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Fiscais fazem coleta em aves na Coroa do Avião

Publicado em: 28/04/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Profissionais de saúde coletaram fezes e secreção de animais para estudo que visa combater a gripe aviária. O curso de vigilância em doenças em aves reúne 30 fiscais até quarta-feira

Terminou nesta madrugada a captura de aves migratórias na Coroa do Avião, em Itamaracá, Litoral Norte, realizada durante o treinamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para técnicos e fiscais sanitários. O curso de vigilância em doenças em aves reúne, até quarta-feira, 30 fiscais e agentes de defesa sanitária de Estados do Norte e Nordeste. A meta é formar profissionais capacitados para atuar na contenção do vírus H5N1, causador da gripe aviária, que já causou 113 mortes de humanos desde 2003, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Até as 20h de ontem, foi coletado material orgânico (fezes e secreção cloacal) de três animais, entre maçariquinhos (Calidris pusilla) e batuíras-de-coleira (Charadrius semipalmatus), aves continentais mais comuns na região. As amostras serão remetidas hoje ao Laboratório do Ministério da Agricultura em Pernambuco (Lanagro). A Coroa do Avião é um dos sítios migratórios onde a entrada de gripe aviária vem sendo monitorada pelos ministérios da Saúde e Agricultura. Ano passado, também na ilhota, uma cepa de menor patogenicidade do vírus – a H3 – foi detectada em espécies migratórias e nativas do litoral pernambucano.

De acordo com a assessora técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Lúcia Maia, o material também será estudado em laboratório de Campinas, interior de São Paulo, referência nacional em doenças das aves. Resultados sobre presença de vírus são esperados para daqui a 30 dias. As aves capturadas ontem na Coroa do Avião fazem a rota atlântica, percorrendo toda a América, do Canadá à região da Patagônia. Mesmo sem sobrevoar Europa e Ásia – regiões com animais afetados pelo H5N1 – em dado momento do fluxo migratória elas encontram-se com espécies oriundas desses continentes, o que representa possibilidade de contaminação.

“O maçariquinho e a batuíra se reproduzem ao norte do Estado do Labrador, no Canadá, onde encontram espécies da rota da Europa Ocidental, como França e Alemanha, onde há aves contaminadas”, explicou o professor Severino Mendes, do Departamento de Biologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que está atuando no curso de vigilância.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações do Jornal do Commercio.

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