Publicado em: 31/08/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Menos de um mês após ser inaugurada, unidade-modelo em cardiologia em todo Norte e Nordeste já enfrenta problemas
Menos de um mês depois de ser inaugurada como unidade-modelo no estado, a emergência cardiológica do Pronto Socorro Professor Luiz Tavares (Procape) – maior centro de cardiologia do Norte/Nordeste e um dos maiores da América Latina – já enfrenta problemas graves de superlotação semelhantes aos registrados na urgência do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), substituída por ele. Problemas crônicos do Huoc, como doentes internados em cadeiras, leitos improvisados, falta de vagas e a longa espera por atendimento já fazem parte da rotina do Procape.
Ontem, um dos dias mais tumultuados da unidade, 48 pacientes estavam internados na emergência, cuja estrutura prevê 19 leitos. Para abrigar os excedentes, macas extras foram colocadas nos boxes onde somente um doente deveria estar. Um deles chegava a abrigar três doentes. Sem macas suficientes, cadeiras serviam de leitos improvisados para pelo menos seis pessoas. “Desde a inauguração da emergência, a demanda só tem crescido. Apesar de maior do que a antiga doHuoc, o Procape não vem conseguindo dar conta da quantidade de pacientes que chegam e nós não sabemos mais o que fazer”, desabafa a vice-diretora do hospital, irmã Lucimar Albuquerque.
Como conseqüência da superlotação, a falta de infra-estrutura para receber os doentes que chegavam se refletiu em outros setores. Na recepção da emergência, a fila de espera de pacientes aguardando atendimento acabou gerando tumultos. Depois de esperar por seis horas com a filha de 16 anos passando mal e se queixando de dor no peito, a dona-de-casa Maria de Lourdes da Paz desistiu e voltou para casa revoltada. “Ela tem problemas cardíacos e o médico de outra unidade viu os exames e se espantou. Mas quando chegamos aqui, tiraram a pressão dela e disseram que não era nada. Nem examinada ela foi”, contou, enquanto deixava a unidade visivelmente nervosa.
Apesar da espera de horas, o autônomo Sandro Marinho não desistiu. Portador de um prolapso cardíaco e com falta de ar, pressão alta e taquicardia, ele chegou ao Procape às 8h e, às 15h, ainda aguardava na sala de espera. De acordo com a enfermeira-chefe da unidade, Verônica Freitas, pacientes que chegavam em estado mais grave eram colocados em situação de prioridade para atendimento. “Não tem outra alternativa”, disse.
Na UTI coronariana, também lotada, um único leito vago era disputado por pelo menos três doentes. O que tivesse mais chance de sobrevivência ocuparia a vaga. “Ver um leito vago é raridade. Geralmente só dá tempo de limpar a maca e ela é novamente ocupada”, reconhece a vice-diretora. “Ontem (anteontem) mesmo, estávamos com cinco pacientes entubados na emergência, que não tem estrutura para abrigar doentes nessas condições. Hoje, três continuam lá”. Entre os 80 leitos de enfermaria, também não havia vagas.
Segundo a irmã Lucimar, o caos enfrentado pelo Procape é reflexo de uma deficiência generalizada na rede de assistência cardiológica no estado. “Além de só termos duas emergências da especialidade no estado, o fato de o Procape ser um hospital novo e central também tem atraído muitos pacientes”. Por dia, a média de atendimentos na unidade é de 115 pessoas. Nos 24 dias de funcionamento do setor, 2.742 pessoas foram admitidas.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações do Diário de Pernambuco.
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