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Voluntariado: a humanização a favor da medicina

Médicos, enfermeiros, técnicos e pacientes. Todos eles reunidos em um único ambiente: o hospital. Para três desses grupos a unidade nada mais é do que seu ambiente de trabalho e, por isso, é vista com respeito, carinho e hospitalidade. No entanto, o mesmo não pode ser dito daqueles que, acometidos por alguma enfermidade, precisam buscar o local e os profissionais médicos especializados, e iniciarem suas jornadas em busca da plena recuperação.

Aos olhos dos pacientes, especialmente dos pequenos que ocupam as alas pediátricas, as paredes dos hospitais tingem-se de preto e branco. O processo de cura, que pode ser longo e por muitas vezes doloroso, é repleto de restrições, necessárias para a própria segurança e otimização do tratamento dos internos. Porém, existe um quinto grupo frequentador dos hospitais, não mencionado anteriormente, que se prontifica a trazer as cores de volta ao ambiente durante a “estadia” dos pacientes: os voluntários.

Rafael Nascimento Barreiros, conhecido como “Dom Gentileza”, psicólogo e licenciado em Arte Educação com especialização em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), atua como palhaço desde 2000. “Gentileza” foi responsável pela criação dos grupos voluntários dos cursos de medicina da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), Faculdade de Ciências Médicas de Garanhuns (FCM-UPE) e da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Além disso, hoje ele acompanha também os projetos desenvolvidos na Faculdade de Ciências Médicas (FCM-UPE); Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Universidade Maurício de Nassau (UNINASSAU) e Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

 “Nosso trabalho não se trata só de um grupo de palhaços intervindo no hospital. Nosso segredo está em quem veste essa máscara. Nós trabalhamos com futuros profissionais de saúde, futuros cuidadores, futuros professores de saúde e futuros gestores da saúde. Ver aquela realidade e se conectar com o outro como um palhaço dá a eles outro conceito sobre o ser humano hospitalizado e isso reflete em toda uma cadeia produtiva da saúde que eles serão responsáveis futuramente”, reflete Rafael Nascimento.

Brincarte, Entrelaçados, Medclowns, Palhaçoterapia. Muitos são os nomes dados aos trabalhos voluntários desenvolvidos por universitários, especialmente dentro dos cursos de medicina, para pacientes internos nas unidades de saúde públicas de Pernambuco. Apesar das diversas nomenclaturas, o intuito é um só: doar-se em prol do propósito de otimizar o processo de cura e facilitar o período de internação em ambiente hospitalar para aqueles que mais precisam. “No hospital de forma direta melhoramos a realidade do paciente, pois o convidamos ao exercício lúdico de reconstruir a imagem do hospital e do seu papel nele. Já os acompanhantes são convidados a perceber que o fluxo de vida continua e que naquele espaço ele também pode desfrutar de momentos felizes”, finaliza o educador.

 O voluntariado na formação

O psicólogo destaca que além dos benefícios promovidos aos pacientes, o voluntariado é uma experiência importante também na formação dos estudantes de medicina. “Cada vez eu percebo mais que ações neste perfil possuem uma contribuição significativa na formação de base dos estudantes da área da saúde. Eu observo que temas que acabam não estando tão presentes no currículo ficam mais evidentes”, destaca Rafael.

Rayssa Gatis, de 25 anos, atuou durante cinco anos na Palhaçoterapia, projeto de extensão da Universidade de Pernambuco (UPE). “O projeto busca essa relação de cuidado com o outro (paciente, acompanhante ou profissional de saúde), através do encontro”, explica a médica. “Acredito que essa vivência de estar junto, disponível para lidar com as dores e emoções do outro, me trouxe um olhar que muitas vezes era esquecido ao longo do curso: o olhar da compaixão e do se fazer presente”, finaliza Rayssa.

O médico Leandro Correia, formado pela Universidade Maurício de Nassau, em junho deste ano, atuou na MedClowns, projeto de extensão da instituição. “Dos meus seis anos de faculdade, atuei cinco anos e meio na MedClowns. E mesmo depois de formado eu ainda mantenho contato com o projeto. Assim como outros integrantes do projeto. E mesmo que não atuasse em setor, ajudamos na formação e preparação de novos participantes” explica o médico.

“O engrandecimento pessoal, mental, espiritual e profissional é exponencial e valoroso. Além de tudo isso, as vivências com pacientes, amigos, profissionais do setor nos promovem momentos inesquecíveis”, finaliza Leandro.