Publicado em: 20/04/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
“Exame de óculos” não detecta a patologia. O diagnóstico depende de exames específicos.
O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível e estima-se que no Recife haja cerca de 30mil portadores de glaucoma e que, desses, metade não sabem que são glaucomatosos. Normalmente indolor, e sem sinais externos, o glaucoma só pode ser diagnosticado com exames específicos (medição da pressão intra-ocular e de fundo de olho, entre outros complementares) e apesar de ser incurável, pode ser controlado.
Objetivando alertar a população sobre a existência e os riscos da doença, a Sociedade de Oftalmologia de Pernambuco, em parceria com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, Fundação Altino Ventura, Fundação IOR, Fundação Santa Luzia, Clinope e Hospital das Clínicas de Pernambuco realiza, de 3 a 5 de maio, o Recife Contra o Glaucoma, no Parque 13 de maio. Patrocinada pelo laboratório Alcon, a ação oferecerá gratuitamente exames de diagnóstico de glaucoma para pessoas com idade a partir de 40 anos. Estima-se que uma média de 800 pessoas serão atendidas em cada dia da ação.
“Com o Recife Contra o Glaucoma, pretendemos alertar a população sobre o risco de cegueira total e irreversível que essa doença representa. Mais do que oferecer os exames de diagnóstico gratuitos, queremos gerar no paciente o interesse em propor ao médico a pergunta: Dr. Eu tenho glaucoma?”, explica Vasco Bravo, presidente da Sociedade de Oftalmologia de Pernambuco.
A doença é causada pelo aumento da pressão intra-ocular, provocada pela produção excessiva de um líquido chamado humor aquoso (responsável pela nutrição da córnea) ou por dificuldades de escoamento desse líquido para a corrente sanguínea. Com o aumento da quantidade do humor aquoso, a pressão intra-ocular aumenta e provoca a compressão dos vasos sanguíneos e do nervo ótico. Com isso, a irrigação sanguínea e nervosa do olho vai sendo comprometida, primeiramente nas periferias, depois na área central.
“As pessoas com histórico familiar da doença ou com idade acima de 40 anos devem se submeter a acompanhamento oftalmológico específico periodicamente.”, comenta Vasco. Não basta ir ao oftalmologista só para fazer o famoso “exame de óculos”. Com ele, o médico não consegue observar qualquer sinal ou evidência de glaucoma.
Pessoas da raça negra têm mais propensão a desenvolver a patologia. É uma questão genética. Aliás, “a questão genética está presente em cerca de 90% dos casos de glaucoma.”, comenta Vasco. Porém, vale lembrar que o alerta é para todos, pois a doença pode se apresentar em pessoas de qualquer idade e raça.
TRATAMENTO – Não há como recuperar as células nervosas já danificadas. Uma vez perdida a visão em alguma área do olho, não é possível recuperá-la, por isso o diagnóstico precoce é a melhor coisa para o glaucomatoso, que, com tratamento adequado, pode evitar que a doença evolua.
O tratamento mais moderno atualmente, que é puramente de controle da doença, nunca de cura, é o uso de drogas (colírios) de última geração à base de Análogos de Prostaglandina, que promovem o aumento do escoamento do humor aquoso e, conseqüentemente, a diminuição da pressão intra-ocular.
Há ainda as drogas à base de Maleato de Timolol, de Inibidores de Anidrase Carbônica e de Alfagonistas. Todas voltadas para diminuir a produção do humor aquoso. A vantagem dos Análogos de Prostaglandina está na possibilidade de uma posologia mais cômoda (pingar colírio uma vez ao dia, enquanto que os outros são ministrados duas vezes ao dia). Isso faz uma grande diferença quando falamos de pacientes que usarão o medicamento o resto da vida.
Os medicamentos mais novos também trazem a vantagem de provocar menos hiremia (vermelhidão no olho que provoca incômodo em alguns pacientes). “Em caso, e somente nesse caso, de não-resposta à medicação, o paciente pode ser submetido a intervenção cirúrgica para melhoria do escoamento do líquido aquoso.” Conclui Vasco Bravo.
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe
Com informações da Assessoria de Imprensa do Recife contra o glaucoma.
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