Publicado em: 19/04/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
A interrupção dos serviços dos servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está fazendo com que a matéria-prima de medicamento importado não seja liberada e também não seja utilizada em produção.
“Atingimos um ponto crítico. Deixamos de distribuir medicamentos para doenças importantes, como Alzheimer, esquizofrenia e para impedir a rejeição de órgãos transplantados”, diz o diretor corporativo da Novartis, Nelson Mussolini. O laboratório afirma que já deixou de distribuir medicamentos para o tratamento do mal de Alzheimer para as Secretaria Estaduais de Saúde de São Paulo, Pernambuco, Paraná e Ceará.
A empresa Boehringer já enfrenta problemas na produção. Segundo o diretor Felix Figols, a situação ainda é contornável. “Estamos com a produção em ritmo mais baixo que o normal. Mas assim que houver liberação da matéria-prima, concentraremos a produção para abastecer o mercado com produtos mais urgentes”, afirmou. A greve teve início com os servidores da agência, em fevereiro. O movimento ganhou corpo em março quando também pararam servidores de várias agências reguladoras.
As reivindicações passam por questões salariais. Os servidores da agência querem equiparação. “Há salários distintos: para funcionários cedidos para a agência, para funcionários transferidos e para concursados”, observa Edelvino Albuquerque da Silva, do comando de greve. Na semana passada o governo fez a primeira proposta de acordo, recusada pelos grevistas.
“Não há perspectivas de solução rápida”, admite Albuquerque da Silva. Albuquerque da Silva afirma que 30% dos funcionários estão trabalhando justamente para evitar desabastecimento. “Se houver qualquer ameaça, liberaremos a matéria-prima”, afirmou. O gerente da Anvisa, Paulo Ricardo Nunes, disse confiar na avaliação dos grevistas: “Eles sabem fazer tal controle. Por enquanto, não há desabastecimento para o consumidor. E se eles dizem que vão agir antes de que esse risco apareça, está dito”.
Em Recife – No Aeroporto Internacional do Recife, a greve interrompeu a vacinação de viajantes. Passageiros que têm viagem marcada para áreas de transmissão de doenças como a febre amarela estão sendo orientados a se vacinar em postos da prefeitura. Na Anvisa é feita apenas a troca do cartão de vacinação.
Em Pernambuco, segundo a coordenadora substituta de Vigilância Sanitária em Portos, Aeroportos e Fronteiras, Lígia Araújo, há cerca de 38 pedidos de liberação de carga no Aeroporto Internacional do Recife e no Porto de Suape. Segundo ela, os volumes relativos a material médico-hospitalar não estão retidos em função da greve e, sim, da não-apresentação de documentos.
Entre esses materiais estão agulhas, seringas, aparelhos ortopédicos e vitaminas. “A greve atinge 100% dos profissionais, mas serviços essenciais, como a liberação de material perecível e remédios está mantida”, esclareceu. As Secretarias de Saúde do Estado e do Recife informam que ainda não tiveram o abastecimento afetado.
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe
Com Informações do Jornal do Commercio.
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