Publicado em: 10/04/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Máquinas poderosas que permitem visualizar o interior do corpo humano com nitidez e segurança. Técnicas modernas que revelam os mínimos detalhes de uma célula. Conheça os exames de última geração e saiba até que ponto eles contribuem para o diagnóstico precoce e o tratamento de inúmeras doenças
Desde a invenção em 1818 do estetoscópio (aparelho que amplia os sons corporais) até a recente cápsula endoscópica com microcâmera, que ao ser engolida pelo paciente capta 50 mil imagens da boca ao intestino, substituindo a tradicional endoscopia, os avanços tecnológicos têm provocado uma revolução na área de medicina diagnóstica.
Graças à ajuda deles, os exames estão cada vez mais precisos, seguros e menos invasivos. E a descoberta da doença, por sua vez, tende a ser mais rápida e certeira. Em uma área em que um pequeno erro pode custar uma vida, é fácil entender por que essas infinitas possibilidades de diagnóstico deslumbram os cientistas, médicos e pacientes. Mas será que toda essa parafernália de última geração substitui o bom e velho exame clínico?
“Os sofisticados aparelhos devem ser apenas uma ferramenta (valiosa, sem dúvida!) nas mãos dos especialistas”, pondera o oncologista Arthur Katz, do Centro Paulista de Oncologia, de São Paulo. O médico também alerta para o fato de que os mais modernos exames ajudam muito a entender uma doença já instalada, como um tumor. No entanto, eles jamais devem substituir ou mesmo reduzir a importância das consultas de rotina aos médicos (pediatras, ginecologistas, urologistas, geriatras…) nas várias fases da vida e de acordo com os sintomas e as necessidades do momento.
Afinal, por mais poderoso que possa ser um exame, ele deve ter um papel definido: confirmar o diagnóstico clínico. Sendo assim, ao indicá-lo o médico já deve saber exatamente o que procura. Não é à toa que os especialistas dizem para sempre desconfiar do profissional da saúde que pede vários exames por imagem ou de última geração e que deixa a desejar na consulta.
Além disso, há outras razões para se ter cautela na hora de fazer uso de tanta tecnologia. A primeira é de ordem econômica. A indicação inadequada ou exagerada de exames irá onerar os convênios médicos e instituições de saúde, que acabam repassando os custos aos usuários. A segunda tem a ver com bom senso: não é porque uma máquina moderna conseguiu descobrir a doença do seu amigo que você precisa passar por ela. Só mesmo um médico de confiança poderá dizer se o mesmo recurso é necessário para avaliar o seu caso.
Confira como esses aparelhos e tecnologia de última geração funcionam, o que detectam e para que tipo de males são indicados.
TOMOGRAFIA DE 64 CANAIS
Como é: para o paciente, o exame não difere em nada da tomografia comum. A máquina produz a mesma quantidade de imagens, mas com uma velocidade de cortes do órgão analisado infinitamente mais rápida. Com isso, estudar veias, artérias e a função do coração, órgão que nunca pára de se movimentar, tornou-se possível.
Vantagens: na área cardiológica, graças ao tomógrafo de 64 canais, agora o médico pode fazer uma triagem e identificar os casos em que realmente é necessária a indicação de um cateterismo – um exame invasivo e que costuma oferecer riscos ao paciente.
Desvantagens: não há.
ESPECTROMETRIA DE MASSA
Como é: o sangue do paciente é colhido e o material é colocado em uma máquina que irá bombardear as moléculas e quebrá-las em muitos pedacinhos. Cada pedacinho desse material será estudado para saber se a droga que a pessoa está tomando (como os imunossupressores para evitar a rejeição do órgão em pacientes transplantados, por exemplo) tem agido corretamente.
Vantagens: o tratamento de doenças, como o câncer, e de pacientes transplantados torna-se mais efetivo e menos tóxico
Desvantagens: não há.
MAMOGRAFIA DIGITAL
Como é: o equipamento dispensa o uso de chapas ou filmes – as imagens são armazenadas e analisadas em computador. A paciente fica de pé e a mama é pressionada, como na mamografia tradicional. Em seguida, um dispositivo eletrônico grava as imagens geradas pelos raios X. No monitor de alta resolução, o radiologista observa as fotos semelhantes a negativos em preto-e-branco e pode manipulá-las livremente. Dar zoom, inverter a posição, aumentar o contraste da imagem e, com isso, espera-se que o especialista não tenha dúvida na hora de formular um diagnóstico.
Vantagens: pelo método convencional, o exame precisaria ser refeito se a imagem obtida não fosse boa. Na mamografia digital, a mulher não é exposta à nova carga de radiação. Além disso, o fato de a imagem ser mais nítida possibilita a detecção de nódulos minúsculos.
Desvantagens: não reduz a pressão sobre o seio, a principal queixa das mulheres que se submetem ao exame anualmente.
PET-SCAN (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons)
Como é: uma técnica de Medicina Nuclear que consiste na injeção de uma substância radioativa (fluordesoxiglicose-FDG) e, posteriormente, na obtenção das imagens de corpo inteiro, por meio de um moderno e avançado aparelho de tomografia. A pessoa é colocada em uma cama que passa por um arco giratório que emite múltiplas fontes de raios X. A energia atravessa o corpo do paciente e encontra receptores que processam milhares de informações em forma de imagens.
