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Estudo mostra relação de dieta e envelhecimento

Macacos alimentados com quantidade de comida menor que o normal envelhecem de modo mais saudável e podem até viver por mais tempo

Num laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Primatas de Wisconsin, Matthias sofre com a idade. Aos 28 anos, fase da velhice para um macaco reso, Matthias perde os cabelos, arrasta a barriga e ganha rugas no rosto. No entanto, na jaula ao lado, um de seus colegas de laboratório, Rudy, é o retrato da vitalidade simiesca, embora seja só um pouco mais velho.

Com uma simples intervenção no estilo de vida, Rudy e outros primatas como ele (como Canto, na foto acima) deverão ter vidas muito longas e ativas. Eles recebem uma dieta com restrição calórica, cerca de 30% menos calorias que o normal, mas com quantidades adequadas de vitaminas, minerais e outros nutrientes.

O modo como essa dieta afeta o corpo é objeto de uma série de estudos e indica que o índice de envelhecimento pode ser manipulado. Dietas de restrição calórica aplicadas a vários animais mostraram que elas interferem em reações moleculares envolvidas no avanço do mal de Alzheimer, diabete, doenças cardíacas, mal de Parkinson e câncer. No início deste ano, pesquisadores afirmaram que a restrição calórica pode ser mais eficaz que o exercício na prevenção de doenças relacionadas à idade.

Macacos como Rudy parecem comprovar a teoria. Os animais submetidos à dieta restritiva gozam de saúde inquestionavelmente melhor que a dos macacos sob dieta normal ao se aproximar da velhice. Estes mostram sinais de envelhecimento similares aos que surgem nos humanos. Três desenvolveram diabete e um quarto morreu da doença. Cinco morreram de câncer.

Mas Rudy e seus colegas de dieta estão se saindo melhor. Nenhum tem diabete e só três morreram de câncer. Ainda é cedo para saber se eles viverão mais que os outros, mas eles têm pressão mais baixa e níveis mais baixos de gorduras perigosas, de glicose e de insulina.

“Os indicadores preliminares apontam para um sólido prolongamento da vida nos animais sob dieta restrita”, afirmou Richard Weindruch, gerontologista da Universidade de Wisconsin que coordena a pesquisa com os macacos.

As descobertas põem em questão antigas crenças científicas e culturais sobre a inevitabilidade da decadência do corpo. Também sugerem que outras intervenções, como novas drogas, podem retardar o envelhecimento mesmo que a dieta se mostre ineficaz nos humanos. Uma das principais candidatas, uma forma recém-sintetizada de resveratrol – antioxidante presente no vinho tinto – já é testada em pacientes. Eventualmente, ela pode se tornar a primeira de uma nova classe de drogas antienvelhecimento.

Baseando-se em conclusões recentes de estudos com animais, Richard A. Miller, patologista da Universidade de Michigan, estimou que uma pílula imitando os efeitos da restrição calórica poderia prolongar o tempo de vida dos humanos para cerca de 112 anos saudáveis, com os mais velhos chegando aos 140. Alguns especialistas consideram a projeção excessivamente otimista.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações de Michael Mason, do jornal O Estado de São Paulo.

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Privado: Estudo mostra relação de dieta e envelhecimento

Macacos alimentados com quantidade de comida menor que o normal envelhecem de modo mais saudável e podem até viver por mais tempo

Michael Mason

Num laboratório do Centro Nacional de Pesquisa de Primatas de Wisconsin, Matthias sofre com a idade. Aos 28 anos, fase da velhice para um macaco reso, Matthias perde os cabelos, arrasta a barriga e ganha rugas no rosto. No entanto, na jaula ao lado, um de seus colegas de laboratório, Rudy, é o retrato da vitalidade simiesca, embora seja só um pouco mais velho.

Com uma simples intervenção no estilo de vida, Rudy e outros primatas como ele (como Canto, na foto acima) deverão ter vidas muito longas e ativas. Eles recebem uma dieta com restrição calórica, cerca de 30% menos calorias que o normal, mas com quantidades adequadas de vitaminas, minerais e outros nutrientes.

O modo como essa dieta afeta o corpo é objeto de uma série de estudos e indica que o índice de envelhecimento pode ser manipulado. Dietas de restrição calórica aplicadas a vários animais mostraram que elas interferem em reações moleculares envolvidas no avanço do mal de Alzheimer, diabete, doenças cardíacas, mal de Parkinson e câncer. No início deste ano, pesquisadores afirmaram que a restrição calórica pode ser mais eficaz que o exercício na prevenção de doenças relacionadas à idade.

Macacos como Rudy parecem comprovar a teoria. Os animais submetidos à dieta restritiva gozam de saúde inquestionavelmente melhor que a dos macacos sob dieta normal ao se aproximar da velhice. Estes mostram sinais de envelhecimento similares aos que surgem nos humanos. Três desenvolveram diabete e um quarto morreu da doença. Cinco morreram de câncer.

Mas Rudy e seus colegas de dieta estão se saindo melhor. Nenhum tem diabete e só três morreram de câncer. Ainda é cedo para saber se eles viverão mais que os outros, mas eles têm pressão mais baixa e níveis mais baixos de gorduras perigosas, de glicose e de insulina.

“Os indicadores preliminares apontam para um sólido prolongamento da vida nos animais sob dieta restrita”, afirmou Richard Weindruch, gerontologista da Universidade de Wisconsin que coordena a pesquisa com os macacos.

As descobertas põem em questão antigas crenças científicas e culturais sobre a inevitabilidade da decadência do corpo. Também sugerem que outras intervenções, como novas drogas, podem retardar o envelhecimento mesmo que a dieta se mostre ineficaz nos humanos. Uma das principais candidatas, uma forma recém-sintetizada de resveratrol – antioxidante presente no vinho tinto – já é testada em pacientes. Eventualmente, ela pode se tornar a primeira de uma nova classe de drogas antienvelhecimento.

Baseando-se em conclusões recentes de estudos com animais, Richard A. Miller, patologista da Universidade de Michigan, estimou que uma pílula imitando os efeitos da restrição calórica poderia prolongar o tempo de vida dos humanos para cerca de 112 anos saudáveis, com os mais velhos chegando aos 140. Alguns especialistas consideram a projeção excessivamente otimista.