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Protocolo infantil definido

As primeiras doses de vacina contra a covid-19 para as crianças devem ser enviadas, pelo Ministério da Saúde, até o fim desta semana. Essa foi a expectativa compartilhada, pelo secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, em coletiva de imprensa ontem, mesmo dia em que representantes do Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação se reuniram para definir as orientações sobre o início da imunização contra o coronavírus de crianças de 5 a 11 anos em Pernambuco.

A definição dos especialistas, diante da expectativa do recebimento gradativo de doses destinadas para a proteção desse público infantil, foi a criação de grupos prioritários para cada etapa da campanha.

A partir da chegada da primeira remessa, crianças de 5 a 11 anos com doença neurológica crônica, com distúrbios do desenvolvimento neurológico (com priorização, neste momento, de meninas e meninos com síndrome de Down e autismo) e indígenas terão seus esquemas vacinais iniciados. A definição técnica foi pactuada e aprovada entre o Estado e os gestores municipais na Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

A expectativa é que Pernambuco receba o primeiro montante nos próximos dias. A Secretaria Estadual de Saúde (SES), por meio do Programa Estadual de Imunização, assegura que já tem organizado o processo de logística para distribuir rapidamente o imunizante aos municípios, que ficarão responsáveis pela aplicação no público infantil.

“A partir da ordem e dos critérios já estabelecidos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 para vacinação de crianças e observando que a expectativa de doses a receber seja insuficiente para grandes avanços, o Comitê Técnico, com apoio dos representantes municipais, elencou prioridades dentro deste plano. Estamos reforçando, junto aos municípios pernambucanos, que, tão logo o Estado receba do Ministério da Saúde mais doses, a estratégia de vacinação será ampliada para que possamos proteger a população de 5 a 11 anos”, destacou a superintendente de Imunizações do Estado, Ana Catarina de Melo.

A recomendação desses grupos que iniciarão a imunização se deu devido aos fatores que influenciam na infecção e na evolução para forma grave da doença.

“As doenças neurológicas crônicas constituem um importante causador de agravamento e óbito dos casos da covid-19 na faixa etária a ser protegida. Já as crianças com distúrbios do desenvolvimento neurológico se justifica pela dificuldade de utilização correta e prolongada do uso de máscaras”, acrescentou.

A comprovação se dará aos moldes da vacinação dos adultos – ou seja, com apresentação de laudo médico contendo o código da CID indicativo da doença.

De acordo com Ana Catarina, apesar de uma preocupação com a obesidade infantil e as pneumopatias (doenças que afetam os pulmões, como a asma), essas comorbidades não apresentam percentuais elevados de mortalidade neste grupo, apesar de serem mais frequentes nessa faixa etária. “Priorizamos as doenças que causam maior possibilidade de agravamento e óbito. Conforme a chegada de mais imunizantes, os grupos serão ampliados beneficiando ainda mais as crianças pernambucanas”, acrescentou.

De acordo com os dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), na análise de março de 2020 a novembro de 2021, 17,3% das crianças de 5 a 11 que morreram pela covid-19 apresentavam alguma síndrome neurológica crônica (demência vascular, acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico e ataque isquêmico transitório). Trata-se da comorbidade mais frequente entre os óbitos confirmados pela doença nesta faixa etária.

O acesso das crianças à imunização contra o coronavírus é um direito que deve ser assegurado e que conta com o apoio da maioria dos brasileiros, segundo mostrou a consulta pública realizada pelo Ministério da Saúde, que finalmente incluiu o público de 5 a 11 anos no plano de operacionalização da vacinação contra covid-19.

Temos, no Brasil, cerca de 20 milhões de crianças nessa faixa etária. Há a expectativa da chegada de 3,8 milhões de doses, no País, em três envios, ainda este mês, sendo o primeiro no próximo dia 13.

“Com a liberação pelos órgãos reguladores em torno de 24 horas, é provável que, nos dias 14 e 15 de janeiro, os Estados recebam, de forma proporcional ao quantitativo de crianças, o primeiro lote”, informa o pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, membro do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e integrante dos comitês de imunização contra o coronavírus no Recife e em Pernambuco.

O médico diz que existe a possibilidade real de, até o fim de fevereiro, ser liberado um quantitativo total de 20 milhões de doses, o que permitirá a aplicação da primeira dose nas crianças elegíveis. “Esperamos que a aceitação pelos pais seja a maior possível e que o Ministério da Saúde negocie com a Pfizer as 20 milhões de doses restantes (referentes à 2ª aplicação) para completar o esquema”.

Em nota de repúdio em relação a comentários de autoridades sobre possíveis riscos decorrentes da imunização de crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19, a SBP reiterou, na última quinta-feira (6), que a vacina previne a morte, a dor, o sofrimento, as emergências e a internação em todas as faixas etárias.

“Negar este benefício às crianças sem evidências científicas sólidas, bem como desestimular a adesão dos pais e dos responsáveis à imunização dos seus filhos, é um ato lamentável e irresponsável, que, infelizmente, pode custar vidas”, frisa o documento da SBP.