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Solução para hemodiálise é suspensa em todo o País

Publicado em: 09/05/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Decisão da Anvisa atinge os lotes FA06D144 e FB06D147 do produto que provocou febre, calafrio, dores de cabeça e musculares em 20 pacientes da Clínica do Rim de Vitória de Santo Antão

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu, ontem, em todo o País o comércio e uso dos lotes FA06D144 e FB06D147 de soluções de concentrados para hemodiálise (CPHD). A substância, fabricada pela Farmace Indústria Químico-farmacêutica Ltda., é utilizada no tratamento de pacientes renais crônicos. A medida foi tomada depois que a Vigilância Sanitária Estadual (VSE) constatou intercorrências na Clínica do Rim de Vitória de Santo Antão, na Zona Mata Sul. Na última sexta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) já havia adotado a suspensão, por tempo indeterminado, em Pernambuco. Ontem, a VSE iniciou visitas a unidades de saúde para detectar possíveis casos de contaminação.
Análises da Vigilância Sanitária realizadas na solução constataram a presença de níveis elevados de endotoxina bacteriana, 90 vezes maior que o permitido. Por medida de segurança, a direção da clínica cancelou a aquisição de produtos fabricados pelo Farmace, empresa sediada na município de Barbalha, no Ceará. Nas duas últimas semanas de abril, cerca de 20 dos 190 pacientes da unidade apresentaram sintomas como calafrio, febre, dores de cabeça e musculares após serem submetidos a hemodiálise.

Conforme a diretora-técnica da clínica, Suzana Melo, além das análises feitas pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) nos produtos, foram coletadas e testadas amostras da água utilizadas no processo de hemodiálise. “Os pacientes também passaram por exames de sangue. Mas não foi possível isolar a bactéria responsável pela contaminação”, revelou. A direção da unidade acionou a VSE no último dia 28 de abril. Para tranqüilizar os pacientes renais, a direção da unidade afixou um comunicado informando as providências adotadas.

Há quatro anos sendo submetida ao tratamento, a doméstica Maria José de Araújo, 44 anos, nunca havia enfrentado problema durante as sessões que realiza três vezes por semana. “Com meia hora de hemodiálise comecei a ter os sintomas. Tive medo de morrer”, confessou. A paciente relata que sentiu calafrios e febre. O caso foi comunicado à Anvisa. O gerente da VSE, Jaime Brito, informou que ainda não há registro de ocorrências em outras unidades de saúde do Estado. Segundo Brito, cabe à Anvisa investigar o processo de fabricação dos concentrados para hemodiálise. A Farmace solicitou uma contraprova das análises. Ontem, uma farmacêutica da empresa esteve na Clínica do Rim e recolheu amostras do produto. A funcionária afirmou que a Farmace não irá se pronunciar sobre o caso.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações do Jornal do Commercio.

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