina emergencial. Como que uma vacina emergencial é dada em uma situação em que não é dada emergência?”, questionou Zeballo, sem citar que a vacina da Pfizer tem registro definitivo. Bia Kicis esteve pessoalmente na reunião. Ela defendeu que os pais possam escolher se querem ou não vacinar seus filhos.