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Mês de julho violento para mulheres

Publicado em: 26/07/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

O mês de julho foi o segundo maior em número de assassinatos de mulheres no estado de Pernambuco. Até ontem foram contabilizadas 28 mortes violentas, em um total de 193 desde janeiro deste ano. Dessas, 173 eram mulheres com mais de 18 anos e 20 adolescentes. Para tentar reverter esse quadro e construir o perfil de quem mata, a Delegacia de Polícia da Mulher (Dpmul) passou a analisar cada caso individualmente e vai começar a divulgar a partir dessa semana as fotos dos acusados de cometer crimes contra mulheres que já tenham mandados de prisão preventiva expedidos e que estejam foragidos. A intenção é que, com a maior visibilidade dos casos, o número de incidências diminua.

Segundo a delegada Cláudia Molina, a Dpmul está analisando os inquéritos um a um a fim de identificar quais as maiores dificuldades para elucidação dos casos, além de traçar um perfil dos autores dos crimes. “Pretendemos saber quem mata e porquê. Já conseguimos visualizar que na grande maioria dos casos, as vítimas têm uma relação de grande proximidade com os autores. Esses, por sua vez, matam por acreditar que nunca receberão punição pelo crime que cometeram”, afirmou Molina.

Ainda de acordo com a delegada, a Secretaria de Defesa Social está desenvolvendo uma parceria com o poder judiciário para agilizar o andamento dos processos. “Quando um homem chega a ir à julgamento pelo assassinato de uma mulher, por muitas vezes o crime foi cometido há até 10 anos. Isso estimula a cultura do perdão pelos crimes, o que é inadmissível”, completou. Uma das alternativas de resolução do problema é a expedição de mandados de prisão preventiva para todos os acusados que tenham sido indiciados.

Outro fator preocupante apontado pela Dpmul é que, cada vez mais, as mulheres têm se envolvido com tráfico de drogas e outros crimes, o que aumenta os índices de mortes violentas. Do ano 2000 até 2005, a população carcerária feminina cresceu em 127%, contra 75% de aumento da população masculina. “Podemos ter uma idéia desse cenário se compararmos o números de prisões por envolvimento com o tráfico nos últimos dois anos. Entre 2004 e 2005 foram detidas 36 mulheres associadas ao crime organizado. Já entre 2005 e 2006, foram 70”, disse a delegada.

O Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMP) diz que ainda é muito cedo para se fazer uma avaliação dos novos projetos apresentados, mas considera que as ações são muito tímidas para combater efetivamente o problema. “É preciso que a violência seja tratada como uma questão estrutural. O governo ainda não assumiu a sua responsabilidade e não designou investimentos compatíveis para que se tenham resultados”, afirmou Ana Veloso, integrante do FMP. Ela também rebate as afirmações que têm se matado mais mulheres envolvidas com o tráfico de drogas. “Essa teoria não se justifica. Por que então o governo não desenvolve ações para evitar esse vínculo. Com políticas efetivas de saúde, segurança e moradia se constrói uma nova realidade social”, completou.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações da Folha de Pernambuco.

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