Publicado em: 03/07/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Unidade precisou interromper o atendimento na pediatria por cerca de seis horas devido à ausência de médicos
Dezenas de pais que foram ontem até o Hospital Barão de Lucena em busca de atendimento para seus filhos voltaram para casa sem conseguir tratamento para as infecções, febres e vômitos apresentados pelas crianças. A unidade referência em pediatria de Pernambuco ficou sem dois dos quatro médicos escalados para o plantão e precisou interromper o atendimento por cerca de seis horas. No sábado, o serviço também foi comprometido por causa da superlotação e falta de estrutura. O resultado dessas carências podia ser visto, ainda na tarde de ontem, em crianças que estavam “internadas” nos bancos e cadeiras da recepção por falta de vaga na emergência e internamento.
“Ele estava com muita dificuldade para respirar e os médicos acharam melhor que ficasse em observação, mas não tinham leito. Então arrumaram um berço e me disseram para esperar”, contou Luciana da Silva, mãe de Caio, de dois meses. Luciana passou a noite em uma das cadeiras da recepção e ainda não tinha previsão de receber alta ou conseguir uma vaga na ala de internamento.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde, o plantão deveria ter cinco médicos, mas uma não estava escalada por apresentar problemas na gravidez e os dois faltosos estavam doentes. “Uma médica está vendo os internos no terceiro andar e a outra ficou na emergência. Não temos como atender mais crianças”, informou uma das técnicas em enfermagem. Segundo ela, cerca de 20 crianças estavam sendo atendidas na emergência. Apenas quando a médica que estava no setor de internamento desceu para a emergência, por volta das 15h, a recepção reiniciou o procedimento de preencher fichas.
“É um absurdo que um hospital grande como esse não tenha como nos atender. Minha filha está com febre desde ontem e não consigo fazer com que um médico a veja”, disse Hosana Alves, mãe de Alessandra, 10 meses. O mesmo aconteceu com Cláudia Torres que saiu de casa às 5h30 de ontem em busca de atendimento para seu filho, Jackson, 3 meses, e até o meio da tarde não tinha preenchido uma ficha. “Elefoi diagnosticado com broncopneumonia há um mês e acordou com febre. Então corri para o HR e me mandaram vir para cá. Não sei o que fazer”, contou, informando que iria aguardar pelo próximo plantão.
A falta de estrutura também estava à mostra na emergência. Em uma sala de cerca de três metros quadrados, cinco crianças estavam em observação e duas dividiam a mesma cama. Outro paciente, com apenas cinco dias de nascido, estava com uma infecção no umbigo. “Quero levar ele para casa. O quarto é muito abafado porque o ar-condicionado está quebrado e cheio de moscas”, disse a mãe, Nadeje de Santana, que ainda se recupera do parto.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com informações do Diário de Pernambuco.
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