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Covid-19 avança 241% em uma semana no Recife

A primeira semana de 2022, no Recife, acumula 9.161 notificações de casos leves de covid-19. Desse total, 975 tiveram resultado positivo para a doença. Esse universo de confirmações representa um aumento de 241%, em comparação com a semana anterior – ou seja, a última de 2021, quando a capital pernambucana confirmou 286 casos (entre 6.357 notificados). O salto expressivo está no boletim epidemiológico do domingo (9) da Secretaria de Saúde do Recife.

O aumento também é uma realidade para os casos de síndrome respiratória aguda grave (srag), com 433 notificações (com 18 confirmações para covid-19) na primeira semana do ano – um crescimento de 33%, em comparação com a última semana de 2021, que teve 326 notificações de srag (sendo 17 confirmadas para covid-19). O cenário representado em números reflete o que os médicos têm constatado nos últimos dias, ao lado dos pacientes: “O que tenho visto no dia a dia é que os casos graves têm apresentado confirmação para influenza, que tem até mostrado uma queda (em relação aos casos). Por outro lado, observo que a positividade para covid-19 tem aumentado. Pacientes voltam a ligar, a entrar em contato conosco.

E os médicos relatam que estão fazendo mais teleconsultas com casos positivos para o coronavírus. É um comportamento que não estávamos mais vendo; é muita gente adoecendo ao mesmo tempo”, destaca o médico Demetrius Montenegro, chefe do setor de Doenças Infectocontagiosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). A última vez que o Recife havia ultrapassado a marca de 900 casos confirmados de covid-19, em uma semana, foi na 35ª semana epidemiológica de 2021, de 29 de agosto a 4 de setembro, quando se chegou a exatamente 1.000 infecções pelo coronavírus.

“Agora, o que observo é que muitos dos casos são por contaminação intradomiciliar; muita gente da mesma família positivando. Isso só reforça a circulação de ômicron, cuja transmissibilidade é alta. Essa alta de covid-19 ainda não se converteu em quadro de gravidade. Aqueles que estão internados são para observação de um sintoma mais prolongado, como tosse ou dor de cabeça, mas sem comprometimento pulmonar como antes (na primeira e segunda onda da pandemia)”, explica Demetrius.

Ele ressalta que as pessoas internadas por gravidade maior são aquelas que não estão vacinadas. No Recife, a explosão de casos de covid-19 no início de 2022 coincide com a confirmação da circulação da variante ômicron e com a semana após as festas de réveillon, e a maioria das pessoas, até o momento, tem apresentado quadro leve da infecção pelo coronavírus, especialmente devido à vacinação.

Contudo, pela possibilidade de não agravamento da doença, as pessoas não devem deixar as medidas preventivas de lado. “Não é por estarmos vacinado e pela maior chance de ter caso leve que devemos nos acostumar com a pandemia. A transmissão existe entre os vacinados, e a possibilidade de surgimento de novas variante se torna mais forte com isso”, alerta Demetrius.

O depoimento do infectologista só reforça que essa circulação continuada do coronavírus, sem a adoção de medidas preventivas (como o uso de máscara e o distanciamento social), é o que leva ao surgimento de novas variantes, mesmo entre os imunizados.

“Precisamos estar vacinados para não evoluir com gravidade e para não perpetuar a transmissão com nova variante. Mas também precisamos reforçar a necessidade do uso da máscara e do distanciamento social. Se assim não agirmos, quais novas variantes podemos estar criando?”, questiona.

A reportagem do JC entrou em contato com a assessoria da Secretaria de Saúde do Recife e solicitou entrevista para análise do atual cenário epidemiológico. Por enquanto, aguarda um retorno.

RESTRIÇÕES

Questionado sobre a necessidade da retomada de medidas restritivas, Demetrius Montenegro concorda que elas são necessárias para frear o atual avanço da pandemia. “Se não houver controle, se não diminuirmos os encontros e as aglomerações, não vamos conseguir conter a ômicron, que é muito transmissível.

Como essa variante causa sintomas leves, as pessoas tendem a relaxar. E isso é um problema.” Diante da onda da variante ômicron, Demetrius faz uma crítica importante ao passaporte vacinal. “Para quê? Para aglomerar numa festa com 7.500 pessoas? Não faz sentido. É falácia. Como medida de saúde pública, o passaporte vacinal é importante em situações de viagens, em lojas e restaurante onde sabemos que os protocolos contra a covid-19 são respeitados. Mas numa festa com 7.500 pessoas, se 1% do público vacinado estiver assintomático e com covid-19, a transmissão vai existir em grandes proporções”, ressalta.