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Profissionais da saúde acusados de infectar crianças

Cientistas pedem libertação de médico e enfermeiras presos na Líbia há 8 anos

A prisão de cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino na Líbia acusados de terem intencionalmente infectado cerca de 400 crianças com HIV no final dos anos 90 está mobilizando a comunidade científica.

Em carta que será publicada no site da Science (www.sciencemag.org) nesta quinta-feira, 44 pesquisadores, entre eles o americano Robert Gallo, um dos descobridores do vírus da aids, apresentam evidências de que o HIV já estava presente no hospital Al-Fateh, em Bengasi, antes mesmo da chegada dos profissionais ao local.

Eles foram detidos há quase oito anos, torturados com choques elétricos para confessar seu suposto crime e condenados à morte por fuzilamento. A pena chegou a ser suspensa no final do ano passado, mas eles permanecem presos. Sem esperar o resultado das investigações, o ditador líbio Muamar Kadafi, em 2001, em um encontro sobre HIV/aids na Nigéria, afirmou que as crianças haviam sido “deliberadamente infectadas como parte de uma conspiração internacional para desestabilizar o país”.

A comoção em torno do caso levou uma comissão independente de especialistas a investigar a situação. Dela participava o outro descobridor do vírus, o pesquisador francês Luc Montagnier. Eles concluíram que a explicação mais razoável era que a falta de práticas de controle de infecção, como ausência de equipamentos esterilizados, levou à epidemia. Entretanto a corte líbia descartou o testemunho dos cientistas e impediu o acesso aos testes de contaminação, para se basear apenas “nas confissões extraídas sob tortura”, escrevem os cientistas na Science.

“Estes seis trabalhadores inocentes estão encarcerados há quase oito anos por desempenharem seus trabalhos com equipamento insuficiente, depois de receberem treinamento inadequado e terem sido expostos ao mesmo risco de infecção por HIV que as crianças líbias e os funcionários do hospital. O que aconteceu aos acusados envia uma fria mensagem a todos os profissionais da saúde que escolhem trabalhar sob circunstâncias difíceis para levar tratamento aos infectados por HIV ou pessoas em situação de risco em todo o mundo”, diz o texto.

O grupo, composto por pesquisadores dos EUA, Itália, Holanda, Suécia, Áustria, Inglaterra, França e Canadá, pede aos seus governos que interfiram nas negociações com a Líbia.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações de Giovana Girardi, do jornal O Estado de São Paulo.

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Privado: Profissionais da saúde acusados de infectar crianças

Cientistas pedem libertação de médico e enfermeiras presos na Líbia há 8 anos

Giovana Girardi

A prisão de cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestino na Líbia acusados de terem intencionalmente infectado cerca de 400 crianças com HIV no final dos anos 90 está mobilizando a comunidade científica.

Em carta que será publicada no site da Science (www.sciencemag.org) nesta quinta-feira, 44 pesquisadores, entre eles o americano Robert Gallo, um dos descobridores do vírus da aids, apresentam evidências de que o HIV já estava presente no hospital Al-Fateh, em Bengasi, antes mesmo da chegada dos profissionais ao local.

Eles foram detidos há quase oito anos, torturados com choques elétricos para confessar seu suposto crime e condenados à morte por fuzilamento. A pena chegou a ser suspensa no final do ano passado, mas eles permanecem presos. Sem esperar o resultado das investigações, o ditador líbio Muamar Kadafi, em 2001, em um encontro sobre HIV/aids na Nigéria, afirmou que as crianças haviam sido “deliberadamente infectadas como parte de uma conspiração internacional para desestabilizar o país”.

A comoção em torno do caso levou uma comissão independente de especialistas a investigar a situação. Dela participava o outro descobridor do vírus, o pesquisador francês Luc Montagnier. Eles concluíram que a explicação mais razoável era que a falta de práticas de controle de infecção, como ausência de equipamentos esterilizados, levou à epidemia. Entretanto a corte líbia descartou o testemunho dos cientistas e impediu o acesso aos testes de contaminação, para se basear apenas “nas confissões extraídas sob tortura”, escrevem os cientistas na Science.

“Estes seis trabalhadores inocentes estão encarcerados há quase oito anos por desempenharem seus trabalhos com equipamento insuficiente, depois de receberem treinamento inadequado e terem sido expostos ao mesmo risco de infecção por HIV que as crianças líbias e os funcionários do hospital. O que aconteceu aos acusados envia uma fria mensagem a todos os profissionais da saúde que escolhem trabalhar sob circunstâncias difíceis para levar tratamento aos infectados por HIV ou pessoas em situação de risco em todo o mundo”, diz o texto.

O grupo, composto por pesquisadores dos EUA, Itália, Holanda, Suécia, Áustria, Inglaterra, França e Canadá, pede aos seus governos que interfiram nas negociações com a Líbia.