Vantagens: o método se diferencia da tomografia comum porque é capaz de detectar tumores muito pequenos. Como a substância FDG participa do metabolismo das células, acaba se ligando aos tecidos doentes e os deixa muito visíveis. Daí é possível conhecer detalhes da doença em questão.
Desvantagens: não é um exame disponível no setor público de saúde.
CÁPSULAS ENDOSCÓPICAS
Como é: o paciente engole uma “pílula” que leva consigo uma espécie de câmera fotográfica (veja detalhes da tecnologia abaixo). Também usa um cinturão que vai captando as imagens obtidas pela cápsula (cerca de 50 mil fotos, da boca ao intestino) e transmitindo-as para um monitor. O comprimido é eliminado, posteriormente, pelas fezes.
Vantagens: muito menos doloroso que a endoscopia, faz uma análise detalhada do intestino delgado, órgão compacto e difícil de ser examinado.
Desvantagens: a funcionalidade para analisar outros órgãos do aparelho digestório é baixa. É mais indicado para examinar o intestino.
PCR EM TEMPO REAL
Como é: o sangue do paciente é colhido no laboratório e o material, enviado para análise. Um equipamento irá promover uma reação para amplificar um mínimo pedaço da cadeia genética de um determinado vírus ou bactéria (causadores de hepatite, aids e muitas outras infecções). Essa técnica irá ajudar a quantificar com exatidão o nível de microrganismos nocivos presentes no corpo.
Vantagens: sabendo exatamente a carga viral do paciente, os medicamentos receitados se tornam mais precisos também.
Desvantagens: não há.
TESTE ERGOMÉTRICO MIB
Como é: muitas vezes o indivíduo demonstra sintomas de doenças coronarianas, mas tem resultados negativos em exames anteriores. Nesse caso, o ergométrico MIB é bem indicado, pois consiste em aplicar no paciente uma substância de contraste (um radiofármaco conhecido como MIB) que participa do metabolismo das células. Então, quando a pessoa está em atividade (executando o teste ergométrico na esteira, com acompanhamento e avaliação de um médico), um dispositivo específico vai captando imagens internas do coração e das artérias coronárias. Se essas imagens não apontarem a presença do radiofármaco, é sinal de que há problemas, de que alguma artéria, por exemplo, está obstruída.
Vantagens: eletrocardiogramas podem não apontar uma enfermidade quando a pessoa está em repouso. No teste com o contraste MIB, isso não ocorre.
Desvantagens: o exame necessita do esforço do paciente.
CAPTURA HÍBRIDA
Como é: o médico colhe o material ginecológico (como um papanicolaou de rotina) que será mandado para o laboratório. Então, com a ajuda de técnica de biologia molecular, o especialista pesquisa nessa amostra indícios do vírus HPV (Papiloma Vírus Humano) – principal responsável pelo câncer de colo de útero.
Vantagens: a captura híbrida mostra o tipo de HPV que o médico irá lidar, diferentemente de um exame comum de sorologia, que apenas aponta positivo ou negativo para a presença do vírus.
Desvantagens: não há.
O FUTURO DOS EXAMES: remédios personalizados
Há muito se sabe que o ser humano é único e cada organismo se comporta de uma determinada forma. Os especialistas também já observaram que, muitas vezes, precisam prescrever doses diferentes de remédios para tratar pacientes com doenças iguais. E como fazer isso? Tentar desvendar essa dúvida tem sido a missão de uma nova área de pesquisas, a farmacogenética. Na prática, pesquisadores estão desenvolvendo métodos para analisar determinadas enzimas produzidas pela pessoa que está tomando medicamentos potentes, como antidepressivos e quimioterápicos. Grosso modo, eles acreditam que dependendo da quantidade de certas enzimas, deve-se recomendar um aumento ou diminuição na dose do fármaco. “No futuro, é bem provável que, a partir do resultado desses exames, os remédios tragam na bula uma escala de dosagem e o médico possa receitar a dose exata para seu paciente”, explica Fernando Lopes Alberto, hematologista e assessor médico do Setor de Biologia Molecular do Fleury, em São Paulo. “É o que estamos chamando de medicina personalizada”, finaliza.
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe.
Com texto da Revista Viva Saúde.
POR PATRÍCIA BOCCIA
FONTES: ARTHUR KATZ, ONCOLOGISTA DO CENTRO PAULISTA DE ONCOLOGIA; CARLOS BRANDÃO, DIRETOR MÉDICO DA DIAGNÓSTICO DA AMÉRICA/DELBONI AURIEMO (SP); FERNANDO LOPES ALBERTO, HEMATOLOGISTA E ASSESSOR MÉDICO DO SETOR DE BIOLOGIA MOLECULAR DO FLEURY (SP); JOSÉ GILBERTO VIEIRA, ENDOCRINOLOGISTA DO FLEURY (SP); JOSÉ MARCELO AMATUZZI DE OLIVEIRA, RADIOLOGISTA E GESTOR DO SETOR DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM DO FLEURY (SP); MAURÍCIO VIÉCILI, BIOQUÍMICO E DIRETOR DE PRODUÇÃO DA DIAGNÓSTICO DA AMÉRICA/DELBONI AURIEMO (SP); SAMIRA SAADY MORHY, CARDIOLOGISTA E COORDENADORA DO SETOR DE CARDIOLOGIA DIAGNÓSTICA NÃO-INVASIVA DO HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN.
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