Publicado em: 16/06/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
“Pacientes são infectados em sessão de hemodiálise”. Depois da denúncia publicada no Jornal do Commercio desta sexta-feira, 16 de junho, o Cremepe abriu sindicância para apurar as responsabilidades do caso. Na manhã desta sexta o Cremepe também esteve no local, onde realizou uma fiscalização.
Instalada no bairro de Parnamirim, a Nefrocentro suspendeu as sessões de hemodiálise na última terça-feira, depois que 14 pacientes apresentaram reações durante o tratamento. Dois deles estão internados em estado grave com quadro de infecção. (Leia notícia do JC abaixo).
De acordo com o presidente do Cremepe, Carlos Vital, a equipe de fiscalização do Cremepe constatou todas as denúncias e averiguou o prontuário dos pacientes, além de pedir exame de qualidade da água e da solução dialítica. “A partir de agora, o sindicante vai começar a levantar mais informações para anexar ao processo”, informou Vital.
OUTROS CASOS – Só neste ano foram relatados problemas relacionados a hemodiálise em mais três unidades de saúde: Hospital das Clínicas, Barão de Lucena e Clínica do Rim de Vitória de Santo Antão. Nos três casos, o Cremepe também abriu sindicância para apurar responsabilidades.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Pacientes são infectados em sessão de hemodiálise
Quatorze pessoas passaram mal e duas estão em estado grave. Caso ocorreu na Nefrocentro, no Recife, onde, há um mês, doentes apresentaram reações a uma solução usada no tratamento
JOÃO VALADARES
E CARLOS EDUARDO SANTOS
Dois pacientes submetidos a uma sessão de hemodiálise, na última terça-feira, na clínica particular Nefrocentro, no bairro de Parnamirim, Zona Norte do Recife, passaram mal durante o tratamento e estão internados em estado grave com um quadro infeccioso. Um deles teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Outras 12 pessoas apresentaram sintomas mais leves, no entanto, também precisaram interromper a sessão no mesmo dia, porque ficaram com calafrios, convulsões pressão alta, febre e náusea. No início de maio, na mesma clínica, um lote de uma solução utilizada no tratamento, fabricada pela Farmace Indústria Químico-farmacêutica Ltda., foi interditado pela Vigilância Sanitária Estadual, após dez pacientes apresentarem calafrios. Apenas este ano, é a terceira vez que ocorre esse tipo de problema em unidades de saúde de Pernambuco.
A Vigilância Sanitária Estadual inspecionou, ontem, a unidade de saúde, mas ainda não sabe o que ocasionou o problema. A clínica não foi interditada. Só ontem à noite, após esperar 48 horas por uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o marceneiro Armando de Oliveira, 55 anos, que apresenta estado de saúde mais crítico, conseguiu ser transferido do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) para o Real Hospital Português. Manoel Carvalho de Almeida, 75, está internado no HAM. O quadro dele é estável, mas o paciente apresenta um queda no nível de consciência devido ao AVC.
Após esperar toda a manhã de ontem por uma ambulância, os dois foram encaminhados, por volta das 13h, ao Hospital da Restauração (HR) para realização de uma tomografia. Eles retornaram ao HAM no fim da tarde. O chefe de plantão do HAM, Leonardo Queiroz, explicou que Armando está com uma infecção generalizada. “Ainda não descobrimos o foco, mas o quadro dele é bastante preocupante.”
A clínica Nefrocentro, que atende exclusivamente a pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), realiza três sessões de hemodiálise por dia. O problema ocorreu durante a última sessão. À tarde, cerca de 50 minutos depois do início, o tratamento foi interrompido porque os pacientes começaram a passar mal.
Ontem à tarde, os 12 pacientes que apresentaram sintomas mais leves retornaram à clínica para realizar sessões de hemodiálise. O policial militar reformado Gilvan Fernandes, 51, cumpre a rotina do tratamento há seis anos. Com calafrios e tonturas, Gilvan precisou ser medicado. A máquina em que ele estava foi desligada antes do término da sessão. Ontem, o PM não escondia a preocupação. “Já fico com medo quando não tem problemas. Imagine assim, depois de passar mal e ver outras pessoas vomitando e tendo convulsões. Mas é o jeito, não tenho outra saída”, disse Gilvan, enquanto entrava na sala de Hemodiálise do Nefrocentro para mais uma sessão.
A dona de casa Luciana Cristina, 26, passou apenas 30 minutos na máquina, que precisou ser desligada depois que ela se queixou de dor de cabeça e fortes coceiras pelo corpo. “Faço hemodiálise há oito anos e nunca senti ou presenciei algo desse tipo. Depois do que aconteceu terça-feira, todos estão preocupados.”
FONTE:
Jornal do Commercio
Editoria: Cidades – 16.06.2006
Leia mais sobre esse caso em: http://portal.cremepe.org.br/publicacoes_clipping.php
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