Publicado em: 27/07/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Milhões de anos de evolução produziram, na resina de uma árvore comum na Amazônia e no Centro-Oeste, um medicamento antiinflamatório duas vezes mais potente que alguns dos mais populares do mercado hoje. Uma equipe da USP de Ribeirão Preto está explorando esse potencial, já sugerido pela medicina popular, e desenvolveu uma maneira de administrar a parte ativa do óleo da planta como remédio.
Divulgação
A árvore é a copaíba -ou melhor, o conjunto de árvores, já que se tratam de várias espécies com parentesco próximo entre si, do gênero Copaifera. “Na verdade, nós usamos o extrato comercial, que vem de mais de uma espécie”, contou à Folha a farmacêutica Mônica Freiman de Souza Ramos, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Ela acaba de concluir seu doutorado sobre o tema na Faculdade de Ciências Farmacêuticas USP de Ribeirão Preto, sob orientação de Osvaldo de Freitas. No projeto, além de comprovar o papel antiinflamatório do óleo –a medicina popular da região Norte também o usa como antisséptico e cicatrizante–, ela caracterizou quimicamente o produto e criou uma forma de administrá-lo aos camundongos que serviram de cobaia no estudo. O processo já está patenteado.
Desmanchando no ar
A pesquisadora conta que o óleo, já bastante estudado, é composto por duas frações bem diferentes. Uma é mais pastosa, enquanto a outra é volátil, ou seja, alguns de seus componentes podem evaporar. Problema número um: é justamente nessa fração “vaporosa” que as propriedades terapêuticas do óleo parecem estar. O principal componente dessa fração é conhecido como cariofileno, embora outras substâncias também estejam ali.
O jeito foi aprisionar a parte que interessava do óleo em microcápsulas, com tamanho entre 10 e 15 mícrons (um mícron equivale a um milésimo de milímetro), por um processo que lembra a produção de leite em pó. “Como as cápsulas são microscópicas, a olho nu só é possível ver uma espécie de pó”, explica Ramos.
Pelo menos em camundongos, o pó surpreendeu. Os pesquisadores induziram inflamações nas patas e na pleura (a membrana que recobre os pulmões) dos bichos e depois administraram as microcápsulas com o óleo. O potencial antiinflamatório foi cerca de duas vezes mais forte do que a do diclofenaco de sódio (mais conhecido pelos nomes comerciais Voltaren e Cataflam).
Segundo a farmacêutica, ainda é cedo para falar de efeitos colaterais, mas os dados dos roedores de Ribeirão e os obtidos por outros pesquisadores sugerem que o óleo é pouco tóxico e não causa reações adversas. A maneira como ele age também ainda precisa ser elucidada, mas há indícios de que ele interfira com o sistema de sinalização química que desencadeia a inflamação.
Uso sustentável
Se tudo der certo, os testes finais de um medicamento fitoterápico em humanos acontecerão daqui a cinco anos, estima Ramos. O fato pode ser uma boa notícia para o manejo sustentável da copaíba, já que a extração da resina mantém a árvore de pé (cada “colheita” pode ser feita a cada seis meses ou um ano, diz a pesquisadora).
“É uma prova de como a gente pode explorar bem a biodiversidade brasileira”, afirma. Hoje, a planta já é explorada pela indústria de cosméticos e vernizes, por exemplo.
É bom lembrar que os resultados da pesquisa não garantem que qualquer resina de copaíba por aí terá efeito medicinal. “Há variações de árvore para árvore, e em algumas o conteúdo não-volátil pode ser muito mais abundante. É preciso tomar cuidado com isso”, aconselha a farmacêutica.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações da Folha Online.
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), por meio da Escola...
Leia Mais
O Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco –...
Leia Mais
Na manhã desta segunda-feira (02/03), a Vice-Presidente do Conselho Regional de Medicina...
Leia Mais
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) informa que...
Leia Mais
EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL ANUAL O CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA DO...
Leia MaisConselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco
Rua Conselheiro Portela, 203 - Espinheiro, Recife, PE, 52020-185
CNPJ 09.790.999/0001-94
Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco
Rua Conselheiro Portela, 203 - Espinheiro, Recife, PE, 52020-185
CNPJ 09.790.999/0001-94
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |